Um dos vícios mais deletérios do jornalismo contemporâneo é o jornalismo-sela: aquele em que o jornalista se deixa cavalgar pela fonte. Foi esse recurso, humilhante para a profissão, que marcou boa parte da cobertura da Lava Jato.
É hora de os leitores — e, sobretudo, a própria categoria — aprenderem a separar o verdadeiro trabalho de reportagem dessa praga oportunista.
A diferença é elementar.
O repórter reúne indícios, procura documentos, cruza informações, ouve versões conflitantes, constrói raciocínios e procura os elos capazes de conectar a cadeia dos fatos. A fonte é matéria-prima, jamais dona da pauta.
A independência jornalística não consiste em não ter opinião. Consiste em não entregar a terceiros — procuradores, policiais, ministros, políticos, empresários, advogados ou assessores — o direito de decidir o que é verdade e o que merece ser notícia.
Fazer jornalismo significa receber as informações com o mesmo ceticismo que todo repórter deve dedicar ao material fornecido por uma fonte interessada; ouvir o contraditório; conferir documentos; checar fatos, versões e fundamentos; e, só então, publicar.
O jornalista-sela faz o contrário. Recebe a versão pronta, monta nela e sai a galope. Pratica um subjornalismo a serviço de interesses alheios: sem filtro, sem ceticismo e, frequentemente, sem pudor.
Lembro-me de um evento promovido por Audálio Dantas, em Tiradentes, para discutir a cobertura da operação Lava Jato. O primeiro dia ficou a cargo da Abraji — Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo —, que se transformou em repassador de releases, e teve Miriam Leitão como a guru do grupo no evento. Fui convidado a falar no segundo dia.
Expus minhas ressalvas à cobertura, especialmente à transformação de tantos jornalistas em meros repassadores de releases e vazamentos da Lava Jato. Uma das fundadoras da Abraji — já aposentada, mas consagrada como repórter investigativa — perguntou-me:
— O que você faria se estivesse no comando da cobertura?
Respondi:
— O óbvio: faria jornalismo.
Mas o jornalismo estava irremediavelmente cego. Deixou de fiscalizar a operação para funcionar, em grande medida, como seu braço de divulgação. E acabou servindo não apenas a métodos posteriormente questionados e invalidados pela Justiça, mas ao próprio processo de desconstrução da democracia brasileira.
O jornalismo-sela, portanto, não foi apenas um vírus oportunista, alimentado por vazamentos seletivos, versões interessadas e interpretações duvidosas. Tornou-se peça ativa no processo de desestabilização política do país.
Um exemplo recente foi a exploração inicial dos vazamentos do caso Master e, particularmente, a cobertura envolvendo Fábio Luiz. Jornalisticamente ridícula e politicamente perigosa, ela produziu semanas de cobertura abjeta: informações irrelevantes eram repetidas incessantemente até adquirirem, pelo simples efeito da repetição, uma importância que os fatos não lhes conferiam.
É uma velha técnica de fabricação de relevância: quando não se tem um fato grande, repete-se um fato pequeno até que ele pareça grande.
O problema é agravado pela extrema mediocridade das atuais direções de jornalismo dos grandes jornais, sempre prontas a embarcar na onda do concorrente. Bastava uma informação irrelevante virar manchete em O Globo para que Folha e Estadão corressem atrás, não para verificar se havia notícia, mas para não parecer que estavam perdendo uma.
Forma-se assim uma espécie de cartel da irrelevância: um veículo legitima o outro, a repetição substitui a apuração e o volume da cobertura passa a ser apresentado como prova da importância do fato.
É justamente aí que o jornalismo deixa de ser contrapoder e se transforma em instrumento de poder.
Fonte não é verdade. No máximo, fornece pistas. Vazamento não é investigação, é o início do processo. E jornalista não nasceu para ser sela. E ser sela não é fazer jornalismo.
