4 de junho de 2026

A ausência de centros de mediação política

E o quê tem credibilidade, hoje?

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A questão é SE as pessoas compram as mensagens subliminares transmitidas pelos jornais que são intercalados entre novelas (*). Eu acredito que não compram, mas se isso é pesquisado, não é comentado.

Em 2009 apareceu uma pesquisa Vox Populi (que recentemente teve PT como cliente para trackings e, especulo eu, talvez, pesquisas qualitativas) que dizia que a credibilidade da mídia para questões políticas andava pelos 50% e ainda estava em caminho decrescente (pela comparação com um ou dois anos anteriores). Lembro bem disso ter sido publicado pelo Viomundo.

De lá para cá… nada a respeito. Será que essa foi a única pesquisa feita ou foi a única que vazou?

A mídia não tem interesse em mostrar isso, por óbvio. Mas parece que a situação também não. De que modo a situação (governo e seus partidos) se aproveita disso?

Nada disso é ilegal, mas transparente também não é.

Desde +/- 2009 meus amigos tucanos não fingem mais acreditarem na grande mídia, apenas torcem para que o discurso tucano convença, mas sabem que não acontece isso. Em 2010 ainda tentavam mandar spams fake de propaganda, este ano não recebi simplesmente nenhum.

E Carta Capital e revistas políticas várias (Brasil Atual, Fórum, etc), ainda que em um nível incomparavelmente melhor de civilidade e de profundidade de análise, ou seja, não mentem e não distorcem no que publicam, não obstante exercem – e bastante – o direito à omissão.

Que o Brasil mudou, mudou. Mas o quanto é que são elas.

E duas vezes este ano busquei seguir links arquivados para rever matérias na blogosfera e… posts apagados (um era sobre Haddad elogiando o tal do kit, outro era uma crítica a Serra por este buscar apoio de Maluf.) Pelo menos a mídia impressa nunca se autodestrói, fica arquivada na Biblioteca Nacional.

De fofocas políticas, direito, teorias conspiratórias e de meandros assim não entendo. Também não sei o que falar sobre tecnologia e ecologia.

Mas o acompanhamento feito, tanto pela grande mídia como pela mídia alternativa, de assuntos como desenvolvimento econômico, séries históricas e antropologia (religiões, demandas LGBT, questões de gênero) é, ao meu ver, simplesmente desolador. (Como eu gosto de escrever, são as “ausências” que me inspiram.)

O que me faz desconfiar de tudo o mais.

E a Academia é soberbamente omissa e autorreferenciada, vivem em um Olimpo deixando os mortais se digladiarem.

Não há um veículo que possamos chamar de simultaneamente agregador, imparcial e holístico. A cada pessoa compete buscar se inteirar e analisar, não há nada facilitado. (E não é que este blog é o que mais se aproxima de algo ideal?)

[(*) Metade da população brasileira assiste novelas, é só um entretenimento, como qualquer outro. Só noto que a fraqueza atual da teledramaturgia é decorrente da falta temporária de boas estórias e, por consequência, do abuso no uso de personagens mitômanos. Ou será essa a estória?]

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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