4 de junho de 2026

Sessão das Dez :O Homem que Queria Salvar o Mundo


Sergio Vieira de Mello o diplomata brasileiro que era comissário de Direitos Humanos da ONU um dos mais corajosos e carismáticos de sua geração. Um homem brilhante que tem a vida interrompida de forma trágica em um atentado terrorista no Iraque.
Documentário da HBO e BBC baseado no livro de Samantha Power. No filme, o cineasta Greg Baker mostra muito mais do que o trabalho profissional que tornou Mello conhecido. Além de pragmático e idealista, Sérgio também era carismático e complicado, amava a vida, bem como as mulheres, segundo Baker.
A vida de Sérgio Vieira de Mello foi tragicamente interrompida em 19 de agosto de 2003 em um ataque atribuído à rede terrorista Al-Qaeda. A explosão de um carro bomba no Hotel Canal em Bagdá, Iraque, onde funcionava a sede da ONU, matou 22 pessoas e feriu cerca de 150. O ataque, cujo alvo seria o brasileiro, foi considerado o mais violento realizado contra uma missão civil da ONU.
Cenas do caos instalado no local são mostradas no documentário, incluindo o desespero da companheira de Sérgio à época, a argentina Carolina Larriera. As tentativas de salvamento por parte de dois bombeiros americanos também foram captadas pela câmera. O professor norte-americano Gil Loescher ficou preso com Sérgio sob os escombros e teve as duas pernas amputadas para ser salvo. Antes que pudesse ser resgatado, o brasileiro morreu.
Não é só a vida de Vieira de Mello que é retratada no filme. A obra, vencedora do Festival de Filmes de Sundance em 2009, tem várias cenas que mostram as dificuldades de se trabalhar nas áreas mais vulneráveis do mundo. Como exemplo, “Sérgio” cita o choque cultural que pode existir entre os Estados Unidos e a ONU. De acordo com o filme, o país insiste que a organização deve ser fortalecida com tanques e outros equipamentos militares. Já a ONU não vê o fato como essencial e sim como um obstáculo à ajuda humanitária e outros serviços que fornece, ainda de acordo com o documentário.
Com ou sem acusações de responsabilidade, o filme não deixa de lamentar a perda de uma das figuras mais importantes durante as crises internacionais. Carioca da capital e filho de diplomata, Sérgio Vieira de Mello era o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados em Bangladesh, no início da década de 70.
O legado do diplomata é extenso. Com muita dedicação e empenho, apoiou a reconstrução de comunidades afetadas por guerras e violência extremas. Primeiro brasileiro a atingir o alto escalão da ONU, Sérgio atuou como negociador nos principais conflitos mundiais como Camboja, Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Ruanda e Líbano. Quando morreu no Iraque, estava cumprindo a mesma missão.
Tornou-se uma verdadeira lenda na comunidade internacional quando esteve no Timor Leste, onde provou que tinha a grande capacidade de resolver problemas, fosse em conexão com líderes mundiais ou pessoas comuns. “A pessoa certa para resolver qualquer problema”, afirmou Kofi Annan, lembrando ainda que Sérgio “era o único alto funcionário das Nações Unidas conhecido por todos pelo primeiro nome”. 
O filme traz ainda entrevistas com Carolina Larriera, Samantha Power e Gil Loescher, e declarações de Condolezza Rice, Tony Blair, do sobrinho André Simões e dos colegas da ONU Ghassan Salame, Shawbo Taher, Jeff Davie e Mona Rishmawi, entre outras pessoas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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