Com todas as restrições legais impostas pela lei no Brasil (sobretudo a obrigação de que vários nanicos sejam convidados), a regra básica para políticos em debates na TV é simples: entrar para empatar ou para não perder. Até porque é muito difícil alguém ganhar votos nesses encontros. A vitória fica com quem sai do mesmo jeito que entrou.
O que era esperado entre os oito candidatos à Prefeitura de São Paulo que participaram do debate organizado pela Folha e pela RedeTV! eram ataques generalizados aos dois políticos que mais se fortaleceram nas pesquisas nas últimas semanas, Celso Russomanno (PRB) e Fernando Haddad (PT).
Mas eles acabaram sendo os quem mais conseguiram evitar demonstrar irritação, esquivando-se das armadilhas feitas pelos adversários.
No meio de uma pergunta sobre o mensalão para Haddad, coube a Russomanno fazer observações. “Não quero comentar ataques pessoais.”
Haddad foi pressionado a falar sobre sua aliança com o PP, do ex-prefeito Paulo Maluf. Não passou recibo e disse que não faz política fulanizando: “Quem tem de explicar o apoio é quem deu”.
Já outros dois candidatos de partidos com grande tempo de TV, José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB), entraram em um bate-boca logo no início. Um chamou o outro de mentiroso, ainda que de forma oblíqua.
Em embates dessa ordem na TV, há também uma regra clássica: evitar ataques pessoais. Criticar um adversário acaba tendo, às vezes, o efeito inverso ao desejado.
Num dado momento, Serra quis dar uma estocada ao comentar uma fala de Russomanno. Disse que o presidente do PRB, Marcos Pereira, era da Igreja Universal e não um “católico fervoroso”, a menos que tivesse ocorrido uma conversão. O tucano se enganou: Russomanno havia mencionado o ex-presidente José Alencar (1931-2011).
A derrapada de Serra foi mais engraçada do que corrosiva para o tucano. Mas ele, aos 70 anos, é o candidato com a idade mais avançada. Luta para parecer demonstrar vigor. De maneira subliminar, emitiu um sinal oposto.
É difícil cravar quem foi o vencedor. Mas é fácil dizer quem não ganhou.
Os nanicos não se destacaram. Serra, que luta para estancar sua queda nas pesquisas, tampouco teve um desempenho excepcional. E o tucano também soltou uma frase emblemática, talvez premonitória: “Ganhar ou perder eleição não melhora nem piora as pessoas”.
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