5 de junho de 2026

Os conjuntos habitacionais do IAPC e BNH

Comentário ao post O desinvestimento habitacional em São Paulo

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evandro,

Obrigado pelo retorno.

Conheço bem o lugar em que você cresceu.

Os conjuntos do IAPC não são tão diferentes dos construídos pelo BNH um pouco depois, na década de 70.

Discordo veementemente rsrs quando você os classifica como abandonados. Foram todos muito bem construídos, o de Realengo com mais de 92 prédios, o de Padre Miguel com 180 prédios, o de Fazenda Botafogo com 120 prédios, todos eles de 5 pavimentos e 20 apartamentos, em geral com 45 m² cada. Você nem ninguém ouviu falar de problemas construtivos em nenhum deles, e em nenhum destes a população está entregue às baratas. No de Cidade de Deus, em menor quantidade (prédios), é a mesma coisa.

Ressalto um fato concreto, que um cinegrafista pode explorar como quiser e bem entender – se você vai a um destes enormes condomínios, verá um prédio muito bem conservado pelos moradores (aqueles que conseguem manter um condomínio próprio) ao lado de um mal conservado, mas fazer o quê? As pessoas precisam fazer a parte delas, umas fazem e outras não.

Sobre aquisição de carros, depois do plano Collor com aquele financiamento com variação cambial, que deu muito prejuízo prá muitos ao final, esta é a primeira vez em que os de baixa renda estão tendo possibilidade adquirir veículos. A metodologia empregada, ainda coerente em função da renda do mutuário, não considera para imóveis de baixa renda, 0 a 3 s.m.,  a mesma legislação aplicada aos imóveis destinados a um público com maior renda. Tal metodologia deve vir a ser alterada, em minha opinião.

O maior empecilho à construção de moradias maiores, que só ocorre no caso de apartamentos (as casas permitem o progresso da u.h. para até 70 m², noves fora os “duplex irregulares” que existem à vontade), se deve ao “mercado” e à renda do mutuário, são fatores que caminham obrigatoriamente lado a lado. Só não é pior porque qualquer prefeitura minimamente organizada delimita, pelo Código de Obras, dimensões mínimas para os diversos cômodos, sala, quarto, w.c., etc…, e esta é atribuição exclusivamente municipal. O Ministério das Cidades só pode (e o faz) estabelecer diretrizes para os condomínios que façam parte de seus Programas. No caso do MCMV, tais discussões ficam concentradas nos condomínios verticais pelos motivos acima mencionados.

Em BH, quando fui ao Sarau fiquei assustado com o que vi de longe, da estrada, um bairro à direita de quem chega, com diversos prédios fantásticos para atender ao andar de cima, ou seja, liberalidade da prefeitura (não sei se correta ou não, pois não conheço detalhes do desenvolvimento urbano da cidade, de início mais bem planejado entre todas do país, à exceção de Brasília bem mais adiante).

Tudo o que escrevo tem por base a minha prática profissional, ao vivo e a cores. Considero que existam equívocos nas políticas das diversas secretarias de habitação, mas de outro tipo. A do município de SP comete um equívoco atrás do outro, mas evito criticar aquela cidade por morar no RJ. Como explicar tantos incêndios inexplicáveis e não apurados naquela cidade (recorde mundial), a recente ação na Cracolândia, aquele absurdo cometido pelo governo estadual em Pinheirinho (construir duas mil casas, como já disse e insisto, é peteleco)? É muita lambança para um governo só, e são tipos de lambanças que só ocorrem por lá.

Um abraço   

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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