4 de junho de 2026

O debate entre Sarkozy e Hollande

Por Paulo F.

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Do Publico.pt

Sarkozy e Hollande, um debate a dois tenso e amargo

Por Clara Barata

 Sarkozy e Hollande enfrentaram-se num debate extremamente agressivo 

Sarkozy e Hollande enfrentaram-se num debate extremamente agressivo (AFP)

Um debate tenso, com Nicolas Sarkozy a atacar logo no início, ainda antes de começarem a debater. François Hollande tentou manter uma postura presidencial e inabalável, mas acabou por ficar nervoso. 

Ao longo do frente-a-frente entre os dois candidatos finais às presidenciais francesas – o único da campanha – Hollande conseguiu marcar várias vezes contra o Presidente Sarkozy, que as sondagens dão como o perdedor das eleições de domingo.

O jornalista de televisão Bastien Hughes deu o seu veredicto no Twitter: “Por ter visionado recentemente os debates de entre as duas voltas desde 1974, assistimos este ano (de longe) ao mais agressivo de todos”, disse, numa mensagem enviada para a animada linha de conversa #LeDebat que foi acompanhado o debate de duas horas e meia na televisão e transmitido também na Internet. 

Os jornalistas não fazem perguntas, simplesmente introduzem temas – e separaram os candidatos, quando a discussão aqueceu. Sarkozy tratou Hollande como “pequeno caluniador” quando o candidato socialista o acusou de ter feito nomeações da sua cor política para ministérios, administração pública e empresas participadas. 

Hollande encarou isto como um insulto pessoal, num debate que começou logo com grande agressividade e azedume. “Chamaram-me de tudo, um bestiário completo, todos os nomes de animais, é legítimo pensar que inspirados por si”, respondeu-lhe logo no início, quando Sarkozy se queixou de ter sido comparado ao colaboracionista marechal Pétain, que dirigiu o regime de Vichy, durante a Segunda Guerra Mundial. “Por que não Hitler”, interrogou, amargo.

Se houve uma disputa constante de números e factos, o debate, quando as sondagens dão 53% para Hollande e 46% para Sarkozy, foi também um choque de personalidades. “A sua normalidade não está à altura dos desafios. Mitterrand e De Gaulle não foram homens normais”, acusou Sarkozy. 

No final do debate, quando ambos os candidatos foram convidados a definir como seria o seu quinquenato como Presidente, François Hollande enumerou os seus princípios orientadores, iniciando sempre com a frase “eu, enquanto Presidente da República…” Muitas das suas ideias são bofetadas para Sarkozy: “Não serei chefe da maioria e não receberei os deputados do meu grupo parlamentar no Eliseu; não participarei na recolha de fundos para o meu partido; não terei a pretensão de nomear o chefe da televisão pública; farei funcionar a jkustiça de forma independente”. Outras foram promessas: um governo paritário, “com tantas mulheres como homens, em que os ministros não poderão acumular cargos no poder local”, e diálogo com os parceiros sociais, inclusivamente com os sindicatos, contra os quais Sarkozy entrou em conflito aberto. 

No Twitter, os comentários em torno de “moi, Président” fervilhavam.

A imigração foi um momento quente, em que Hollande marcou pontos, quando agarrou numa frase de Sarkozy em que falava dos imigrantes de países de fora da União Europeia simplesmente como muçulmanos, quando discutiam o direito de voto dos estrangeiros (que Sarkozy quer limitar).

“Por que é que diz que os estrangeiros não comunitários não muçulmanos? Hã? Por que é que diz isso ? Faz uma ligação com uma pertença religiosa ? Que consequências é que retira ?”,lançou-lhe Hollande, ganhando animação, ele que se esforçou por se manter tão quieto quanto possível ao longo do debate – só os olhos, que se abriam muito, traíam alguma emoção, e algumas hesitações para pensar no que iria dizer.

Sarkozy, cujos ombros não pararam de saltar, gesticulando na cadeira ao longo de todo o debate, teve noção de ter tocado um ponto sensível – mas que ele tem usado amplamente na sua campanha, e sobretudo na segunda volta, em que tem feito a corte aos eleitores da Frente Nacional de Marine Le Pen. “O direito de voto para os imigrantes essencialmente não tem a ver com os canadianos nem com os noruegueses, mas principalmente com as principais comunidades imigrantes em França: argelinos, malianos, nigerianos, etc”, responde o Presidente.

“Os países da África do Norte, do outro lado do Mediterrâneo, são de confissão muçulmana. As tensões comunitárias vêem daqui, não? Os problemas da República vêm da absoluta necessidade de ter um islão de França e não um islão em França”, sublinha Nicolas Sarkozy.

Hollande, que reconhece haver “demasiados imigrantes económicos em França” e propõe que todos os anos o Parlamento fixe as necessidades de imigrantes, lembra a Sarkozy que em 2008 este era favorável ao voto para os imigrantes. “Mudou de opinião, está no seu direito.”

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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