5 de junho de 2026

A visão de um neurologista sobre o TDAH

Por Antonio Pereira Gomes Neto

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Caro Luis Nassif,

Sobre o artigo publicado em 25 de fevereiro de 2012 no Luis Nassif Online, “O controle psiquiátrico da dissidência”, em que são colocadas uma série de observações críticas a propósito do diagnóstico e do tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade,   gostaria de solicitar um pouco de espaço para apresentar a questão de uma outra maneira. O  link para acessar o blog e o artigo me foram enviados pela mãe de um paciente (sou médico, neurologista). Julguei, então, que talvez fosse relevante aprofundar a discussão.

Tem sido comum que considerações a respeito desse tema apareçam na internet de formas variadas, nem sempre adequadas, e sabemos que essa diversidade é da natureza da rede. De qualquer maneira, esse é um assunto cuja discussão será sempre muito rica, pois trata desse “ser” tão múltiplo e apaixonante que é o homem, com as suas forças e fraquezas, suas “feiúras” e suas “bonitezas”.

A primeira coisa que quero dizer é que essa questão irrompeu na mídia leiga nos últimos anos, nos últimos 20 anos talvez, e vem ocupando espaços cada vez com mais força, em grande medida pela ação dos médicos, principalmente, mas também de outros profissionais da saúde e da educação, individualmente ou através das suas associações, sociedades de especialidades e associações de pais e portadores, que se engajaram num grande esforço para levar à população e aos demais profissionais a maior quantidade possível de informações de qualidade, tornando publicas, e cada vez mais difundidas, essas questões que desafiaram e continuam desafiando pais e profissionais (médicos, educadores, psicólogos, psicopedagogos) em todo o mundo desde há muito tempo, desde há quase dois séculos. Pois é isso mesmo, QUASE DOIS SÉCULOS, e os problemas colocados começam por aí porque, diversamente do que se imagina e do que é freqüentemente veiculado de forma equivocada e enganosa, os “problemas” relacionados ao chamado Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH) NÃO SÃO NOVOS E ESSE NÃO É UM PROBLEMA NOVO OU RECEM-CRIADO OU RECEM-INVENTADO, ao contrário, é um problema médico antigo, muito antigo, cujos primeiros relatos na literatura médica remontam aos séculos XVIII/XIX e cuja primeira descrição formal, com rico detalhamento clínico e formulação de hipóteses sobre a possível “localização” neuro-anatômica do problema  é de um pediatra inglês, George Still, em 1902, numa já à época  prestigiosa revista científica médica britânica, The Lancet, ainda hoje uma referencia de qualidade científica e esmero ético na literatura médica internacional.

Se me animo a comentar o artigo e até a fazer essa longa digressão à guisa de introdução, é porque quero, desde  o inicio, tentar demonstrar que, na grande maioria das vezes, as observações e comentários colocados sob forma de crítica e contestação  geralmente o são a partir de equívocos conceituais, falsas premissas e interpretações inteiramente deslocadas do centro do problema, o que traz mais sombra do que luz à discussão, a começar por essa afirmação inteiramente falsa e equivocada,e que só traduz o desconhecimento de quem a faz, de que se trataria de algo novo e que (é comum se ouvir isso) teria sido “inventado” pela indústria farmacêutica para vender medicamentos. Ora, não se trata aqui de “defender” a indústria farmacêutica, pois de um lado seria inútil, já que mais uma vez o foco do problema estaria sendo desviado, e de outro eu não o faria por muitos e bons motivos, mas se trata aqui, isso sim, de retomar a verdade factual  de que ESSE É UM PROBLEMA  MUITO VELHO E É MOTIVO DE PREOCUPAÇÃO ENTRE OS MÉDICOS E OUTROS  PROFISSIONAIS DA SAÚDE  E DA EDUCAÇÃO HÁ MUITO TEMPO, muito antes da “indústria farmacêutica” existir nos moldes em que existe hoje. A questão da indústria farmacêutica nos tempos atuais mereceria outra longa discussão, a partir de uma outra perspectiva, pois está inserida na forma como o mundo se organizou  do ponto de vista político-econômico nas ultimas décadas, com o estabelecimento de uma hegemonia capitalista, ou de um tipo de capitalismo, que permitiu que florescesse um poder antes inexistente. No entanto, atrelar uma discussão à outra de forma automática seria, como de fato é, uma simplificação ingênua e imperdoável.

