4 de junho de 2026

A falta que Tim Maia faz

Por Andre G de Paula Eduardo

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Uma dica para o clipping (ainda que  fora de lugar): Tim Maia completaria 70 anos, dia 28 último. Bom texto do Régis Tadeu.

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Que falta faz Tim Maia na música brasileira…

Por Regis Tadeu

Ele foi muitos em um só: um fanático por soul, funk — do verdadeiro funk, é sempre bom lembrar! — e rock que mudou completamente a cara da música brasileira em geral; um trapaceiro que nãopensava duas vezes na hora de se dar bem em cima das pessoas que o rodeavam; um sujeito dotado de uma inteligência acima da média para certas coisas e de uma burrice atroz para outras; um verdadeiro “sacerdote do politicamente incorreto” quando o termo sequer existia; engraçadíssimo e furioso em momentos certos e errados; um malandro típico dos subúrbios cariocas; um cara repleto de vícios e manias; um gigante de corpo com a alma carente de uma criança abandonada; uma voz reconhecida até mesmo nos mais longínquos confins da galáxia. Tudo isto foi Tim Maia. Isto e muito mais…

Poucas pessoas foram tão exuberantemente musicais como Tim Maia. Talvez só Hermeto Pascoal seja um concorrente à altura. E justamente tal qualidade o levou a se transformar em uma das figuras mais emblemáticas da história da música brasileira, a ponto de ter influenciado de maneira até então inimagináveis artistas que aparentemente nada tinham a ver com ele, como o próprio Roberto Carlos, a quem ele havia sacaneado anos antes quando eram jovens integrantes de um grupinho chamado Sputniks. Dê uma ouvida em canções como “Não Vou Ficar” e outras que foram incluídas no discoRoberto Carlos (1969) — é, aquele cuja capa traz o Rei da Jovem Guarda sentado na praia – e perceba como Tim, mesmo sem querer, fez a cabeça do cara.

Tim fez discos geniais — a série de discos que gravou de 1970 a 1978 é quase irrepreensível — e outros que são verdadeiras porcarias, como quase tudo que ele lançou a partir da segunda metade dos anos 80. Mas mesmo nestes discos pavorosos era possível pinçar dois ou três momentos do brilho de outrora. Até mesmo quando esteve doido de pedra — lembra de sua “fase mística”, quando ingressou em uma seita maluca chamada “Cultura Racional”? —, Tim foi capaz de lançar discos brilhantes em termos de arranjos, os famosos “Racionais 1 e 2″.

Além disto, Tim foi o primeiro cara a peitar as gravadoras multinacionais e os escritórios de arrecadação de direitos autorais, chegando ao ponto de não apenas montar a sua própria gravadora — a Vitória Régia Discos — como também criou a sua própria editora, a Seroma, se tornando então o primeiro artista genuinamente independente do Brasil. Uma atitude que, anos mais tarde, influenciou grande parte da classe artística a fazer o mesmo.

Para finalizar, uma dica: hoje, sexta-feira, dia 28 de setembro — dia que Tim completaria 70 anos de idade se estivesse vivo – é um bom momento para você ouvir os discos que ele fez e ler – ou reler –Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, escrito de modo delicioso por Nelson Motta. Você vai tomar contato com os muitos sujeitos que descrevi no início deste texto. E todos eles moravam dentro daquele imenso corpo que se chama Sebastião Rodrigues Maia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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