Jornal GGN – As mulheres já respondem por 51% dos empreendedores brasileiros no mercado. É o que revela levantamento do Global Entrepeneurship Monitor (GEM) 2012, segundo o qual, muitas delas se lançam em empreitadas porque não se contentam com a comodidade e as garantias do emprego formal. Na comparação entre os sexos, elas têm mais facilidade em inovar e reter talentos do que eles.
Segundo pesquisa recente da Endeavor mostrou que 57,7% dos homens disseram ter dificuldades na área de recursos humanos ou no processo produtivo, enquanto que, entre as mulheres, esse percentual cai para 34,6%. O relatório apontou que os homens se concentram em áreas tradicionais, como a indústria, e as mulheres inovam no processo produtivo, no marketing e nos recursos humanos, valorizando a integração da equipe, já que têm mais facilidade no contato com as pessoas e na melhoria dos processos.
O GEM 2012 revela ainda que ter o negócio próprio é o sonho de 44% dos brasileiros entrevistados no ano passado. Em vez de um emprego formal, esses profissionais preferem ter uma empresa. O relatório mostra também que a qualidade do empreendedorismo cresce justamente em um momento em que o nível de emprego no país está alto.
Atualmente, de cada dez empresas abertas, sete estão no mercado atrás de oportunidades, não de necessidade, como acontecia até o país beirar o pleno emprego. Segundo o levantamento, um mercado interno de 100 milhões de consumidores, a escolaridade dos empresários acima da média brasileira, e um ambiente legal que favorece as pequenas empresas foram fatores que ajudaram a criar um ambiente favorável para o empreendedorismo em vários setores.
Mais capacitadas e organizadas
Consultores especializados consultados pelo Jornal do Comércio apontam que o empreendedorismo é um caminho sem volta, já que mais de 70% dos brasileiros já pensam em ter o seu próprio negócio. Como são maioria no mundo do empreendedorismo, as mulheres tendem a liderar essa evolução. Para analistas do mundo do empreendedorismo, elas têm uma maior capacidade de gerenciamento do que seu pares masculinos.
Como a maioria das micro e pequenas empresas têm um ciclo de vida curto – em média, de 1,5 a 4,5 anos –, a maior dificuldade, dizem especialistas, não é colocar um negócio, mas mantê-lo. Geralmente, as maiores dificuldades para isso são a falta de capacitação e a de planejamento. No entanto, dos negócios que conseguem ultrapassar tal barreira, 67% têm mulheres à frente porque elas mostram maior capacitação, nível de organização e planejamento financeiro. Já os homens agem muito baseados na intuição.
No final do relatório, os autores da versão brasileira recomendam que as políticas governamentais enfatizem burocracia excessiva, por exemplo, referente à abertura de empresas; simplificação do Sistema Tributário e redução da carga de impostos; adequações na legislação trabalhista com vistas à redução dos encargos; explorar as possibilidades de diferenciar e adequar a legislação vigente à realidade das micro e pequenas empresas; e fortalecer as políticas públicas voltadas para o apoio ao empreendedor.
O GEM 2012 ouviu dez mil pessoas entre 18 e 64 anos, nas cinco regiões brasileiras. Em 2002, 20,9% da população estava envolvida na criação ou administração de um negócio. Dez anos depois, o índice saltou para 30,2% da população adulta, entre 18 e 64 anos. O relatório aponmta também que as microempresas são os motores da nossa economia: representam 99% das empresas nacionais, geram cerca de 52% dos empregos e pagam 40% da massa salarial brasileira.
Veja o relatório abaixo:
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