Partindo dessa visão da discussão, de que ela freqüentemente se inicia a partir de meias verdades ou de fragmentos do problema, quero dizer que acho sempre muito bom falar sobre esse tema e que a discussão só tem acontecido porque há uma demanda da população e porque ela, a discussão, foi, como eu disse acima, de alguma forma  “provocada”  e que também por isso não se deve temê-la nem dela fugir. Por outro lado, também não devemos nos entrincheirar por detrás de argumentos, convicções, conceitos e preconceitos já previamente cristalizados como se fossem “verdades absolutas”, pois estas, claro, não existem e podem se transformar, se não nos atentarmos para a evolução do pensamento e do conhecimento humanos, em rematadas  tolices. Não podemos e não temos o direito de, sectariamente, nos recusarmos a ouvir o que estão dizendo os “outros”, pois também não tenho dúvida de que todos nós, ou a maioria de nós, que participamos dessa discussão, seja lá em que dimensão do problema atuemos, pais, profissionais ou cidadãos, estamos, seguramente, preocupados com a saúde ou com o destino, num sentido mais amplo, das pessoas e da sociedade.

Comentarei, sem necessariamente contestar ou me contrapor, alguns dos vários aspectos abordados no texto e também nos comentários dos leitores.

Um questão que salta aos olhos no texto, e que é recorrente nas criticas às vezes apaixonadas que se fazem ao diagnóstico e ao tratamento do TDAH, é aquela que trata do eventual efeito deletério, castrador, “tutelador” dos medicamentos utilizados no seu tratamento, cuja ação teria como objetivo, explicito ou não, aprisionar corações e mentes e tolher as criatividades, eliminando as  tendências e atitudes “anti-autoritárias” daqueles que se submetem ao jugo quase criminoso do “diagnóstico” e, pior, do tratamento, o que acabaria por moldar essas pessoas aos  interesses mais subalternos de uma sociedade injusta e cruel, tornado-as passivas e meramente adaptadas e adaptáveis aos desejos mais sórdidos e inconfessáveis da… , do…, de…. , não sei muito bem, sociedade moderna? Sociedade capitalista? Sociedade tecnológica?Sociedade individualista? Sociedade não solidária? Egoísta? Outros? nenhuma das acima? todas as acima? Ora, é inevitável que todos nós, homens e mulheres, soi disant, bem-pensantes, que passamos boa parte das nossas vidas tentando refletir sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre a liberdade, que recusamos qualquer forma de opressão, que muitas vezes nos engajamos até o pescoço nessas lutas, é inevitável, repito, que nos preocupemos e nos ocupemos dessa questão quando se sugere que “a liberdade” está em perigo, seja lá onde for, seja lá por obra de tal ou qual agente. No entanto, ainda que se deva admitir que os meios de dominação criados pela sociedade capitalista são muitos e os mais diversos e sutis, sorrateiros e cruéis, não dando chance aos pobres cidadãos de perceber como estão sendo enganados e “passados para trás” e levados a fazer o que essa “entidade” (sociedade capitalista, de consumo, etc, etc, etc…) perversa deseja, como se transformados fossem em andróides e que, afinal ,”é preciso estar atento e forte”, ainda assim seria preciso um delirante raciocínio para que fossemos levados a crer que crianças de 3 ou 4 ou 5 ou 6 ou 7 ou 8 ou 9 anos, sem qualquer histórico familiar ou social de abusos ou maus tratos ou privações de qualquer ordem, econômica, física ou psicológica, seria necessário, repito, um exercício de imaginação delirante ou pueril ou ambos, e com traços persecutórios, para supor então que essas crianças estivessem desenvolvendo (talvez desde o útero  mais fundo e escuro e longínquo, quem sabe?) uma atitude “anti-autoritária”, revestida de um caráter filosófico-ideológico-politico-existencial que se manifestasse como forma de contestação ao poder constituído, qualquer poder, qualquer constituição, numa precoce investida contra as cruéis e ignominiosas formas da dominação do capitalismo e imperialismo internacionais  ou do pensamento ultra conservador…ou coisa parecida. Ora, do que estamos falando? Será da mesma coisa?  Trata-se da mesma matéria? O fato é que é muito difícil imaginar, quando falamos de crianças tão jovens, tão pequenas, como essas das quais estamos falando, que elas já estariam moldando o seu eventual comportamento “disruptivo” baseado em convicções e atitudes e posicionamentos “anti-autoritários”, dirigidos de forma clara contra algum poder  “ilegalmente constituído”. Acredito que não seja difícil perceber que o eventual comportamento “transgressor”  ou “ inadequado” ou “diferente”  ou “comprometedor” (para si mesmo e para os outros) ou, simplesmente, “inusual”  ou, do ponto de vista fenomenológico, “disruptivo”, dessas crianças não tem nenhum caráter contestatório bem organizado ou  racionalizado sendo, ao contrário, absolutamente anárquico no sentido de que as suas ações e comportamentos e atitudes, não trazem, na grande maioria das vezes, nenhuma conexão entre elas, não havendo qualquer organização que as justifique ou que implique em ganho ou aprendizado, ao contrário, o que se observa na grande maioria dos casos são perdas e perdas e perdas. Ao mesmo tempo, não é possível, nesses casos, identificar qualquer histórico de “agressão” sócio-econômica ou psico-político-ideológica que possa  justificar ou originar o referido comportamento. Claro que sempre haverá alguém a dizer que “o comportamento das crianças não se guia e não se deve guiar por qualquer  racionalidade castradora” e que não há e não deve haver qualquer tipo de organização ou disciplina que, autoritariamente, interfira no desenvolvimento  do pensamento infantil e que todas as possibilidades lhes devem ser oferecidas e toda e qualquer consequência deve ser admitida”. Esse tipo de “elogio da anarquia mental” contraria, é claro, tudo que se conhece sobre o desenvolvimento neuro-psico-motor infantil, processo que se inicia já dentro do útero e que  continua depois do nascimento, atravessa a infância e se completa, da maneira possível, ao final da adolescência, num “continuum”  de aprendizado em que as habilidades, todas as habilidades, são progressivamente adquiridas à medida em que avança o processo de maturação cerebral, de forma que uma aquisição funciona como um “facilitador” para a aquisição seguinte e esse “acumular” de aprendizados  e habilidades vai se estruturando e se constituindo de forma cada vez mais sofisticada, arestas vão sendo aparadas e o conhecimento e as experiências vão sendo continuamente buriladas, num  processo que se submete de maneira intensa e clara a influencias genéticas e ambientais. E aí começa a se delinear com mais clareza uma das mais importantes questões referentes à construção desse  diagnóstico e que é reiteradamente, por desconhecimento ou má fé, mais aquele do que esta, desconsiderada pelos que teimam em contestar por contestar. A referida questão é a seguinte: só é possível  começar a construir e estabelecer o diagnóstico a partir da constatação de que  NÃO HÁ EVIDENCIAS  DE QUALQUER OUTRA ETIOLOGIA, SEJA DE ORIGEM  FÍSICA, PSÍQUICA OU SOCIAL, QUE POSSA EXPLICAR OS SINTOMAS APRESENTADOS PELOS PACIENTES. Estamos falando,então, que só é possível caminhar na direção de um diagnóstico como esse de forma segura, se uma avaliação clinica cuidadosa for realizada, ao lado de um longo e muitas vezes exaustivo inventário da vida do paciente e de sua família, que deve ser  checado a partir de informações vindas das mais variadas fontes, e que, assim sendo, esse não é e não pode ser um diagnóstico realizado de maneira rápida ou trivial. Será preciso sempre muito cuidado exatamente para que não se incorra no erro diagnostico. Aliás, essa é uma outra observação que é frequentemente colocada em tom de critica: “atualmente virou moda e  toda criança tem TDAH”. Bom, eu não sei se virou moda, mas sei que apenas um número relativamente pequeno de crianças são portadoras do problema (segundo os muitos estudos epidemiológicos , algo em torno de 5% das pessoas em idade escolar). Sei também que, como em qualquer atividade humana, podem haver equívocos e que, no que diz respeito à atividade médica, podem acontecer diagnósticos equivocados, nesta e em outras áreas, mas,  seguramente, o numero de pessoas eventualmente  diagnosticadas e tratadas erroneamente é significativamente menor do que o seu contrário. Partindo de dados epidemiológicos que temos à nossa disposição (e que não foram fornecidos nem desenvolvidos pela “indústria farmacêutica”), há um numero significativamente maior de crianças que potencialmente se beneficiariam do tratamento, mas que estão sem diagnóstico e sem tratamento, do que o seu inverso.E se insisto em chamar a atenção para os dados epidemiológicos é porque eles são uma arma muito útil no conhecimento e manejo das mais variados doenças em todo o mundo, como ocorre também neste caso.  

