4 de junho de 2026

Custos industriais tem menor ritmo de alta no começo do ano

Variação foi afetada pela menor expansão do custo com bens intermediários

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Jornal GGN – O Indicador de Custos Industriais aumentou 2,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre de 2015, de acordo com pesquisa elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No último trimestre de 2015 a expansão do indicador havia sido de 3,2% em relação ao terceiro trimestre daquele ano.

Segundo o levantamento, a desaceleração na expansão dos custos no começo de 2016 se deve em grande parte à menor intensidade de crescimento do custo com bens intermediários, que apresentou expansão de 1,1% no trimestre. O custo cresceu abaixo da média dos custos industriais, por conta da retração no custo com intermediários importados (-1,9%). Cabe  ressaltar que a redução desse último indica quebra na tendência de alta, que já ocorria há seis trimestres.

A valorização do real em relação ao dólar, verificada no fim do trimestre, contribuiu para a perda de competitividade da indústria brasileira no mercado doméstico e no mercado externo. Enquanto os custos industriais subiram 2,2%, o preço dos bens manufaturados importados em reais caiu 2,3% e o preço dos manufaturados nos Estados Unidos permaneceu constante.

Por outro lado, o aumento registrado ante o quarto trimestre de 2015 foi puxado pela alta de 8,7% nos custos com energia, de 5,7% nos custos com capital de giro e de 4,2% no custo tributário. O custo tributário recuperou nos primeiros três meses do ano 4,1 pontos dos 4,4 pontos que havia perdido no quarto trimestre de 2015.

No caso do custo com capital de giro, o aumento apurado no período deu continuidade ao processo de alta visto desde o terceiro trimestre de 2014 acompanhando as sucessivas elevações da meta da taxa básica de juros. “No entanto, a partir do terceiro trimestre de 2015, a meta da taxa básica de juros parou de crescer, mas a taxa de juros de capital de giro permaneceu em trajetória ascendente”, explica a CNI. “Isso pode ser consequência da crise econômica, na medida em que a situação financeira das empresas se deteriora e aumenta o risco de inadimplência em empréstimos bancários”.

O custo com bens intermediários caiu 1,9% sobre o trimestre anterior, devido à combinação de menores preços de bens intermediários importados em dólar, e da pequena valorização do real no final do primeiro trimestre. De acordo com a pesquisa, “essa redução interrompe uma sequência de seis trimestres de crescimento, que se deve, principalmente, à desvalorização do real durante 2015”. A redução do custo com intermediários importados, em conjunto com um menor crescimento do custo com intermediários domésticos (1,7% em relação ao trimestre anterior) resulta em uma perda de ímpeto no crescimento do custo total com bens intermediários.

No primeiro trimestre de 2016, a indústria, em média, conseguiu repassar para os preços dos produtos o aumento de custos sofrido no trimestre, o que indica estabilidade na margem de lucro em relação ao último trimestre de 2015.  A confederação ressalta que, durante o ano de 2015 a margem de lucro da indústria foi pressionada, de modo que esta situação se mantém. “O aumento de 2,2% nos custos industriais frente a uma queda de 2,3% no preço dos bens intermediários importados, em reais, resultou em perda de competitividade da indústria no mercado doméstico no primeiro trimestre”, diz a pesquisa.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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