Por Carlos Augusto Machado
Comentário no post “ A ação da PM no protesto dos estudantes da Unifesp“
Caro Nassif,
Sou professor do Depto de História da Unifesp-Guarulhos, e venho confirmar o que escreveu meu colega Fábio Franzini. Durante a noite de ontem pudemos acompanhar, estarrecidos, os relatos de colegas que estavam no campus: uma assembléia estudantil levou a nova invasão do campus, apesar de a maioria dos estudantes já ter deixado a assembléia naquele momento. Os manifestantes começaram a pichar e gritar palavras de ordem, e cercaram a diretoria acadêmica, onde os professores se refugiaram com medo da violência – nas últimas semanas fomos alvo de diversas agressões físicas e verbais do movimento grevista (reparem que eu também me recuso a chamá-los de estudantes). Janelas foram quebradas e a polícia foi chamada. O confronto, a violência já estavam ocorrendo. Computadores foram destruidos, nenhuma janela está intacta, móveis foram danificados e o prédio que estava sendo pichado depois da última invasão está, segundo relatos, em estado lamentável.
Nenhum de nós pode ser a favor da violência policial. Somos historiadores, humanistas, professores, comprometidos com a construção de uma utopia, uma universidade de primeira grandeza em uma região tradicionalmente abandonada pelos governantes. A maioria do corpo discente, apesar de extremamente instatisfeita com a situação do campus, se distanciou do movimento grevista. O que se vê agora é o suo de chavões e de estratégias que visam incentivar o confronto, apelando inclusive à violência. O que aconteceu ontem foi caso de polícia sim: patrimônio público foi destruido e trabalhadores (professores!) foram agredidos e ameaçados por seus alunos. Isso é inaceitável e, até o início desta greve, era para mim inimaginável. A imprensa faria melhor em buscar se informar entrevistando os professores que trabalham naquele campus, ao invés de se limitar a citar reportagens feitas a partir dos blogs dos grevistas.
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