Se insisto também em falar, inicialmente, das crianças muito pequenas, existem dois motivos: 1)  porque o problema foi identificado inicialmente em crianças ; 2) porque  a descrição dos sintomas na infância, aliada à constatação de que se tratava de um problema relacionado ao processo de maturação cerebral (processo esse que se faz, nessas pessoas, de uma forma,digamos, inabitual ) fez com que se acreditasse até muito recentemente (uns trinta anos, talvez, que com o passar do tempo e a chegada da adolescência e da vida adulta (madura?!) esse processo se completaria e tudo se resolveria. Por isso, e durante muito tempo, ao longo de mais da metade do século XX, esse “Transtorno” ficou confinado à literatura médica relacionada à pediatria e à neuropediatria, à psicologia e educação infantis. Fato é que durante todo esse período de construção do conhecimento acerca desse tema, período que vem desde o final do Sec.XIX , atravessa a primeira metade do sec.XX  e se faz de forma mais organizada e cientificamente  produtiva a partir dos anos 1960/1970, nunca se levantou a hipótese de que as intervenções  proposta, todas e qualquer uma, as medicamentosas e as psicoterapêuticas, médicas ou psico-educativas, nunca, repito, se aventou  a hipótese de que essas propostas terapêuticas  tivessem como objetivo  o controle mental dos meninos e meninas, controle esse que pudesse ser castrador (ou limitador) ou coisa que o valha pois o que se via, como hoje se vê, são crianças com enormes dificuldades  e que, frequentemente, mesmo quando apresentam capacidade intelectual privilegiada, se mostram incapazes de desenvolver  suas habilidades mentais, cognitivas, afetivas e sociais num patamar minimamente razoável, ou apenas à custa de enorme esforço e sofrimento, seu e de quem mais estiver ao seu lado, familiares quase sempre, e por conseqüência vêm comprometidas, também,as suas possibilidades de crescimento acadêmico,social, afetivo, emocional, etc, etc, etc.  

