4 de junho de 2026

Durante Olimpíada, crimes dolosos de militares serão julgados por militares

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Jornal GGN – Na quarta-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei de autoria de Esperidião Amin (PP-SC) que cria, durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, um foro especial para militares que comentam crimes dolosos contra a vida. O texto diz que, nestes casos, os militares serão julgados por um tribunal militar e não pelo Tribunal do Júri, como estabelece atualmente a lei. 

Para justificar o projeto, Esperidião Amin disse que é necessário garantir segurança jurídica aos militares que irão atuar nas operação de segurança durantes os Jogos do Rio. Já Ivan Valente (Psol-SP) critica o projeto e diz que ele é “uma espécie de licença para matar”. 

“O agente público está no estrito dever legal dele. Se for doloso, continua sendo um assassinato. Por que, então, vai ser julgado pela corporação?, questiona o deputado do Psol. 

A proposta de Amin não passou por nenhuma comissão da Câmara e foi colocado em votação após provação de requerimento de urgência feito pela chamada “bancada da bala”. Para realizar a segurança da Olímpiada, serão deslocados 23 mil militares para o Rio de Janeiro.

Da Rede Brasil Atual
 
 
Projeto não passou por nenhuma comissão da Casa e foi colocado em votação após aprovação de requerimento de urgência feito pela ‘bancada da bala’

A Câmara aprovou na noite de ontem (6) oProjeto de Lei 5.768/2016, do deputado Esperidião Amin (PP/SC), que cria um foro especial para militares das Forças Armadas que pratiquem crimes dolosos – quando há intenção – contra a vida, durante a Olimpíada no Rio de Janeiro, no mês que vem. Segundo o texto, nesse caso, os militares passarão a ser julgados por um tribunal militar e não mais pelo Tribunal do Júri (civil) como determina a lei atual. Para o deputado Ivan Valente (Psol-SP), “essa proposta é uma espécie de licença para matar”.

Na justificativa do projeto, Amin defende que é preciso garantir segurança jurídica aos militares que atuam nessas operações, algo que não estaria garantido pelo Decreto-Lei 1001, de 1969. “Estando cada vez mais recorrente a atuação do militar em tais operações, nas quais, inclusive, ele se encontra mais exposto à prática da conduta delituosa em questão, nada mais correto do que buscar-se deixar de forma clarividente o seu amparo no projeto de lei”.

Valente discorda. “O agente público está no estrito dever legal dele. Se for doloso, continua sendo um assassinato. Por que, então, vai ser julgado pela corporação?”, questionou. O deputado ressaltou que em outros grandes eventos, como a ECO92 e a Rio+20, os militares estiveram nas ruas, houve manifestações, e não foi preciso um tribunal especial para garantir a atuação das Forças Armadas.

O projeto não passou por nenhuma comissão da Casa e foi colocado em votação após aprovação de requerimento de urgência feito pela chamada “bancada da bala”, que reúne parlamentares ligados à forças de segurança. Único parecer emitido, na própria votação, foi do deputado Julio Lopes (PP-RJ) pela Comissão de Constituição e Justiça, que determinou validade ao projeto: 31 de dezembro deste ano. “Essa situação é transitória em função da realização das Olimpíadas e Paraolimpíadas, e do maior deslocamento militar já feito no Brasil”, argumentou.

Pelo projeto, será julgado por tribunal militar qualquer crime doloso praticado contra civil, por um militar do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica, no cumprimento “de atribuição que lhe forem estabelecidas pelo Presidente da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa”, ou em ação que envolva a segurança de instituição, missão ou atividade militar. Nesse pacote se inclui a segurança da Olimpíada no Rio, tanto no enfrentamento a um ato terrorista como a manifestações sociais (distúrbios civis).

Serão deslocados 23 mil militares ao Rio de Janeiro durante a Olimpíada. O projeto que remete para a Justiça Militar o julgamento dos crimes dolosos contra a vida cometidos por militares contra civis durante as Olimpíadas segue para análise do Senado.

 

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4 Comentários
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  1. André Oliveira

    8 de julho de 2016 4:20 pm

    Que insegurança jurídica
    Que insegurança jurídica poderia haver em um julgamento por um tribunal civil regular?
    Ao contrário, a insegurança se instala justamente quando o julgamento ocorre em um tribunal de exceção como o militar. A intencao ai parece outra.

    1. Almeida

      8 de julho de 2016 4:40 pm

      Leia-se: Licença para Matar.

      Esta é a real intenção. O autor foi prefeito biônico durante a ditadura, lambeu coturno e não perdeu o cacoete de origem.

  2. ia2

    8 de julho de 2016 7:09 pm

    Colocar soldado pra fazer

    Colocar soldado pra fazer serviço de polícia dá é nisso. A lógica do soldado é aquela para o qual foi treinado, a da guerra e a do inimigo. Primeiro vc ataca e tenta destruir, dialogo só ocorre quando o inimigo levanta bandeira branca e apresenta os termos da rendição. É natural que homens assim queiram ser julgados pelos que os treinaram. Soldado conhece NORMAS DE ENGAJAMENTO.

  3. Andre B

    9 de julho de 2016 7:16 pm

    Não votem!

    Esta sendo difundida a informação que as forças militares permanecerão no Rio para as eleições de outubro. CAso isso se confirme as pessoas de esquerda deveriam boicotar as eleições, pois eleição sob intervenção militar é uma farsa. Quem for votar estará compactuando com essa situação. Eu diria que os candidatos de esquerda, nessas circunstancias deveriam retirar suas canditaduras e não participar de um pleito sob intervenção militar. MAs não tenho absolutamente nenhuma esperança que qualquer um dos pré-candidatos de esquerda tenha coragem e princípios para tomar essa atitude.

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