4 de junho de 2026

O engessamento nos projetos de pesquisa e inovação

Por Júlio Calbek

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Comentário ao post “As questões propostas pela CGU e MEC para as IFES

Caro Nassif,

eu não sei qual a atividade do Adriano Bortoli, mas certamente ele nunca se envolveu e fundo em atividades de pesquisas universitárias envolvendo ou não as suas fundações de apoio. Estranhei também o comentarista não colocar as didáticas respostas da própria CGU.

Mas vamos aos fatos. Em dezembro de 2012 o ministro Raupp declarou em evento empresarial em Brasília algo do tipo: “Quem produz pesquisa e inovação no Brasil é o setor público. Quem materializa a pesquisa e a inovação para gerar riqueza é o setor privado. Precisamos de uma nova legislação para flebilizar a relação entre o público e o privado.” Isso é um dado da pesquisa e inovação no Brasil, goste-se ou não. Para quem não conhece, o ministro Raupp já tem muitos anos de serviços prestados à pesquisa brasileira, como pesquisador, como dirigente de instituto de pesquisa e como ministro. Não se trata de um aventureiro em busca de facilidades.

A cartilha da CGU e MEC (O MCT nem foi consultado), ao contrário do que preconizou o ministro Raupp, engessa ainda mais o que já era engessado. Os pesquisadores pedem maior flexibilidade nos projetos de pesquisa e inovação, algo que a CGU não permite.

O SICONV, que o amigo cita como o supra sumo do óbvio é retrabalho e faz exigências que um pesquisador não pode cumprir sempre em período 03 a 05 anos de duração de sua pesquisa. No meio da pesquisa pode ser interessante a entrada de um novo bolsista de doutorado, mas quem vai adivinhar isso antes? Aliás, o SICONV é tão inapropriado para a pesquisa que a FINEP (Fundação Pública) conseguiu ficar fora deste sistema.

Poderiamos citar centenas de barbaridades, mas vamos às últimas. A CGU agora quer transformar todos recursos dirigidos à pesquisa através das fundações em dinheiro público (Sic). Toda a indústria de celulares que investem algo em torno de cem milhões no Brasil por ano, verá seus recursos transformados em recursos públicos, com 8666 e toda a parafernália típica dos recursos públicos. É sustentável? Não! As empresas privadas começam a deslocar seus recursos para fora da universidade, em nome da CGU.

Já pensou se todas as compras, oriundo de recursos público ou privado do comentarista Adriano fosse submetido a 8666?

Ou será que o Adriano nunca leu um relatório de gestão da CGU? Você sabe que eles tem coragem de colocar no papel que um professor quando viaja para outro estado para participar de uma banca de tese sem nenhuma remuneração, ele pode ser notificado no relatório por ter tomado um sorvete no quarto de hotel por que (pasmem) sorvete não é alimento…..

Nassif, voce viaja a trabalho sem remuneração com frequência? Os pesquisadores sempre.

Caro Adriano, eu não conheço pesquisador rico, nem pesquisador com esquema de corrupção montado. As Universidade e suas fundações querem a flexibilidade que a pesquisa exige prestando contas de todas as suas atividades ao término dos projetos. Trinta anos após a discussão da nacionalização da indústria de informática e depois da criação de um mercado de informática com quase todas as marcas internacionais de computadores a venda no Brasil, os pesquisadores, mesmo quando usam computadores como instrumento de pesquisa, compram quase sempre computadores de fundo quintal, pela sábia lei do menor preço.

O texto de Pinguelli não é um dos mais felizes e suas comparações não são exatamente ilustrativas, errou na mão, mas o tema que ele levanta é uma discussão prioritária para as atividades da pesquisa e inovação no setor público, mas não só público, pois a sanha de alguns auditoes da CGU tenta transformar um orgão de controle que poderia ser bem vindo, em orgão legislativo, que inverte legislações e desrespeita a constituição. Que legisla ao arrepio da lei. Pior, não traz nenhuma preocupação com eficiência e prazos.

Por que um recurso Google aplicado em pesquisa nas universidades brasileiras com classe global, tem que ser submetido a lei 8666. Se você me responder isso a contento dá para começar a discutir….

Ou melhor, quem paga a bolsa dos pesquisadores são as empresas que estão interessadas na pesquisa. Por que um pesquisador vai trabalhar para a NOKIA, poderosa multinacional do setor, com uma bolsa igual a do CNPq de R$1.100 a R$1.200? Voto de pobreza e sacerdócio?

Adriano pode se inteirar melhor da realidade da universidade brasileira hoje…..

Saudações

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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