Pois bem, espero ter deixado claro esse aspecto inicial da discussão, ou seja, de quem estamos falando, afinal?  Estamos combinados, então, que estamos falando de crianças sem qualquer outra histórico, pessoal ou familiar, de privação ou agressão, qualquer privação, qualquer agressão. Não é possível, então, falar em “comportamento anti-autoritário” nessas crianças das quais estamos tratando, nem em atitude saudavelmente contestadora ou instigante, ou de mera e exuberante ”curiosidade”, pois trata-se, isso sim, de crianças que, claramente, desenvolveram comportamentos e dificuldades aparentemente “incompreensíveis” ou “surpreendentes”  e que, frequentemente, são atribuídas à incompetência ou incapacidade dos pais de darem educação adequada ao seu filho ou filha, comportamentos e características que levaram e levam os pais a “buscar ajuda”. Pois bem, como ao longo do tempo (muito longo!) parecia claro que se tratava de um “problema”, mesmo que não se compreendesse muito bem a sua origem, as intervenções eram solicitadas e buscadas e admitidas e aceitas, pois eram claras também, como hoje o são, as perdas e prejuízos de toda ordem decorrentes daquele “problema”. Ora, mas eram apenas crianças, não é? E sempre havia, como ainda há, a expectativa de que “com o tempo tudo se resolverá”  e chegarão, finalmente, a idade adulta e o tempo da maturidade, quando o processo de “maturação cerebral” se completará e os problemas desaparecerão e viveremos felizes para sempre.  Pois bem, nisso se acreditava (e por muito tempo), daí a impressão falsa, dramaticamente falsa, de que se tratava de um problema menor, de pouco impacto na vida das pessoas, pois fosse como fosse, o final da infância e da adolescência marcariam, finalmente  (ufa!!!), o fim dos problemas e o início de uma nova era para esses meninos e meninos.

Ledo engano. O progressivo aumento do conhecimento acerca do funcionamento cerebral nos últimos 40 anos (os anos 1990, por ex., foram chamados de “a década do cérebro”), com o incrível avanço do conhecimento nos campos da genética médica, com a identificação de um número cada vez maior de genes implicados nas mais variadas condições neuro-psiquiátricas; da bioquímica cerebral, com a identificação de inúmeros neurotransmissores responsáveis pela viabilização da transmissão nervosa; da imunologia humana que tem permitido a compreensão cada vez maior dos mecanismos das doenças chamadas “auto-imunes” do Sistema Nervoso Central, com a conseqüente e significativa melhora das possibilidades diagnósticas e terapêuticas ; dos métodos de neuroimagem  e neuroimagem- funcional ,métodos  que revolucionaram o estudo e a compreensão das doenças do cérebro  e da medula; e por fim, e não menos importante, ao contrário, a progressiva e cada vez mais clara compreensão   de que o homem, e o seu Sistema Nervoso em especial , sofre uma brutal influencia do meio ambiente no seu sentido mais amplo, do seu entorno físico-ambiental e do seu meio interno psico-emocional, variáveis essas que, interagindo com as características e variáveis genéticas e bioquímicas e fisiológicas, farão de cada um de nós,como realmente o fazem, indivíduos claramente únicos e que dessa forma deverão ser  abordados pelos médico,e aqui eu volto ao problema médico. Retomo, aqui, uma questão fundamental que é, não raramente, tratada de forma superficial e ligeira pela maioria dos “críticos”, vamos chamá-los assim, isso quando não é simplesmente ignorada por eles : DA MESMA FORMA QUE NÃO SE PODE E NÃO SE DEVE NEGLIGENCIAR  AS QUESTÕES AMBIENTAIS  NO SEU SENTIDO MAIS AMPLO (EXTERNAS E INTERNAS, AS FÍSICO-GEOGRÁFICO-HISTÓRICO-ECOLÓGICAS E AS SOCIO-PSICO-ATÁVICO-FAMILIARES), POIS ELAS SÃO REALMENTE MUITO IMPORTANTES, FUNDAMENTAIS  MESMO, NÃO SE PODE, IGUALMENTE, DESCONHECER OU IGNORAR OS AVANÇOS DO CONHECIMENTO HUMANO NAS AREAS DA CIENCIAS, DA FISICA , DA QUIMICA, DA BIOLOGIA  E DA MEDICINA EM PARTICULAR, AVANÇOS QUE PERMITIRAM, POR EXEMPLO, AO LONGO DO SÉCULO XX, UM AUMENTO IMPORTANTE DA EXPECTATIVA DE VIDA DAS POPULAÇÕES DAS MAIS DIFERENTES REGIÕES DA TERRA. 

