4 de junho de 2026

A música sertaneja e a vida no campo

Por hugo

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Do Blog de Andre Barcinski

Mudou a música caipira ou mudaram os caipiras?

POR Andre Barcinski

Dia desses, participei de uma entrevista com um músico que admiro muito: Renato Teixeira.

Certa hora, alguém pediu ao Renato para listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual.

A resposta dele surpreendeu a todos:

“Não há diferença alguma”, disse.

“Como assim?” reagiu o entrevistador.

“A música caipira sempre foi a mesma”, explicou o músico. “É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo.”

Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento do país “moderno”.

Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio tempo.

Fiquei pensando muito sobre a frase do Renato Teixeira.

Será que nossa nostalgia por uma música melhor não reflete nossa nostalgia por outros tempos?

Será possível, nos tempos atuais, ter uma música popular de qualidade e mais “autêntica”?

Será que a decadência cultural e a globalização permitiriam ao público jovem apreciar uma música que não refletisse a confusão de estilos e tendências que é a marca da modernidade?

“Ai Se Eu Te pego” é sertanejo?

Segundo a teoria de Renato Teixeira, sim.

Talvez não o “sertanejo” a que nos acostumamos, ou o que gostaríamos que fosse. Mas um sertanejo que é inescapável.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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