Como era cobrado a indulgência na Idade Média, quando voltou e porque?
O retorno das indulgências começou com o Papa João Paulo 2°, que autorizou os bispos a oferecê-las, em 2000, como parte das celebrações do terceiro milênio da Igreja. Mas as ofertas se ampliaram consideravelmente sob seu sucessor, Bento 16, que tornou as indulgências plenárias parte das celebrações de aniversários da Igreja nove vezes, nos últimos anos. A mais recente oferta está vinculada à celebração do aniversário de São Paulo, que se estendera até junho (2009).
Na opinião de líderes da igreja determinados a restaurar as tradições perdidas da penitência é urgente a necessidade do povo retornar às ideias que conheciam no passado.
O jesuíta Tom Reese lembrou que as confissões vêm diminuindo ano após ano. “Numa cultura secularizada, onde predomina a psicologia popular de autoajuda, a Igreja Católica quer pôr a idéia do ‘pecado pessoal’ de volta na equação. As indulgências são uma maneira de lembrar aos fiéis a importância da penitência. A boa notícia é que não as vendemos mais.” (NYTimes e FSP)
A Igreja Católica acredita que a salvação tornada possível por Jesus Cristo permite ao pecador fiel a admissão no céu. O batismo livra o registro do pecador e resulta no perdão completo de todos os pecados, mas qualquer pecado cometido após o batismo origina uma penalidade que não foi perdoada. Pecados mortais, que são praticados por malícia ou por livre consentimento, extinguem a graça santa da alma do fiel e condenam-no ao inferno. Para estes pecadores, a graça tem de ser restaurada pela perfeita contrição, administrada através do Sacramento da Confissão; mesmo nesse caso, permanece uma penalidade temporal devida a Deus que deverá ser expiada neste mundo ou no pós-vida. Outros pecados, menos graves, são perdoáveis e provocam uma penalidade devida a Deus, mesmo que não percam a salvação. Exemplos bíblicos de como a pena temporal deve ser paga podem ser vistos no fato de Davi, culpado por homicídio e adultério, mesmo depois de perdoado, teve como pena a morte de seu filho; também temos Moisés e Aarão que, embora fossem perdoados por Deus, tiveram que sofrer a pena de não entrar na terra prometida.
As indulgências removem, assim, algumas ou todas estas penalidades devidas pelos pecados dos fiéis; e pode ser feita em favor de si mesmo ou em favor de um defunto que está a ser purificado no Purgatório pelas suas penas temporais, dependendo da obra de indulgência. Ir ao cemitério rezar pelos falecidos, por exemplo, concede indulgência aplicável apenas a almas no purgatório.
O perdão total da pena temporal é a chamada Indulgência plenária, as demais são indulgências parciais. As indulgências parciais possuem um certo número de dias, significando que, se o fiel receber uma indulgência de 300 dias, deverá praticar uma boa obra, nas condições indicadas durante 300 dias, como por exemplo, ter jejuado a pão e água ou ajudar os pobres, porém segundo o catolicismo, “o que vale numa indulgência ou penitência não é a quantidade de dias de sacrifício ou jejum, mas o amor a Deus com que se faz algo“.
Em resposta às sugestões feitas ao Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI, esclareceu substancialmente a aplicação prática das indulgências, escrevendo: “Indulgências não podem ser adquiridas sem uma sincera conversão de perspectivas e de unidade com Deus.“
Repórter de Cristo – Leia mais: http://reporterdecristo.com/indulgencia-um-pouco-de-historia/ #ixzz1tYYWrrSR
A Igreja aboliu a venda da indulgencia em 1567.
Durante o Pontificado do Papa Leão X (1513 – 1521), essa prática atingiu o seu auge.
Seque aqui, uma lista com alguns dos perdões previstos e seus respectivos valores ou pagamentos.
1. O eclesiástico que incorrer em pecado carnal, seja com freiras, primas, sobrinhas, afilhadas ou, enfim, com outra mulher qualquer, será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2. Se o Eclesiástico, além do pecado de fornicação, pedir para ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deverá pagar 219 libras e 15 soldos. Mas tiver cometido pecado contra a natureza com crianças ou animais, e não com uma mulher, pagará apenas 131 libras e 15 soldos.
3. O Sacerdote que deflorar uma virgem pagará 2 libras e 8 soldos.
4. A Religiosa que quiser ser abadessa após ter se entregado a um ou mais homens simultaneamente ou sucessivamente, dentro ou fora do convento, pagará 131 libras e 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver em concubinato com seus parentes pagarão 76 libras e 1 soldo.
6. Para cada pecado de luxúria cometido por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo.
7. A mulher adúltera que pedir a absolvição para se ver livre de qualquer processo e ser dispensada para continuar com a relação ilícita pagará ao Papa 87 libras e 3 soldos. Em um caso análogo, o marido pagará o mesmo montante; se tiverem cometido incesto com o próprio filho, acrescentar-se-ão 6 libras pela consciência.
8. A absolvição e a certeza de não ser perseguido por crime de roubo, furto ou incêndio custarão ao culpado 131 libras e 7 soldos.
9. A absolvição de homicídio simples cometido contra a pessoa de um leigo custará 15 libras, 4 soldos e 3 denários.
10. Se o assassino tiver matado dois ou mais homens em um único dia, pagará como se tivesse assassinado um só.
A lista é longa, segue com pelos menos 35 condições de pagamento.
Para ler mais, consultar: O LIVRO NEGRO DO CRISTIANISMO – Autores: Jacopo Fo., Sergio Tomat e Laura Malucelli
Retirado do site: http://maniadehistoria.wordpress.com/a-venda-de-indulgencias-e-a-corrupao-na-igreja-catolica-medieval/
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