É claro que sempre se poderá ampliar a discussão e nela incluir aspectos ético-filosófico-culturais que podem ser, e quase sempre são, muito importantes, mas é claro também que estaremos mudando o foco da discussão, pois ainda que válida e sempre rica, não busca resolver de forma objetiva  a questão central : o que fazer para compreender  e contribuir com essas pessoas, no sentido de ajudá-las a superar as suas dificuldades e limitações? Claro, também, que sempre haverá alguém que poderá indagar “mas porque deveríamos buscar resolver isso de forma objetiva?”. Pois bem, para essas pessoas que insistem na indagação vazia ou na polêmica improdutiva, talvez o melhor fosse encaminhá-los aos pais das crianças às quais nos referimos e aos tantos adultos que atravessam a vida tentando compreender a sua própria incapacidade diante dos desafios que a eles se apresentam para que eles, eles sim, quase sempre  incapazes de compreender a causa de tamanho sofrimento e da sua impotência para superá-los, pudessem expor  e explicar os dolorosos motivos que os fizeram sair em busca de respostas e eventuais soluções e que, na maioria das vezes, constataram ter valido a pena buscar auxilio profissional.

Pois bem, com o que coloquei acima, acabo de introduzir um outro e fundamental aspecto para que se compreenda o caráter e a dimensão  do “nosso“ problema: o adulto. Acontece que, como já dissemos, durante um longo período o chamado Transtorno do Déficit de Atenção foi tratado como uma questão médica, sim, sempre médica, mas confinada à infância e que, por isso mesmo, acabaria por se resolver “com o tempo”, como já dito antes . No entanto, todo o conhecimento acumulado ao longo das ultimas décadas (e a produção científica mundial a esse respeito, nesse período, é caudalosa) permitiu que se identificasse um caráter genético muito claro na gênese e na evolução do TDAH, com a evidência de um tipo de transmissão que é chamada “poligênica”, em que vários gens, e não um único gen, são responsáveis pela transmissão das múltiplas características clinicas destes pacientes (um bom número deles já identificados, os estudos genéticos nessa área são muitos e muito esclarecedores), o que vai conferir a esses pacientes características diversas. No momento em que esse caráter genético foi estabelecido muita coisa mudou, pois o que poderia ser puramente circunstancial passa a ter, pelo menos em parte (e que parte!), um caráter claramente biológico. E pudemos, a partir daí, não sem um certo grau de fatalismo e angustia, afirmar que essas pessoas, muito provavelmente, “nasceriam assim” e atravessariam toda a sua vida “assim”, já que não há, até onde podemos compreender a biologia humana nos dias atuais, qualquer possibilidade de mudar as nossas características genéticas, sendo  as chamadas terapias gênicas um campo ainda incipiente e restrito a algumas áreas bem especificas.

Ao lado dessas descobertas no campo da genética e da bioquímica cerebrais, estudos epidemiológicos levados a cabo em países e regiões as mais diversas do planeta permitiram identificar uma consistente coincidência de dados no que diz respeito à prevalência do TDAH, que se demonstrou ser muito semelhante (acomete algo em torno de 5% da população) nos mais diferentes países, mostrando que diferenças geográficas, climáticas, étnicas e culturais não têm influencia  significativa sobre uma eventual maior ou menor incidência do problema nas várias populações, sugerindo, também aí , de forma indireta, a importância do caráter genético do Transtorno. Ao mesmo tempo que essas evidências genético-epidemiológicas  foram ficando claras, mais e mais adultos com características que se aproximavam daquelas encontradas nas antigas  “crianças-problema”, foram sendo identificados em todo o mundo. Muitos desses adultos apresentavam uma historia pessoal, na infância e adolescência, de dificuldades afetivas, acadêmicas, sociais e da vida de relação, semelhantes àquelas longamente detalhadas aqui nos meninos e meninos. E foi assim que progressivamente, não de forma intempestiva ou impulsiva ou irresponsável, novos estudos clínico-epidemiológicos realizados em várias regiões do mundo evidenciaram o que se suspeitava: a maior parte (algo entre 60 e 80%) das crianças portadoras de TDAH seriam, ainda que com sintomas diferentes, adultos portadoras de TDAH, pelo simples e singelo motivo de que as características genéticas que moldaram e determinaram “parte” daqueles sintomas ainda estavam lá e lá permaneceriam para todo sempre. Por isso, e pela cada vez maior compreensão acerca do problema, cada vez mais adultos de todas as idades, em todo o mundo, passaram a buscar ajuda profissional no sentido de compreender e, quem sabe? encontrar soluções, mesmo que parciais, para problemas e dificuldades que os acompanharam por toda a vida, às vezes de forma dramática, determinando, frequentemente, uma incompreensível   e  surpreendente  impossibilidade de crescimento pessoal, emocional, afetivo, acadêmico e profissional, com toda a carga de sofrimento que, quase invariavelmente, acompanha essas pessoas. 

Novamente aqui é preciso retornar ao ponto de partida. Afinal, porque então apenas uma parte, ainda que a maioria, das pessoas continuaria vida afora com a as características do problema ? Se se trata de um problema genético não seria de se esperar que TODAS essas pessoas, igualmente, continuassem com as tais características? É nesse momento que será preciso muito cuidado e sensibilidade na compreensão da questão. Já foi dito aqui que a transmissão das características clínicas se faz de forma “poligênica”. Pois essa multiplicidade genética acaba resultando em cargas genéticas diferentes, de diferentes genes que vão determinar, também de forma absolutamente diversa, as características clinicas dos indivíduos. Dessa forma, mas não apenas por isso, NUNCA teremos duas pessoas portadoras de TDAH iguais uma à outra, os quadro clínicos se apresentando de forma extremamente variada. Ao lado disso, e de forma DETERMINANTE, o meio ambiente, aqui compreendido mais uma vez no seu conceito mais amplo, agirá de forma decisiva sobre essas características genéticas, modulando e modificando, não raramente de forma positiva, essas mesmas características e contribuindo, também aí, para que essas pessoas se apresentem com os seus traços únicos, sejam quais forem eles, bons ou maus, mas sempre únicos. Assim, é da rica e continua interação entre características genéticas e ambientais, interação que deve ser compreendida da forma mais adequada possível, sem que se ignore ou se negligencie qualquer desses aspectos, é daí, então, que surgem as características clinicas dessas pessoas que merecerão, sempre, abordagens e cuidados absolutamente diversos porque não são e não poderão ser, nunca, uma mesma pessoa e , por isso mesmo, não podem e não devem ser compreendidas ou tratados da mesma forma.

Por tudo isso, e para terminar, eu quero dizer que vejo a possibilidade do diagnóstico e do tratamento dessas pessoas, adultos ou crianças, de uma forma diametralmente oposta àquela colocada no artigo, e que não é nova para mim. É comum ouvir dos pacientes adultos  longas histórias de frustrações e fracassos, acompanhadas de tentativas e mais tentativas, frequentemente infrutíferas, de compreender, afinal, ”por que não deu certo? Por que sempre tanto esforço para resultados tão medíocres?”, numa busca incessante de respostas e  soluções que nunca chegaram. Pois bem, acredito que encontrar o diagnóstico e descobrir que se trata de algo biológico e potencialmente tratável pode significar a possibilidade de escapar  dessa  “armadilha” e, ao contrário da “prisão” sugerida pelo autor do artigo, pode significar, isso sim, e finalmente, libertação. No entanto, nada de euforia, pois será preciso entender que o processo de diagnóstico e a evolução do tratamento serão, inevitavelmente, longos, com altos e baixos, pois não haverá, nunca, nenhum medicamento ou qualquer outra forma de intervenção, que possa modificar ou fazer desaparecer, como num passe de mágica, problemas e dificuldades que marcaram por tanto tempo, e de forma quase sempre dolorosa, esses meninos e meninos, que chegaram e chegam à vida adulta sem compreender  por que, afinal, ”tudo foi e tem sido sempre tão difícil,dolorosamente difícil” ?

Bom, a intenção foi contribuir para a compreensão do problema e oferecer, além da minha experiência de mais de 25 anos de atividade profissional dedicada a essas pessoas, uma visão médica baseada em dados científicos. O que nós, médicos, podemos oferecer aos nossos pacientes é o que sabemos e o que sabemos deve estar baseado no conhecimento científico acumulado, não em impressões ou crendices ou convicções de outra ordem que não aquelas sustentadas pela pesquisa cientifica que, ainda que saibamos não ser infalível, e por isso mesmo não devemos abdicar da critica e da reflexão, continua sendo a melhor maneira desenvolvida pelo homem para o conhecimento de si mesmo e do mundo à sua volta.

Gostaria também que as pessoas, no caso de fazê-lo, não respondessem ou comentassem com a rapidez habitual, com a impulsividade que se vê nas comunicações via internet, de forma geral, e nos blogs em particular. Convido os seus leitores a ler, a se informar mais acerca do tema, se assim o quiserem, e a refletir.

