
Sugestão de Webster Franklin
Sobre o cerco a Temer
por Eric Nepomuceno
No último domingo, 12 de junho, quando se completou um mês de seu governo interino, exercido com ares imperiais, o presidente interino Michel Temer se reuniu com seus homens interinos de confiança.
Não se tratava de celebrar o Dia dos Namorados, comemorado nesta data no Brasil, mas de avaliar, pela enésima vez, se valia ou não a pena fazer um pronunciamento à Nação em cadeia de rádio e televisão.
Ao longo desse longo e agitado mês, Temer não ousou aparecer publicamente nem uma única e miserável vez. Seus ministros são vaiados por onde caminham, tanto no Brasil como no exterior. Os gritos de “golpista” e “entreguista” compõem a trilha sonora de suas andanças por onde seja.
Naquele domingo não se chegou a nenhuma conclusão. Nem na segunda, menos ainda na terça. Na quarta-feira, por fim, surgiu uma solução: um pronunciamento denunciando todos os horrores e equívocos da mandatária temporariamente afastada, Dilma Rousseff, e de seu desastroso governo, do qual, nunca seria demais recordar, o mesmo Temer figurou como vice-presidente decorativo e seu voraz partido, o PMDB, foi o principal aliado.
Seria um discurso duro, convocando à urgente união nacional, anunciando dias melhores, o fim da corrupção desenfreada e outras propostas tão genéricas quanto vazias. Colocando ênfasa, claro, em um ponto: das impolutas mãos de Temer nasceria um futuro claro, cristalino, quase virginal. Havia um preço – alto preço – a pagar, mas no final todos seríamos felizes, ou quase.
A data para o pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão foi anunciada para a sexta-feira, dia 17 de junho, para cerca das 8 da noite.
Bem, de qualquer forma. Na véspera do pronunciamento bombástico, soube-se que foi pego o ministro de Turismo, Henrique Alves, cuja trajetória de bandoleiro contumaz como outros luminares do governo interino do interino imperador. Contas secretas na Suíça, enfim, o mesmo currículo de outros cúmplices que participam do golpe institucional cujos braços de polvo se extendem por todos os associados, desde o refinado e elegante presidente Fernando Henrique Cardoso ao playboy de província Aécio Neves, derrotado por Dilma em 2014, isso sem mencionar o PMDB de Temer e toda a sua quadrilha.
E mais: o mesmo Temer aparece denunciado como parte do esquema de corrupção instalado na Petrobras.
No lugar de luminoso pronunciamento à Nação, o que se viu foi o terceiro ministro ser catapultado de sua cadeira. O terceiro em 35 dias, uma média sem precedentes. O ministério do Turismo tem importância apenas relativa, mas Henrique Alves integrava o núcleo duro do golpe institucional.
Ontem, sábado, soube-se que outro, o da Educação, Mendonça Filho, herdeiro de uma dinastia podre da política brasileira, também será denunciado.
Há que se reconhecer: nem sempre se registra, na história do mundo, um governo que reúne tantos acusados de corrupção promovendo um golpe institucional em nome da moralidade.
Cada dia que passa fica mais claro que tudo isso não passa de uma farsa barata, patética, disfarçada de ato constitucional.
Temer, o ilegítimo, não ousa aparecer em público, a menos, claro, que se trate de um ppúblico especialmente domesticado. Nem sequer se atreve a uma cadeia de rádio e televisão.
As classes médias, idiotizadas pelas mídias oligarcas, estão atônitas: se deram conta de haver sido manipuladas como massa de manobra por parte do pior e mais antigo que existe na podre classe política brasileira.
A esquerda, por sua vez, trata de resistir, e resiste. No entanto, a grande incógnita está centrada no ex-presidente LUla da Silva, que se retrai – exceto por breves aparições públicas, sempre multipartidárias – como quem espera que o cenário se aclare pelo menos um pouco para então decidir como atuar.
As denúncias de corrupção se sucedem em monótona inundação. E mais, muito mais virá quando se fizerem conhecer as confissões dos grandes empresários detidos.
A únca coisa que parece funcionar são os avanços da equipe econômica, um bando de neoliberais extremistas dispostos a exterminar o Estado no menor prazo possível.
Conquistas sociais alcançadas ao longo dos últimos treze anos caminham rápidas para a guilhotina.
A cada dia que passa fica mais claro que Temer, o ilegítimo, não conseguirá manter-se no poder.
O julgamento de Dilma Rousseff continua no Senado, cumprindo os requisitos constitucionais. Mas até este trâmite escapa aos golpistas: em cada sessão fica claro que não existe a menor justificativa para todo esse enredo. Mesmo aqueles que se declaram como testemunhas de acusação contra a mandatária afastada reconhecem que não há crimes de responsabilidade cometidos, ou seja, que não há justificativa para tirá-la.
Enquanto isso, Temer, o ilegítimo, assume ares imperiais, destroça a política externa dos últimos 13 anos, as políticas sociais alcançadas, ameaça com uma febre de privatizações, e assim estamos.
Houve, sim, uma boa notícias por estes dias: Dunga já não é o treinador da seleção brasileira.
Há que se reconhecer, em todo caso, que diante do caos instaurado pelo golpe institucional, se trata de um alívio apenas relativo…
(Tradução Equipe GGN)
emerson57
21 de junho de 2016 12:28 pmDéjà vu
ninguém leu, fiquei sem saber
EMERSON57SEG, 20/06/2016 – 17:49
erro?
SEG, 20/06/2016 – 13:36
“A presidente Dilma decidiu com assessores que não vai comparecer à Comissão do Impeachment no Senado. “
Li de manhã, pensei um bocado e não encontrei a resposta: Será que não constitui em erro a Presidenta deixar passar esse “palanque”? A palavra dela está cassada, globo e o resto do pig fazem de conta que ela não existe mais. Provavelmente não haverá oportunidade melhor antes da votação.
Pergunto: Para “vender o peixe” seria melhor comparecer e fazer um único e brevíssimo discurso político, explicando o golpe à população? Falar simples, olhando na cara dos brasileiros e logo após se retirar. (ótimo para circular nas redes sociais)
Se o pig “não der” a imprensa internacional e a internet, mais as redes vão “bombar” e informar.
……………
comentário no post de SEG, 20/06/2016 – 09:35 – semana crucial em Brasilia
Jorge L. Pinto
21 de junho de 2016 1:01 pmEstes absurdos relatados no
Estes absurdos relatados no texto são parte do GOLPE. O acinte faz parte dele.
Só com um rolo compressor popular, com direito a greve geral e confronto REAL pode-se reverter este surrealismo patético.