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André Teixeira César
12 de setembro de 2026 4:15 pmO “grande irmão” e como impedi-lo de destruir você
Martinho Lutero, um ex-católico, se rebelou contra as indulgências oferecidas pelos servidores do papado por suas características de comercialização que trocavam perdões por dinheiro e/ou diversas vantagens materiais para o enriquecimento do clero (consta que à revelia do Papa da ocasião que, ao descobrir, tomou providências…). O indignado, então, fundou a sua própria denominação religiosa, e desde o Século XVI, surgiu a Igreja Luterana que, de forma bem típica de autoconfiante, refere-se ao sobrenome do ex-monge revoltado. A partir de então, ficou fácil para outros aproveitarem a mesma ideia e deslanchar as divisões, as subdivisões e a proliferação de mais e mais e mais grupos que decidem ter as suas próprias igrejas em protestos contra os entendimentos bíblicos antagônicos entre umas e outras chegando à atualidade mostrando ser um excelente negócio para arrecadação de dinheiro e para o enriquecimento das cúpulas dos seus “cleros” autodenominados bispos, pastores, e, pasme, até apóstolos.
O “Catolicismo” acolhe como sua referência ética o, tido como o seu fundador, Jesus Cristo (“Cristo” é palavra em grego que significa Ungido – com o óleo sagrado para uma missão Divina) dos textos de “O Novo Testamento”, no qual “O Messias” (“Cristo” em hebraico…), por cautela de saber com quem lidava, disse respeitar os ensinamentos antigos e sem anulá-los, oferece, Ele mesmo, novas propostas de ideias e ideais, entre elas “o absurdo” de “aquele que estiver livre de pecados que atire a primeira pedra.” Isso explica um dos motivos para a queda no número de fiéis que seguem as orientações do Vaticano e ampliam os que preferem estar em alguma das outras denominações religiosas que privilegiam o “Antigo Testamento” no qual o “Nazareno” ainda estava ausente e sem esse tipo de constrangimento que deixaria inúmeros desses que se dizem “cristãos” com suas pedras nas mãos. Estar onde podem reinterpretar as “Palavras Do Salvador”, é mais confortável, para as suas certezas de que “Ele está pedindo demais” e que atiram todas as pedras sem qualquer sentimento de culpa, mesmo cometendo todas as infrações idênticas aos acusados que recebem as suas pedradas, protegidos pelos seus iguais que fundam suas próprias igrejas nas quais comercializam a fé e acumulam riquezas em dinheiro para as cúpulas dos seus “cleros”… Ampliando suas ganâncias, seguem, sem limites morais, decididos a subjugar cada vez mais populações aos seus conceitos questionáveis e almejam conquistar mais poderes que lhes permitam dominar pela força e, no auge, apedrejar você sem que você possa se defender.
Ainda dá tempo para barrá-los. Exceto, é claro, que você queira submeter-se à distopia de ser vigiado/vigiada, o tempo todo por “teocratas” – na verdade, espertalhões – dedicados a rechaçar os seus argumentos civilizados impondo, por exemplo, a obrigação de obediência absoluta a um, famigerado, “grande irmão mitológico” farsante.
Aaaahhh…! Que viagem na maionese! “Tá” doidão? Que papo mais maluco! Até parece que esse tipo de coisa já aconteceu em algum momento! “Cê tá” viajando! Vai querer me convencer que é possível um grupo de má índole comandar toda uma população para acreditarem totalmente em “líderes” perversos, cruéis, capazes de fazer fogueiras com livros e obras de arte, exterminar pessoas acusadas de crimes inexistentes, além de criarem grupelhos paramilitares com ordens para intimidar você caso rejeite obedecê-los ao mandarem que torne-se um deles ou será castigado; e passados alguns anos, depois de serem levados à uma grande guerra, descobrirem que foram enganados por aqueles “líderes tão simpáticos e confiantes?” “Cê tá muuuuiiiiiito doiiiidoo, sô!” Só falta querer me convencer que esse tipo de coisa aconteceu no mesmo lugar onde surgiu o tal do “protestantismo”. “Tu tá malucão?”
É óbvio que você tem toda a liberdade para desconfiar de mim e para acreditar nos “impolutos degenerados fascistoides”, pelo menos enquanto ainda estão limitados pelas garantias democráticas que eles querem extinguir.
Prestar atenção e conhecer a história ajuda a entender o que eles querem. Rejeitá-los é uma escolha que corre o risco de deixar de ser possível se eles conquistarem mais poderes.
Recomendo contribuir para afastá-los de quaisquer chances de obterem sucesso.
(Todas as citadas organizações religiosas são governadas e geridas por homens e mulheres, pessoas com suas personalidades individuais e os casos de criminosos entre os seus membros afetam, aleatoriamente, várias delas. Punições costumam receber ampla divulgação e vale tanto para a Católica quanto para as protestantes e para uma imensa quantidade de outras vertentes ou inovações que se espalham por todos os cantos. Incentivar a “cruzada santa de um novo herói nacional” é cair em mais um golpe dos fanáticos que avançam sem receio porque aprenderam que é fácil passar por cima de quem acredita em respeitar os escrúpulos. Ele só precisa dizer que “o deus dele está no comando”, afinal, é proibido desconfiar que esse “deus dele” é um tanto seletivo e tem dificuldades de entender que salvar as crianças atingidas por guerras, massacres e desastres deveria ser a prioridade. Ao contrário, opta por se dedicar a ser usado como garantidor da honestidade de hordas de profissionais da enganação. Portanto, é importante manter a laicidade do Estado e continuar separadas as atividades e as responsabilidades: “Dê a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.” Ou, como diz o famoso refrão popular da autora, cujos nomes têm as iniciais S e A: “Ado-a-ado, cada um no seu quadrado.”).
O “grande irmão fajuto” já está em ação e você pode mostrar-lhe que sabe como se livrar dele e dos seus cúmplices do horror: impor a derrota dos fascistoides.
ATC 12-09-26
José Carlos de Barros Rodrigues
12 de setembro de 2026 7:17 pmO “jornalista”-sela não teria sucesso “profissional”, não fosse criatura dos donos das mais variadas mídias. Temos exemplos de sobra – e de longa data – nos jornais, nas revistas, nas rádios e nas televisões. Depois de frequentarmos tantas janelas abertas para o mundo editorial, fica muito claro que tudo não passa de conluio descarado entre os proprietários, direções, editorias, redações e os “meninos” doutrinados desde focas. É o que chamam de “posicionamento editorial”. Cá, no capitalismo selvagem, sabemos como a roda gira. Pobres leitores, ouvintes e/ou telespectadores, maioria propositalmente formada historicamente sem o menor discernimento político e social, o que explica o imenso sucesso das “redes sociais” e seus fake news.
+almeida
12 de setembro de 2026 8:58 pmPior ainda é quando se forma um Clã do jornalismo hiena. Um Clã que, em grupo, cerca a sua vitima e ataca de acordo com a espécie de ordem unida recebida e acordada. Um Clã que parece acreditar fielmente em sua imunidade de fazer tudo o que quiser com a sociedade, mesmo sabendo do risco de estar cometendo uma grave infração ao desvirtuar conscientemente os fundamentos e os limites legais da lei da imprensa, que possui liberdade, mas jamais deverá receber impunidade ao provocar o desvio indevido e extrapolar os limites que lhes são claramente imputados. Basta do jornalismo tendencioso, parcial, seletivo, interesseiro, vergonhoso e totalmente desonesto com o seu próprio código de ética.
Jicxjo
12 de setembro de 2026 11:26 pmOutra praga é o jornalismo declaratório, uma forma preguiçosa de apresentar notícias. Ouve um lado, ouve outro, equipara ambos e joga assim mesmo a notícia ao público, sem apurar as declarações, deixando ao gosto do freguês escolher em qual “acreditar”.