Grato pela oportunidade,

Antonio Pereira Gomes Neto

Neurologista

Coordenador do Serviço de Neurologia Clinica da Santa Casa de Belo Horizonte
Coordenador da Residência Médica em Neurologia Clinica da Santa Casa de Belo Horizonte
Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Fabiana Carvalho

    30 de julho de 2014 2:24 pm

        Sou psicopedagoga, atuei

        Sou psicopedagoga, atuei alguns anos na rede pública atendo alunos/pacientes com diagnóstico de TDAH e também auxiliando na avaliação multidisciplinas de casos ainda sem diagnóstico. Presenciava angústias de crianças que não se “enquadravam” em nenhum grupo social da escola e adoslescentes que odiavam as horas angustiantes de sala de aula, famílias que buscavam ajuda e outras que não entendiam nem demonstravam se preocupar com esse sofrimento. Nesse período me tornei mãe de dois filhos (hoje um menino de 5 anos e uma menina de 3 anos) e o menino vem apresentado síntomas claros de TDAH. Meu sofrimento como mãe se tornou insuportável. Primeiro a negação, depois a culpa e o medo de estar errando na edcucação dele. Na maternidade há um envolvimento emocional que chega a ser irracional, então estou em busca de ajuda para meu pequeno que já sofre muito, na escola, nos eventos sociais e que causa exaustão, à nós pais, pela preocupação do que pode vir a acontecer em um dia normal de aula ou em um encontro de família. Sempre fui muito criteriosa com relação à medicação, pois concordo pelnamente com os diagnósticos preciptados, assim desde já estamos trilhando um caminho rumo ao diagnóstico consciente para qualidade de vida desse ser que tanto amo. Quando chegar a hora, se preciso for, a medicação será administrada com responsabilidade, pesando o que é mais importante, pois presenciar o sofrimento que esse mal causa e não  “socorrer” esse sofredor, para mim é uma negligência, chega a ser desumano. Parabéns pelo artigo!

    1. Kelly B.

      15 de outubro de 2016 8:06 am

      Cara Fabiana,
       
      É

      Cara Fabiana,

       

      É interessante conhecer a sua perspectiva. Confesso que ela me pareceu à primeira vista (e continua parecendo) paradoxa, pois seria de se esperar que você lidaria com facilidade com seu filho, dada a sua experiência e capacitação.

       

      Tive a impressão de que seu filho permanece não-diagnosticado e não-tratado, e você ainda estaria no processo de “aceitação” da existência da doença. E nesse meio tempo seu filho permanece prejudicado. Em qualquer caso o comentário que quero fazer é curto e direciona-se especificamente à sua preocupação e resistência ao tratamento medicamentoso: Eu sou homem, diagnosticado com TDAH e minha vida mudou COMPLETAMENTE a partir do início da medicação. Não consigo aqui em um espaço tão curto encontrar palavras para descrever a importância que essa medida teve em minha vida. É uma sensação de realização, de que as coisas finalmente começam a dar certo, de que você não é mais um refém de sua mente e sim que ela é um instrumento que você utiliza e domina. Lembro de ter lido em algum lugar uma analogia com um rádio fora de sintonia que finalmente é ajustado. É algo assim.

      Eu particularmente não sofro de absolutamente nenhum efeito colateral, mas observando casos semelhantes próximos a mim, tenho notado que os mais comuns são: ansiedade levemente aumentada (eu tive nos primeiros dias, mas era extremamente sedentário – cessou quando iniciei academia 2x por semana) e aumento do apetite. Essas pessoas próximas a mim todas concordam de primeira que, colocando na balança, a ocorrência destes efeitos é sem sombra de dúvida um pequeno preço que se paga, um preço muito pequeno, mesmo.

       

      Peço pessoalmente a você, e a futuros visitantes deste website, que não subestimem a importância da medicação nos casos de TDAH ou a desconsiderem indefinidamente devido a medo não-fundamentado e/ou ignorância.

  2. Karen Cristina

    7 de maio de 2016 11:48 pm

    Gostaria de ter lido tudo,

    Gostaria de ter lido tudo, mas nao consegui devido ao TDAH. E ainda há quem ache que é modismo…

    Pimenta nos olhos dos outros é refresco!

  3. Kelly B.

    15 de outubro de 2016 8:57 am

    Este comentário é uma

    Este comentário é uma resposta ao comentário feito por Lygia Viégas no dia 13/08/2012.

    “Se há poucas semanas atrás o Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria afirmou, com todas as letras, que “toda psiquiatria é subjetiva” (…) então, do que estamos falando mesmo?”

    O presidente da ABP era, na ocasião (e ainda é) o Dr. Antônio Geraldo da Silva. Não consegui encontrar, utilizando de extensiva busca na internet, tal citação proferida por ele. No entanto encontrei informação divergente. E ao contrário do que fez Lygia, irei citar minhas fontes.

    “Vou contar o que é psicofobia. Há milênios existe um grande preconceito contra doenças mentais.”

    “As pessoas não toleram que as outras mudem e que tenham perdas de produção. Aí dizem que é só preguiça, falta de vontade e até de caráter. Quem tem transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) sofre um preconceito monstruoso. (…) Virou moda dizer que essa doença não existe, que é inventada. Acontece que tem dois mil anos. Quero saber quem conheceu esse cara que a inventou.”

