20 de setembro de 2026

80% dos religiosos rejeitam política nas igrejas

Pesquisa ouviu 15 mil eleitores em todo o país e mostra resistência à presença de candidatos e à influência de líderes religiosos sobre o voto
Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. Foto: Donatas Dabravolskas - via Wikipedia

Oito em cada dez brasileiros rejeitam discussão de política em espaços religiosos, diz pesquisa do Iser e Quaest.
Onze por cento receberam orientação de líderes religiosos para votar em Bolsonaro, 5% para Lula na eleição de 2022.
Conteúdo político circula em grupos religiosos online; 48% no Facebook e 34% no WhatsApp relatam frequência alta.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Oito em cada dez brasileiros são contrários à discussão de política dentro de espaços religiosos, segundo pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest e divulgada neste domingo (20).

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O levantamento mostra também que nove em cada dez entrevistados rejeitam a presença de candidatos em igrejas com finalidade eleitoral. A resistência aparece em proporções semelhantes entre católicos, evangélicos e seguidores de outras religiões.

Apesar da rejeição à presença da política nos espaços religiosos, a pesquisa identificou a influência de lideranças sobre parte do eleitorado. Considerando a eleição presidencial de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter recebido de líderes religiosos orientação para votar no então candidato Jair Bolsonaro (PL). Outros 5% afirmaram ter sido orientados a votar no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os evangélicos protestantes, grupo que reúne denominações como batistas e presbiterianos, o percentual dos que receberam indicação para votar em Bolsonaro chegou a 20%. Entre os pentecostais, que incluem fiéis da Assembleia de Deus, Igreja Quadrangular e Igreja Universal, 23% disseram ter recebido de seus pastores orientação de voto no candidato do PL.

Diferenças entre igrejas

O levantamento também identificou diferenças de comportamento conforme a igreja frequentada. Na Igreja Universal, 27% dos entrevistados afirmaram ter recebido recomendação para votar em Bolsonaro em 2022, enquanto 12% disseram ter recebido indicação de voto em Lula.

A parcela dos fiéis da Universal que considera aceitável que o pastor indique em quem votar também ficou acima da média nacional. Segundo a pesquisa, 26% concordam com esse tipo de orientação, o dobro do índice registrado no conjunto dos entrevistados.

O estudo apontou ainda diferenças regionais na relação entre religião e preferência eleitoral. No Nordeste, entre os eleitores evangélicos, Lula recebeu 35% dos votos no segundo turno da eleição presidencial de 2022, enquanto Bolsonaro registrou 38% nesse segmento. Segundo os dados apresentados pela pesquisa, a diferença ficou dentro da margem de variação estatística considerada pelo levantamento.

Política nas redes sociais

A pesquisa também analisou a circulação de conteúdo político em grupos e comunidades religiosas nas redes sociais. Apenas cerca de um em cada cinco entrevistados afirmou participar desses espaços virtuais.

Entre os que participam de grupos religiosos nas redes, a presença de conteúdo político é mais frequente. No Facebook, 48% disseram observar “sempre” ou “frequentemente” o compartilhamento de conteúdos políticos por outros integrantes. No WhatsApp, o percentual foi de 34%.

A circulação de mensagens políticas nesses ambientes digitais aparece com maior frequência entre católicos praticantes, pentecostais e protestantes.

Metodologia

A pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil” ouviu 15 mil eleitores de todo o país entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro. As entrevistas foram realizadas presencialmente.

O levantamento tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.

*Com informações da CNN Brasil.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados