HISTÓRICO DA LINHA: A E. F. Bahia à Minas começou a ser aberta em 1881, ligando finalmente Caravelas, no litoral baiano, à serra de Aimorés, na divisa com Minas Gerais, um ano depois. Somente em 1898 a ferrovia chegaria a Teófilo Otoni, e em 1918, a Ladainha. Em 1930 atingiu Schnoor. Em 1941, chegou a Alfredo Graça, e, em 1942, chegou em Arassuaí, seu ponto final definitivo. A ferrovia originalmente pertencia à Provincia da Bahia; em 1897 passou a ser propriedade do Estado de Minas Gerais, para, em 1912, passar a ser administrada pelos franceses da Chemins de Fer Federaux de L’Est Brésilien até 1936, retornando nesse ano a ser uma ferrovia isolada. Em 1965, foi encampada pela V. F. Centro-Oeste e finalmente extinta em 1966. Embora tenha havido planos para a união da ferrovia com a Vitória-Minas, tal nunca ocorreu e ela permaneceu isolada.
A ESTAÇÃO: A estação foi inaugurada em 1881. Ficava na localidade de Ponta da Areia, aparentemente criada para ser o km zero da ferrovia. Em 1881, inauguraram-se os primeiros 500 metros da ferrovia a partir dessa estação, num gesto simbólico. Somente em 09.11.1882 é que a ferrovia começou a operar, chegando à serra dos Aimorés. Em 1893… “Só há um trem obrigatório por semana, o qual parte da estação de Caravelas (Ponta de Areia) às 6 horas da manhã, nos domingos, e chega a Urucu às 6 horas da tarde. Volta de Urucu às 6 horas da manhã, nas segundas-feiras, e chega a Caravelas às 6 horas da tarde. Os trens de cargas são em dias indeterminados, de acordo com as necessidades do tráfego; partindo quase sempre depois da chegada dos vapores ao porto de Caravelas” (Pedro Versiani: Relatório do engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Bahia e Minas, 1893). Já em 1908… “Devido a sérios distúrbios havidos em maio findo em Ponta da Areia, sede da estação inicial, do escritório central, das oficinas e mais dependencias desta Estrada, e no qual esteve envolvido quase todo o seu pessoal, não houve no ano findo (1908) a devida regularidade no tráfego desta estrada”. (Mensagem apresentada a Assemblea Geral Legislativa do Estado da Bahia na abertura da 1a Sessão Ordinaria da 10a Legislatura pelo Dr. João Ferreira de Araujo Pinho, Governador da Bahia, 1909). O que teria havido? Uma revolta? Por qual motivo? As condições da estrada não eram boas: no mesmo relatório, havia reclamações do engenheiro fiscal quanto ao estado dos trilhos, “estragados pelo uso de 25 anos”. A
estação, até os anos 1940, chamava-se Central. Somente nessa época é que teve o nome alterado para o da localidade. “De Caravela para Ponta de Areia, costumavam ir pessoas e cargas pequenas, como peixe. Lá, ancoravam navios que eram carregados com madeira bruta, que vinha de Aimorés, Argolo e Artur Castilho. Aquilo era tudo mataria. O Areriacararí era um navio de dois ou três porões, que saía pendendo de madeira. Tinha as pitombas, lugares que eram enchidos com madeira bruta. Em cada balcão daqueles, trabalhava-se com pranchas dia e noite, descarregando. Havia uma pessoa que ia emendando as toras em cordas, para embarcar nos navios” (Oronilides de Oliveira, ex-telegrafista da Baiminas). A estação foi fechada em 1966, com o fim das atividades da ferrovia. “Uma semana antes do carnaval de 1980 estive em Ponta de Areia para conhecer a estação. Infelizmente só havia ruínas. Segundo um funcionário da Aeronáutica que trabalhava na Base de Caravelas, e que tinha sido funcionário da E. F. Bahia-Minas, e transferido para a Aeronáutica após a extinção da ferrovia, o prefeito de Caravelas, do PMDB, queria fazer uma praça onde ficava o terminal de Ponta de Areia. Com medo do tombamento da estação por causa da música do Milton Nascimento, o prefeito autorizou a população a retirar todo material de construção que quizesse do prédio principal da estação. Assim tudo foi retirado. Fotografei o que sobrou: as ruínas da estação, do pier, das oficinas e a caixa d’agua” (Carlos Augusto Leite Pereira, 11/2007). “Ponta de areia, ponto final/da Bahia Minas, estrada natural/Que ligava Minas ao porto,/ao mar,/caminho de ferro/mandaram arrancar/Velho maquinista com seu boné/lembra o povo alegre/que vinha cortejar/Maria-fumaça não canta mais,/para moças flores,/janelas e quintais/Na praça vazia um grito, um ai,/casas esquecidas,/viúvas nos portais” (Ponta de Areia – Milton Nascimento e Fernando Brant)
(Fontes: Carlos Augusto Leite Pereira; Carlos Ralile; Oronilides de Oliveira; Pedro Versiani: Relatório do engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Bahia e Minas, 1893; Mensagem apresentada a Assemblea Geral Legislativa do Estado da Bahia na abertura da 1a Sessão Ordinaria da 10a Legislatura pelo Dr. João Ferreira de Araujo Pinho, Governador da Bahia, 1909; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)
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