A um mês das eleições municipais, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), criticou o ritmo da expansão do transporte sobre trilhos no Estado num artigo que causou desconforto no Palácio dos Bandeirantes e entre aliados do governador Geraldo Alckmin.
Publicado na Folha ontem, o texto afirma que “São Paulo está no atraso em matéria de trilhos” em comparação com outras metrópoles.
No artigo, o vice-governador diz que a malha da CPTM (Companhia de Trens Metropolitanos) está “dependente de modernização” e que a do Metrô “é insuficiente para atender à demanda”.
“Existe um grande esforço por mais investimento, mas há uma disparidade entre os dois sistemas”, diz. “Isso mostra um descompasso no planejamento e execução do transporte público.”
Aliados de Alckmin consideraram o momento “inoportuno” para a crítica, já que transporte é um dos grandes temas da eleição na capital –o PT chegou a cunhar o termo “apagão nos transportes” para falar do setor.
Houve ainda um incômodo porque o PSDB, partido de Alckmin e de José Serra, que disputa a prefeitura este ano e já foi governador, comanda o Estado desde 1995.
Tucanos interpretaram que as críticas enquadram as sucessivas gestões do PSDB, e voltaram a questionar a parceria com Afif e o prefeito Gilberto Kassab, de quem o vice-governador é aliado.
Afif é responsável pela implementação de PPPs (Parcerias Público-Privadas) no governo e vem defendendo a adoção do modelo para acelerar a expansão dos trilhos.
Para ele, o texto não traz críticas, mas “constatações”. “É uma análise. Trazer a PPP para os trilhos é uma proposta de ação. Podem discordar. Quero o debate”, afirmou.
No texto, ele cita a presidente Dilma Rousseff (PT). Diz que ela anunciou a construção de 10 mil km de ferrovias pela iniciativa privada. “Essa é a chave para o desenvolvimento paulista”, arremata. Afif rechaçou motivação política. “É querer achar pelo em ovo.” (DANIELA LIMA)
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