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9 Comentários
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  1. Zarastro

    22 de agosto de 2016 4:48 am

    Quando comecei a me tornar um Homem

    [video: https://youtu.be/zKTwvo8gx68%5D

     

    “Não há mais que duas ou três histórias na vida dos seres humanos, e elas se repetem tão cruelmente que é como se elas nunca tivessem acontecido.”

    Willa Cather

     

    Devia ter uns treze, quatorze anos. Agora não lembro bem.

    Era companheiro constante de meu pai em suas viagens à São Paulo para ir buscar livros, quando estas não interferiam muito nos deveres de escola. Aos poucos, um novo mundo ia se descortinando para mim. Lembro-me de que, em uma delas, meu pai me perguntou: “quer ficar passeando no centrão de São Paulo enquanto vou buscar os livros?” Ali começou meu fascínio por esta cidade que hoje me mantém mais ou menos prisioneiro, onde anos depois faria minha vida.

    Lembro-me de que eram dias de muito trabalho, e lembro-me de que durante a semana pouco via meu pai. Que quando não estava em viagem, estava vendendo livros à noite na universidade. Então isso meio que acabava substituindo o tempo que não tínhamos juntos. Sentia que finalmente poderia conhecê-lo melhor, transpor aquele muro de incomunicabilidade que ele costumava ser naquela época. E aos poucos fui me inteirando de parte de seu mundo; sentia que começava a virar adulto.

    Lembro-me que, numa dessas viagens, estávamos nós, mais minha tia M. (certamente). Talvez minha mãe estivesse junto, mas é possível que não. Enfim, o que conta é que nesse dia fui ao cinema ver meu primeiro filme de “gente grande”: Retratos da Vida, de Claude Lelouch. Meu pai falava muito desse filme, fez propaganda dele pra família inteira, falava pra todo mundo que era um filme que deveria ser visto, que estava há mais de um ano em cartaz ininterruptamente no Cine Vitrine, na Rua Augusta. E nesse sábado, lá fui eu. Fiquei impressionado. Lembro de não ter entendido muita coisa; não era versado nos assuntos do coração, e eram muitos os relacionamentos e as histórias a se entrelaçar. Mas lembro que saí contente do cinema. Como meu pai, gostava muito de música, e achei muito interessante na época que o filme começava e terminava com a mesma música – o Bolero de Ravel, dançado por Jorge Donn, um número que se tornou emblemático na época.

    Lembro-me que o final de filme combinava com a esperança que sentíamos na época: um governo militar já em seus estertores, que mal se sustentava em pé; o sentimento de que, em breve, teríamos eleições finalmente diretas; o sentimento de que finalmente deixaríamos o arbítrio para trás e que poderíamos falar abertamente o que pensávamos, sem que tivéssemos que depender de um Chico Buarque ou de uma Elis Regina – que havia ido tão cedo, um ou dois anos antes. Isso! Foi essa a sensação mais intensa que tive ao sair do cinema: que aquele filme ajudou a embalar nossas esperanças de um futuro melhor, combinava com o espírito do tempo no Brasil daquela época, a despeito de o mundo ter sido quase vaporizado por milhares de armas nucleares, como viemos a poder saber, anos depois.

    Avancemos 32 anos. Pai de dois filhos, protegidos até agora (de algumas) das dores do mundo, procuro o que me faça continuar e ter esperança. Porque hoje, sinto que 32 anos estão prestes a serem roubados de mim, nesse retrocesso de cinquenta anos ou mais que está sendo colocado em execução neste momento. Ou seja, toda a minha vida adulta. Tudo o que levamos 25 anos para recuperar, está sendo posto abaixo 32 anos depois de termos recuperado. E para alguns, talvez sejam mais que 32 anos – talvez uma vida inteira esteja sendo destruída por pessoas que não sei o que querem. E que talvez sejam responsáveis por (tentar?) arruinar o futuro de meus filhos e dos filhos deles.