Marco Paulo Valeriano de Brito
13 de setembro de 2026 1:18 pmO editorial do Estadão (Jornal O Estado de São Paulo) de hoje (13 de setembro de 2026), não só é irritante e nojento, mas passou de todos os limites da arrogância e da prepotência, dentro da expectativa do direito à liberdade de expressão, que não é infinita e requer responsabilidade, ao dizer que, “não queremos o Lula Presidente do Brasil”, como se esse jornaleco da imprensa corporativa, da oligarquia Mesquita, e um dos porta-vozes da Faria Lima (apelido do mercado especulador e rentista no país), fosse dono do Brasil e capataz-feitor do Povo Brasileiro – Marco Paulo Valeriano de Brito
Marco Paulo Valeriano de Brito
13 de setembro de 2026 1:20 pmSubliminarmente, a Folha de São Paulo, um jornal de direita pertencente a oligarquia Frias, escreve hoje (13 de setembro de 2026) que só o Luiz Inácio Lula da Silva está apto e preparado para governar o Brasil, sobretudo, diante dos desafios internacionais e a defesa da nossa cidadania e soberania nacional neste século XXI. – Marco Paulo Valeriano de Brito
Marco Paulo Valeriano de Brito
13 de setembro de 2026 1:21 pmO Globo, da oligarquia Marinho, carioca que é, dividiu a caipirinha, neste domingo chuvoso, 13 de setembro de 2026, e sugere a seus leitores entrarem na garrafa cheia de escorpiões supremos ou irem à Lapa para beberem as espertezas de Madame Satã. – Marco Paulo Valeriano de Brito
Luiz Cesar
13 de setembro de 2026 6:44 pmÓtimo Nassif. Agora entendemos o que é jornalismo sela.
Marcos Vinicius
14 de setembro de 2026 8:07 pmDeixaram de fazer jornalismo, sobraram colunas, criaram uma dependência com publicidade, destruíram suas marcas, abriram suas páginas para fortalecerem grupos concorrentes estrangeiros e no fim se desgastam mais do que deveriam para atrair leitores – é muito inteligente o que esses executivos da grande imprensa fizeram – pensei que nossa elite empresarial era bem capacitada, mas estou enganado. Acho que sabemos o que vai acontecer. Os grupos Globo, Folha e Estado vão para o mesmo destino que a Editora Abril só que com algum lucro. A perda de orientação dos executivos e diretores é nítida. Erro atrás de erro. Dos três – da chamada grande imprensa, o jornal Estado de S. Paulo é o único que não tem tido lucro nos último anos – já começa por aí (é o mesmo jornal que quer ensinar o governo sobre finanças – logo o jornal que não lucra – enfim). Queimam pontes com os leitores, desinformam os que restam, perdem novos e antigos assinantes (conheço pessoas que deixaram de assinar a Folha de S. Paulo, pasmem, assinantes de trinta anos) – desorientam nossa economia, nossa política e ficam por isso mesmo. Essa imprensa alimenta um estado de crise permanente nos últimos vinte anos – eu diria – para chegar em lugar nenhum. Para apostar nesse tudo ou nada sobram perguntas: a conta está paga? eles acreditam mesmo que vão conquistar o público novamente? Nada justifica essa insanidade. Não estão tendo expansão significativa na base de leitores para agirem assim, a publicidade está decaindo de forma rápida e pode ter certeza que vai ocorrer na publicidade online também – uma vez que outros blocos de interação crescem e são mais ágeis (TikTok, Youtube) – a única explicação para agirem dessa forma é a previsão de que serão vendidas ou vão encerrar suas operações. Não tem outra explicação. A Folha/UOL é a única que tem condição para se adaptar rapidamente com as mudanças do que Estadão e Grupo Globo. Nesse movimento insano, os prejuízos já estão colocados – arruínam o país em nome de nada pelo simples prazer de achar que pairam sobre o inconsciente coletivo do país – o que sobra é muita arrogância e miséria intelectual – não sei o que vai ser deles, mas o jornalismo desses grupos já era!