Por hugo
Do Blog de Andre Barcinski
Mudou a música caipira ou mudaram os caipiras?
POR Andre Barcinski
Dia desses, participei de uma entrevista com um músico que admiro muito: Renato Teixeira.
Certa hora, alguém pediu ao Renato para listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual.
A resposta dele surpreendeu a todos:
“Não há diferença alguma”, disse.
“Como assim?” reagiu o entrevistador.
“A música caipira sempre foi a mesma”, explicou o músico. “É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo.”
Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento do país “moderno”.
Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio tempo.
Fiquei pensando muito sobre a frase do Renato Teixeira.
Será que nossa nostalgia por uma música melhor não reflete nossa nostalgia por outros tempos?
Será possível, nos tempos atuais, ter uma música popular de qualidade e mais “autêntica”?
Será que a decadência cultural e a globalização permitiriam ao público jovem apreciar uma música que não refletisse a confusão de estilos e tendências que é a marca da modernidade?
“Ai Se Eu Te pego” é sertanejo?
Segundo a teoria de Renato Teixeira, sim.
Talvez não o “sertanejo” a que nos acostumamos, ou o que gostaríamos que fosse. Mas um sertanejo que é inescapável.
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