    Nesse contexto, revejo partes do filme – partes, porque talvez se o assistir todo, talvez derrame um oceano de lágrimas. Lágrimas pela saudade do que devia ter sido e não foi; lágrimas pela saudade que sinto de meu pai, de corpo presente entre nós mas de espírito cada vez mais ausente; lágrimas pelas lembranças de um futuro que por hora parece terrível. E no meio disso tudo, durante a cerimônia de encerramento das Olimpíadas, vejo as crianças a cantar; crianças cujo futuro mais uma vez se torna incerto e escuro, pois é quase certo que percam os incentivos que possibilitaram a elas estarem lá. E escuto a voz de minha mulher, falando a meus filhos:

    – As crianças, meus filhos, são o futuro.

    – É mesmo, mãe?

    – É sim, filha

    –  Eu e meu irmão?

    – Sim, vocês dois.

    – E vocês, papai e mamãe, o que são?

    – Nós somos o passado.

    Exatamente como no filme. As gerações que se sucedem, a próxima redimindo a anterior, em meio ao amor e o ódio, em meio às perdas e reencontros, em meio a muitos erros e uns poucos acertos. Acertos que, ao que parece, serão sumariamente revogados. E me pergunto: quando vi o filme pela primeira vez, me sentia transformando em homem, senhor de meu destino. E hoje, quando será isso para o resto de nós?

    Quando nos sentiremos de novo senhores de nosso destino? Quando sentiremos novamente que estamos deixando de sermos crianças para nos tornarmos, de novo, Homens e Mulheres?

    Enfim, quanto tempo para recusarmos de novo que nos roubem os sonhos?

  2. Vânia

    22 de agosto de 2016 8:59 am

    Impedir barulho e vaias da
    Impedir barulho e vaias da torcida é imperialismo cultural, diz sociólogo americano

    http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37113720

  3. alexis

    22 de agosto de 2016 9:23 am

    Medalhas para Lula e Dilma

    O Brasil fez bonito. Rio melhorou e o Brasil melhorou, acordou hoje com merecidas medalhas no peito e com uma sensação gostosa de dever cumprido.  Os planos de incentivo para atletas impulsionados pelo Governo mostraram que há em cada brasileiro um atleta potencial, como tem sido evidenciado também pelos incentivos em educação universitária para pessoas que antes não tinham acesso. Há um Brasil ainda a ser descoberto, dentro de sim próprio, um Brasil ávido por medalhas e competência para ganha-as.

    A organização foi maravilhosa, os estádios ficaram surpreendentemente bons e a cidade de Rio de Janeiro emerge mais linda do que nunca. Os espetáculos da inauguração e do fechamento foram irretocáveis, de um bom gosto extraordinário. Encaramos qualquer parada, assim como fizemos com a guerra contra a miséria e a exclusão social.

    Brasil viu o seu povo planejando, organizando, fazendo e competindo com dignidade e beleza. Em compensação, o Brasil não teve ninguém que, na sua legítima representação, possa ter aberto e fechado os jogos em nome deste maravilhoso povo. O mundo viu um Brasil representado por todas as suas categorias, atletas, músicos, voluntários, belas mulheres e até o nosso sorridente “gari”, mas o mundo não viu alguém na representação desse povo dando o toque final a este maravilhoso trabalho de quase 7 anos. Bilhões de espectadores não conheceram o seu verdadeiro anfitrião. Os golpistas não tiveram nem a coragem de aparecer em nome de todos e, pior ainda, a mídia golpista não teve nem a decência de dizer que tudo isso é obra de Lula e Dilma. O primeiro, pela sua conquista de RJ como sede para 2016, e a segunda, pela sua capacidade de estruturar e montar este belo espetáculo.

    Enquanto o PIG escondia os verdadeiros pai e mãe desta olimpíada, alguns atletas vitoriosos de origem humilde sim lembravam e reconheciam. Enquanto as formalidades omitiam, todo o Brasil fez ventar no Rio na noite de ontem, assoprando tanto, que o vento remexia o papel que o Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Nuzman, tinha em mãos. O vento queria colocar Lula e Dilma naquele papel, driblando os protocolos golpistas. Quem sabe o próprio Nuzman não estaria, por dentro da sua alma, querendo gritar esses nomes.

