Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa
O Dilema da inclusão no Trabalho de Pessoa com deficiência.
A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 estabeleceu uma cota de vaga no mercado de trabalho para portador de deficiência. Um avanço para inclusão social destes profissionais.
Da criação da Lei e sensibilização e conscientização dos empresários sobre a situação de exclusão destes cidadãos, muita água passou por baixo da ponte. Os primeiros dez anos de criação da lei tiveram poucas contratações por parte das empresas privadas. A alegação é que as mesmas precisavam de um tempo maior para adequar o ambiente de trabalho para receber estes profissionais com necessidades especiais. Os concursos públicos e convênios de entidades de portadores de deficiência com alguns órgãos públicos ofereciam mais oportunidades de inclusão. Neste período o foco das vagas eram mais nas funções administrativas, operacionais, serviços gerais, limpeza, etc. Trabalhos que exigiam pouca escolaridade. Ou seja, mão de obra barata. A alegação governamental e empresarial era que a maioria dos portadores de deficiência não tinha qualificação profissional nem boa escolaridade. Esta realidade não é privilegio só de portador de deficiência. Mas serviu na época e serve até hoje como alegação para manter o portador de deficiência fazendo sempre o trabalho menor ou de menos relevância no processo produtivo. Mesmo que muitos tenham boa formação escola, e qualificação profissional.
Tive meu primeiro emprego através da cota em 1991, ou seja, peguei a lei saindo do forno. Era um convênio de uma entidade de portador de deficiência com uma empresa de telefonia. De lá para cá sempre tive outros trabalhos me valendo das vagas da cota. Como falei acima, sempre em trabalhos operacionais, mas continuei meus estudos e me formeiem Comunicação Social/jornalismo pela UEPB – Universidade Estadual da Paraíba. Dei o tão esperado passo a frente na minha qualificação profissional e educacional. Com o tão sonhado e suado “Canudo-Diploma” nas mãos, coloquei o “pé na estrada” rumo a São Paulo. Cheguei em 2000 imaginando que formado e “beneficiado” com a cota seria “mamão com açúcar” arrumar um emprego legal na capital dos negócios e dinheiro. Fiz o dever de casa atendendo a solicitação dos empresários que diziam ser impossível encontrar um portador de deficiência formado. Mas logo percebi que a realidade era um “Ouro de Tolo”. Em 20 dias procurando trabalho: Encontrei-o. Mas para minha surpresa era trabalho operacional. Mas para quem tem filhos pequenos, é pegar ou chorar. Depois desse, passei por outros, todos operacionais. Essa realidade durou seis anos, e ai pensei algo estar errado. Enquanto estava empregado em funções abaixo da minha qualificação acadêmica e profissional. Agora, podia dizer que tinha uma profissão ou uma qualificação profissional tão almejada. Analisando a engrenagem do sistema da cota percebi que o trabalho oferecido no mercado privado continuava sendo OPERACIONAL e BRAÇAL, nada contra estas funções, passei por elas quando não tinha a tal QUALIFICAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONAL.
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