21 de junho de 2026

O jurado das notas zero do Prêmio Jabuti

Por Dario C Lenza

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Da Folha

Crítico tido como severo é jurado ‘C’ do Jabuti

Colunista de jornal do PR, Rodrigo Gurgel garantiu vitória a iniciante

Coordenador do prêmio e jurado não confirmam nem negam informação apurada pela Folha; júri será divulgado em 28/11

PAULO WERNECK

EDITOR DA “ILUSTRÍSSIMA”

O jurado “C” do Jabuti 2012, que causou controvérsia ao atribuir notas extremamente baixas a favoritos, levando um autor iniciante a ganhar o prêmio principal da categoria romance, é o crítico e editor Rodrigo Gurgel, segundo a Folha apurou.

A Câmara Brasileira do Livro, organizadora do prêmio, não endossa a informação, mas também não a nega.

Por e-mail, Gurgel disse à Folha que não se pronuncia sobre o prêmio -por contrato, os jurados não podem se manifestar até a premiação.

“Nihonjin”, de Oscar Nakasato, desbancou “Infâmia” (Alfaguara), de Ana Maria Machado, que provavelmente levaria o prêmio caso as regras não tivessem mudado.

Até 2012, a nota mínima que os jurados podiam dar era 8. Gurgel deu duas notas 0 e um 0,5 a Ana Maria e três 10 a Nakasato, catapultando-o ao primeiro lugar.

Ele também deu boas notas para “Naqueles Morros, Depois da Chuva”, de Edival Santana (2º lugar) e a Chico Lopes (3º, com “O Estranho no Corredor”). A estratégia garantiu os primeiros lugares a nomes de fora do “mainstream” literário e de grandes editoras, à exceção de Nakasato, “outsider” editado pela Benvirá, do grupo Saraiva.

Além de ter decidido a parada na final, Gurgel também votou na primeira fase, que filtrou os dez finalistas.

Paulista, colaborador do jornal literário “Rascunho”, do Paraná, e da revista eletrônica de crítica e poesia “Sibila”, Gurgel é notório pelo rigor com que resenha autores contemporâneos e clássicos.

No recém-lançado “Muita Retórica, Pouca Literatura – De Alencar a Graça Aranha” (ed. Vide), Gurgel não poupa autores canônicos como Raul Pompeia e Machado de Assis.

Além de “machadismos” que “por vezes” dão “tom pernóstico” a “Dom Casmurro”, ele aponta “certo eruditismo repleto de amor pelas citações”, “vezo de odor quiçá brasileiro, subdesenvolvido”.

Em resenha do livro, a pesquisadora Marisa Lajolo o define como “leitor rigoroso, de dedo em riste e olhar severo”.

O regulamento é extremamente restritivo quanto à escolha de jurados: eles “não poderão ter vínculo com editora ou obra inscrita em qualquer categoria do Prêmio”.

Procurado pela Folha, Gurgel respondeu por e-mail na segunda: “Agradeço por sua atenciosa mensagem, mas não me pronuncio sobre o Jabuti. Em relação a esse tema, por favor, procure a CBL”. No livro, Gurgel diz ter sido jurado em 2009, 2010 e 2011.

Indagado sobre se Gurgel é o jurado “C”, o coordenador do prêmio, José Luiz Goldfarb, não confirma nem desmente: “A identidade só será revelada no dia 28/11”, disse, citando o regulamento.

Frederico Barbosa, do conselho curador do prêmio, disse à Folha que “o regulamento foi seguido ‘ipsis litteris'” e será seguido com a revelação do júri na data prevista.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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