    Faltaram essas medalhas, para Lula e Dilma, mas tenho certeza que no coração do povo eles sempre estarão, no alto do pódio, cantando com orgulho o grito de Ipiranga…

    1. Marly

      22 de agosto de 2016 12:43 pm

      A cidade maravilhosa…

      Ontem, aqui no Fora de Pauta, mencionei que minha cidade havia amanhecido chorando. Sim, chorava demonstrando tristeza através de uma chuva fininha e céu cinzento. Ah! minha cidade maravilhosa, você é sensível !  Mas descobri que além de sensível, você tem a coragem de se indignar!  E como não pode falar, chamou os ventos uivantes que gritavam toda a sua revolta ! E o que diziam os ventos uivantes? Diziam que era injusta a ausência dos PAIS da grande festa! Bradavam na sua voz que poucos entendem: FORA OS GOLPISTAS!  E a cidade mesmo assim não se conformou: O choro aumentou e suas grossas lágrimas molhavam os heróis olímpicos, tentatando dizer-lhes que era uma forma de tentar diluir a lama que sujava nosso país há algum tempo!  Que bom, minha cidade maravilhosa, descobrir que além da beleza, você possui a garra dos justos! Não às injustiças!  E, terminando, assim como o vento eu brado toda a minha indignação: FORA TEMER e VIVA DILMA!  

      1. Marly

        22 de agosto de 2016 1:13 pm

        E as coincidências do Sr.Destino…

        Quis o Sr.Destino que nossos atletas conseguissem  “13” medalhas!  Seria uma sutil homenagem aos pais das Olimpíadas?

  4. Edivaldo Dias Oliveira

    22 de agosto de 2016 12:26 pm

    Biblioteca Concreta
    Como

    Biblioteca Concreta

    Como instalar uma biblioteca, real, concreta em canto do país, quase de graça e num piscar de olhos.

     

    Por Edivaldo Dias de Oliveira

     

    E se fosse possível a cada pessoa dirigir-se a um determinado local pertinho da sua casa para retirar um livro impresso solicitado pela internet, seja de algum equipamento que já possua, do local de trabalho e ou estudo, e mesmo no local onde depois este livro vai chegar?

     

    Creio que se juntarmos a TI – Tecnologia da Informação com a logística atingiremos o objetivo proposto, que é espalhar milhares de bibliotecas por todos os cantos do país onde a população poderá retirar um livro e levar para sua casa, devolvendo depois no mesmo local de retirada. Este objetivo poderá ser atingido num tempo recorde e a custo zero para o poder público, creio.

     

    Onde estão as bibliotecas? Nas casas Bahia, Magazine Luiza, Ponto Frio, nas Agencias dos Correios, nas agencias bancárias, sindicatos, escolas púbicas e privadas e onde mais empresas se cadastrarem para tomar parte no projeto.

     

    Ainda não entendeu nada? Então vamos para a logística. Imagine um imenso galpão estrategicamente localizado do ponto de vista logístico, que permita a seu operador – pensei nos Correios, por que será? – efetuar o envio com rapidez para todos os cantos do país, caixotes contendo livros pedidos pela população. A pessoa não receberá seu livro em casa, mas em um dos locais listados acima, depois que ela fornecer o CEP residencial, do trabalho ou escola. Então um programa lhe indica o CEP mais próximo onde ela poderá retirar o livro solicitado.

     

    O programa também pode lhe indicar em que condições estão cada caixote de livros, se ela é a primeira solicitante, se está aguardando só mais um livro para fechar e partir e se tem algum caixote não tão próximo dela mas que já está de saída com o seu pedido.

     

    Fechado o pedido a pessoa fica sabendo de pronto quando estará na loja e também será comunicada por e-mail quando o livro de fato tiver chegado, bem como orientação sobre o prazo de devolução, como em qualquer biblioteca.

