4 de junho de 2026

Sessão das 10: ‘Inferno na Ilha’

INFERNO NA ILHA

MARCO VICTOR
24 DE JANEIRO DE 2012 1

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Inferno na Ilha

Qualquer filme que fale sobre prisões, orfanatos ou campos de concentração acaba ganhando um espaço na mídia. Algumas vezes ele pode ser enorme, outras nem tanto, mas eles sempre acabam dividindo a opinião de quem viu. Existem pessoas que não gostam de ver esse tipo de filme porque acham eles pesados, desnecessários e forçados. Outras assistem por assistir, mas algumas acabam se identificando muito com o que estão vendo nas telas. Inferno na Ilha é uma dessas produções que realmente dividem as pessoas. Mostra a forma de tratamento antigo, mas também como às vezes aquilo era desnecessário, além de conseguir abordar alguns pontos absurdos da humanidade. Esse projeto foi desenvolvido em uma parceria de quatro países. São eles; Suécia, Noruega, França e Polônia. A direção ficou por conta do Norueguês Marius Holst.

Um fato que sem dúvidas vale muito a pensa ressaltar é de que esse filme é baseado em fatos reais. Isso acaba gerando um pouco mais de polêmica, mas também nos leva a imaginar se realmente era dessa forma e qual o motivo de ser assim. Líderes eram escolhidos em cada pavilhão do reformatório, os garotos eram totalmente maltratados, vivendo em uma verdadeira ditadura. Tudo bem que era para tentar passar uma educação para eles e que algumas pessoas acreditavam estar fazendo o certo, mas outras pareciam gostar. Essa é a imagem que o filme nos passa durante o seu decorrer. Um ótimo ponto a se ressaltar é a atuação de Stellan Skarsgard, que já participou de filmes como Anjos e Demônios, Piratas do Caribe, entre outros de produção americana. A meu ver, ele é o único ator realmente de destaque no filme, já que passa uma segurança muito grande em sua participação.

O filme começa com uma descrição sobre o reformatório de Bastoy, falando sobre a sua existência. Logo em seguida, passa a nos mostrar alguns jovens chegando ao local. Pouco tempo depois o público conhece todos os personagens que vão acabar se envolvendo na história principal da trama. Naquele local eles são divididos por letras e números, o foco é no “pavilhão C”, os protagonistas são as personagens C1, C5 e C19. O último ao que tudo indica é o que teve maiores problemas na sociedade, pelo menos é isso que os “educadores” do local dão a entender. Todos os internos têm entre 11 e 18 anos, mas nunca reclamaram de nada que passaram no local abertamente, apenas tentavam aceitar. Mas, quando o assunto envolve um dos pontos mais batidos da sociedade, os garotos mostram a sua verdadeira força e uma grande batalha pela liberdade começa a ser travada naquela ilha.

O Frio na ilha é constante

Esse filme aborda mais o psicológico das pessoas do que a violência abertamente. Lógico que temos os castigos antigos, alguns casos de violência, mas o que fica subentendido acaba chamando muito mais atenção. Ele acaba fazendo com que todas as pessoas pensem muito como era antigamente e como pode ser hoje em dia. Afinal, a humanidade não parece ter evoluído tanto assim se alguém decidir ir até um reformatório em nosso país. Gostando ou não, algumas atrocidades ainda existem por aí, mas parece que de forma mais camuflada e não tão aberta para a sociedade. A produção deve ter sido realmente complicada, visto que por se passar na Noruega o tempo inteiro é de muito frio e neve no local. A personagem C19 ou Erling chama muita atenção pelo fato de que apesar de ser considerado muito perigoso, ele mostra certa preocupação com as pessoas que conhece no local. Essa preocupação acaba desencadeando praticamente 70% das discussões no decorrer da produção apresentada. Para quem gosta desse tipo de filme, Inferno na Ilha pode ser um bom passatempo. Mas, prepare-se para pensar.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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