4 de agosto de 2026

Monetarismo retorna ao debate do Fed, mas críticos questionam teoria que perdeu espaço

Artigo de James K. Galbraith critica a retomada do monetarismo no Federal Reserve e afirma que oferta de moeda não explica inflação de forma confiável
Fachada do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA. Foto: Flickr Federal Reserve

Três economistas, incluindo ex-Fed e ex-governo Trump, defendem atualização do monetarismo com índice Divisia.
Kevin Warsh, novo presidente do Fed, é citado na disputa sobre transparência e uso de indicadores monetários.
Críticas ao monetarismo destacam instabilidade da velocidade da moeda e dificuldades na medição da inflação.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A disputa sobre os rumos da política monetária americana ganhou um novo capítulo com a defesa de uma versão atualizada do monetarismo por três economistas influentes, entre eles um ex-integrante do governo Donald Trump e um ex-dirigente do Federal Reserve.

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Em artigo publicado pelo Project Syndicate, o economista James K. Galbraith afirma que a tentativa de recuperar a chamada “teoria quantitativa da moeda” representa o retorno de uma abordagem que já demonstrou limitações práticas na condução da política econômica.

A proposta defendida por Peter Ireland, Stephen Miran e Nouriel Roubini busca recuperar princípios associados ao economista Milton Friedman, um dos principais formuladores do monetarismo, mas adaptados a instrumentos atuais, como o índice Divisia — uma forma de medir a oferta de moeda considerando diferentes graus de liquidez dos ativos. O documento publicado pela gestora de investimentos Hudson Bay Capital (onde Miran e Roubini trabalham como estrategistas seniores) teria como objetivo oferecer ao Federal Reserve uma referência adicional para avaliar pressões inflacionárias.

Para Galbraith, porém, o problema central permanece: a velocidade da moeda continua instável, dificultando prever a relação entre dinheiro disponível e inflação; e os indicadores tradicionais de inflação podem misturar fenômenos diferentes, como aumento de preços de ativos e inflação de bens recém-produzidos.

O papel do novo presidente do Fed

O debate ganha relevância porque envolve Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, que estudou Milton Friedman durante sua formação acadêmica. Segundo Galbraith, Warsh estaria correto ao reduzir o excesso de comunicação pública do Fed, mas não deveria transformar a instituição em uma seguidora de indicadores monetários.

O economista defende que o banco central deveria prestar contas ao Congresso e reduzir a dependência de orientações detalhadas ao mercado. Na sua visão, a transparência não deve significar que o Fed tente controlar expectativas por meio de declarações constantes, mas que mantenha maior responsabilidade institucional perante representantes eleitos.

O retorno de uma velha disputa econômica

O monetarismo ganhou força principalmente a partir dos anos 1970, em meio ao cenário de inflação elevada nas economias desenvolvidas. A ideia central da teoria é que o crescimento excessivo da oferta de moeda provoca aumento generalizado de preços.

A lógica monetarista é que, se a quantidade de moeda cresce mais rapidamente que a produção, a inflação tende a aparecer. O problema, argumenta Galbraith, é que essa equação depende de uma variável fundamental: a velocidade da moeda, uma variável que Galbraith diz não ser constante.

O fracasso da experiência Volcker

O principal teste do monetarismo ocorreu durante o comando de Paul Volcker no Federal Reserve, no início dos anos 1980. Diante da inflação elevada, o Fed tentou controlar diretamente o crescimento dos agregados monetários – uma estratégia que provocou forte aperto monetário, recessão e aumento expressivo do desemprego.

Com o tempo, o banco central americano abandonou o controle direto da oferta de moeda e migrou para um modelo baseado principalmente na definição das taxas de juros de curto prazo e na comunicação com os mercados. Esse modelo se consolidou no chamado regime de metas de inflação.

O ponto mais atual da crítica de Galbraith está relacionado ao episódio inflacionário após a pandemia de Covid-19: defensores do monetarismo argumentam que o forte aumento da oferta de moeda provocado pelos programas de estímulo contribuiu para a inflação de 2021 e 2022.

Galbraith contesta essa interpretação. Segundo ele, parte importante da alta de preços daquele período ocorreu em ativos já existentes, como imóveis e veículos usados, que não deveriam ser tratados da mesma forma que a inflação de bens e serviços produzidos naquele momento. Para o economista, houve uma dificuldade conceitual em medir a própria inflação.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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