    “Tem o autopreconceito: “Não vou procurar um psiquiatra, não sou louco”. Só que isso muda completamente o prognóstico da doença, ela se torna crônica. O que mais queremos hoje é a intervenção precoce. Estimular uma mudança de comportamento aos primeiros sintomas para que nem seja preciso entrar com medicação. Claro que há casos em que ela é indispensável desde o início.”

    “As pessoas acham que é perigoso porque não sabem do que se trata.”

    Tudo o que eu copiei aqui acima foi dito pelo Dr. Antônio Geraldo ao jornalista Leonardo Cazes e está disponível no portal O GLOBO, tendo sido publicado no dia 1 de julho de 2015. Link: http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/antonio-geraldo-da-silva-psiquiatra-pai-do-estigma-se-chama-hollywood-16614786

     

    A única coisa publicada que se parece remotamente com o que comentado por Lygia é o seguinte trecho do livro Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: Teoria e clínica, publicado em 2014, ISBN 9788582711606, do qual Antônio Geraldo é co-autor, em seu capítulo 16, no subitem “Princípios das escalas de avaliação diagnóstica”:

    “(…) Dados e observações independentes que reforçam os critérios utilizados contribuem para dar confiança ao instrumento diagnóstico, uma vez que não se trata de um instrumento que mede elementos objetivos, mas de medidas de avaliação subjetiva. Por essa razão, certos procedimentos deverão ser considerados a fim de que se minimize o viés de subjetividade do instrumento, como, por exemplo, clareza da linguagem, precisão dos termos, uniformização da metodologia de aplicação, treinamento dos aplicadores, etc.”

    O autor em seguida procede discorrendo acerca da importância de metodologia adequada e apresenta algumas. O capítulo 16 é intitulado “Avaliação crítica das escalas de rastreamento”. Sua leitura como um todo não deixa dúvidas de que o autor defende justamente o contrário do que foi afirmado por Lygia.

     

     

    Ademais: Acredito ser muito provável que “Lygia Viegas” seja Lygia de Souza Viegas. Segue um excerto de sua descrição, extraído do portal wiftbrasil.org, por ela mesma:

    “psicóloga, mestre e doutora em psicologia escolar pelo Instituto de Psicologia da USP. (…) Professora da faculdade de educação da UFBA, dedica sua militância à luta contra a medicalização da vida.”

    Encontrei também uma longa matéria em que Lygia demonstra tal militância, no portal A TARDE, do dia 5 de julho de 2015, contendo inclusive um vídeo dela própria. A reportagem é de autoria da jornalista Tatiana Mendonça.

    Link da reportagem: http://atarde.uol.com.br/muito/noticias/1693347-viegas-precisamos-ver-potencia-ao-inves-de-ver-doenca

    Link do vídeo (intitulado “Medicalização da infância”): https://vimeo.com/133062807

    Não pretendo levantar aqui um ad hominem, ou seja, atacar a personalidade de Lygia, no entanto me chamou a atenção que ela afirma no vídeo (com todas as letras) que “a Ritalina tem o mesmo princípio ativo da cocaína”. Tal afirmação está muito longe de ser verdadeira. Isso é simplesmente algo ridículo de se afirmar.

    Se por acaso, alguém por infelicidade acredita realmente numa bobagem destas, recomendo as seguintes leituras:

    “Is Ritalin “Chemically Similar” to Cocaine?” – Artigo de 6 de janeiro de 2003, por Brendan Koerner, disponível no site slate.com: http://www.slate.com/articles/news_and_politics/explainer/2003/01/is_ritalin_chemically_similar_to_cocaine.html (em inglês)

    “Novo estudo mostra que Ritalina não causa dependência” – Artigo de 7 de janeiro de 2003, de autor não informado, publicado no Estado de São Paulo Online: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,novo-estudo-mostra-que-ritalina-nao-causa-dependencia,20030107p72619

  4. LEONARDO SOCCOL

    31 de maio de 2017 10:42 pm

    EXAME REALIZADO

    OLÁ DEIXO AQUI UMA PERGUNTA. O QUE QUER DIZER ESSE RESULTADO REALIZADO PELO EXAME SPECT

     

    Observa-se diminuição discreta da fixação do radiofármaco nas regiões frontais
    superiores, polos temporais e fronto-parietal direita.

    Comentários : Zonas de hipoperfusão discreta nas regiões acima descritas de ambos os
    hemisférios cerebrais.

    O QUE SIGNIFICA ISSO ACIMA

    TAMBÉM DEIXO ABAIXO OUTRA EXCLAMAÇÃO

    TRAÇADOS ATUAIS DE ELETROENCEFALOGRAMA COMPUTADORIZADO E MAPEAMENTO CEREBRAL ( BRAIN MAPPING)
    MOSTRANDO ” SURTOS DE ONDAS LENTAS DE PROJEÇÃO DIFUSA E BILATERAIS

    O QUE QUER DIZER ISSO

     

     

     

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