     

    De parte das empresas participantes, basta treinar um ou dois funcionários com princípios básicos de biblioteca, para receber, distribuir e depois checar e acondicionar os livros para devolução a Biblioteca Central. Qual grande empresa não gostaria de ligar seu nome a um projeto dessa envergadura, de levar cultura, conhecimento e saberes diversos aos povos dos quatro cantos do país?

     

    Agora vamos ligar as duas pontas, a logística e a TI e então é só multiplicar o número de estabelecimentos das grandes organizações envolvidas para que apareça, como num passe de mágica, uma quantidade de bibliotecas jamais vista em um tempo inimaginável.

     

    Não é de hoje que ando pelas ruas e onde muitos vêem eletrodomésticos e eletrônicos, sanduíches, dinheiro em máquinas, eu vejo livros sendo entregues a população.

     

    Basta desenvolver um programa, fazer o cadastramento, via internet, na Biblioteca Nacional, encontrar um local para montar a nossa Alexandria, que deve ser próximo  do Aeroporto de Guarulhos – Só é preciso um ponto de expedição e quem trabalha e conhece esse setor sabe que não há no país nenhum estado mais adequado para este tipo de operação que São Paulo – E pronto, está montada a maior rede de distribuição de livros que já se viu, e isso pode ser repetido em qualquer país do mundo.

     

    Tinha me esquecido do acervo. Uma semana de doações de livros entregues em todos os pontos mencionados e bem divulgada deve servir como um bom pontapé inicial.

     

    Mas…O livro impresso não é um objeto em extinção, com data de validade, aliás com validade vencida, em função do surgimento do e-book? Olha, não é que dizem os grandes especialistas do setor; Não são poucos os que não abrem mão de folhear, de passar o dedo pelas páginas de um livro. Eu por exemplo, tenho um e-book, que nunca folheei, minha filha mais velha é quem o usa, pois a mais nova, como eu, prefere o velho e bom impresso. De qualquer maneira essa minha proposta deve dar um novo e grande impulso ao produto, Afinal de contas ler é…é…Ah, sei lá…

     

  5. miope

    22 de agosto de 2016 1:33 pm

    Primeiro ministro do Japão

    Nassif,

    quando puder por favor, comente o papel do primeiro ministro Abe do Japão praticando diplomacia comercial para a Nintendo perante o planeta Terra no fechamento da Olimpíada, simplesmente vestido de Super Mario Bros!

    Se puder, compare com a visão de nosso profissionais de direito quando o mesmo é feito por aqui.

    Atenciosamente,

    M.

  6. Luciano Prado

    22 de agosto de 2016 1:46 pm

    Reportagem da Veja sobre
    Reportagem da Veja sobre Toffoli reflete briga entre justiceiros e Justiça

    http://www.conjur.com.br/2016-ago-20/reportagem-toffoli-reflete-briga-entre-justiceiros-justica

  7. Ze Guimarães

    23 de agosto de 2016 12:06 am

    A periferia dos Imperios

    A teoria das periferias dos Impérios

    Quase todas as periferias de todos os Impérios mundiais são e foram  marginalizadas, em todos os tempos.

    Na Roma Antiga, Catargo, foi destruída completamente, e seu solo salgado, para que nada crescesse lá.

    Na China, o Tibete teve seu território dominado pelo exército chinês, seus Templos destruídos.

    No Império Norte americano, a América Latina não deve esperar tratamento diferente. O Império não tolera que sua colônia, seu quintal, como eles nos acham possa ter a pretenção de concorrer com a Metrópole. Por isto eles agora estão cortando as asas do Brasil, destruindo sua indústria do Petróleo, pois não querem a mínima concorrência.

    Talvez, os EUA tolerem países de pequena população em suas fronteiras Imperiais, como o Canadá. Um país que não deseja chegar a ser um perigo para a hegemonia Norte americana, nem tem grandes pretensões, mas antes obedece a tudo o que o tipo Sam manda.

    Mas no caso do Brasil, que até tentou se aliar a China e Rússia, arqui inimigos no campo militar, dos EUA, eles não toleram em hipótese alguma.

     

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