A Estrada – Cormac McCarthy
Alfaguara – 240 páginas
Pai e filho procuram sobreviver em um mundo reduzido a ruínas, devastado por alguma tragédia inexplicável. O cenário é pós-apocalíptico, nada mais se produz, inexiste geração de energia, o céu é cinzento, faz frio, chove e neva o tempo todo.
Restaram vivos apenas seres errantes que buscam qualquer tipo de alimento nas casas abandonadas e cobertas de cinzas. Alguns andam em bandos e comem carne humana. São capazes de matar por um trapo qualquer que possa cobrir o corpo.
O menino é quase uma criança, tem poucas referências da vida como ela era nos tempos de normalidade. Começa a compreender as coisas já imerso em uma realidade hostil e sem perspectivas. Conta somente com os ensinamentos do pai, reforçados por um temperamento sensível e humano, demasiado humano para quem pouco a pouco se descobre em meio à barbárie. O futuro não permite sonhar. Os sonhos possíveis são pesadelos que emergem na poeira da noite.
O pai é o herói do garoto, e não poderia ser diferente, pois é muito raro terem contato com outras pessoas. A relação entre ambos é comovente. O filho aprendeu que eles carregam o fogo, eles são pessoas do bem e o bem sempre vencerá. Para o pai cada vez mais doente, é enorme a tristeza de ver uma criança sem a mínima chance no horizonte.
O fio de concretude que dá algum sentido às suas vidas é a estrada em direção ao mar. Por ela, empurram um carrinho de supermercado com seus poucos pertences. O pai repete várias vezes que tudo está bem, tenta levar conforto ao espírito inquieto do garoto, busca alimento e cobertores e roupas. O pai faz o fogo e abraça durante a noite, conduz pela mão durante o dia, protege dos “caras do mal”.
Se o sentido de suas vidas é encontrar algum lugar que não sabem como será, só lhes resta em essência o amor, um sentimento quase desesperado que os une. É esse sentimento que transforma esta história em uma bela história contada com precisão e simplicidade nas palavras, uma saga de andarilhos que emociona o leitor, que faz do romance um dos mais belos romances já escritos.
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