
Jornal GGN – Polícia Federal -A Lei É Para Todos é “um filme muito bom para ser usado como exemplo de como fazer propaganda e manipular o espectador de maneira muito sutil.” É o que avalia o crítico de cinema Pablo Villaça, em uma análise divulgada em seu canal no Youtube, na quarta (30), após a pré-estreia da obra em Curitiba.
Segundo Villaça, “qualquer um que tenha o mínimo de honestidade e conheça o básico de linguagem cinematográfica percebe os elementos de propaganda no filme. É um filme político-partidário.”
O crítico afirma que o filme pontua positivamente quando expõe, de maneira didática, como a apreensão de um caminhão com palmito deu origem a uma operação do porte da Lava Jato. Porém, da caracterização dos personagens às tentativas de imprimir momentos de ação ao filme, há inúmeros erros e escolhas que tornam o produto final tendencioso. Uma ode aos policiais federais, “obviamente anti-PT”, que finge imparcialidade.
“Não tem problema que se faça no Brasil um filme de propaganda. O que incomoda é que haja a negação de que é uma propaganda e que ela seja caricatural, porque aí ela passa a ser ridícula”, disse Villaça.
Para Villaça, um dos piores momentos do filme diz respeito à discussão das “provas” encontradas contra Lula no caso triplex. “Se até então vinha sendo didático, o filme começa a deixar que elementos de evidências que não são evidências sejam apresentados com a mesma força que elementos bem mais sólidos apresentados antes”, disse. “O espectador tá do lado desses caras o filme inteiro. Quando eles dizem algo com contundência, o espectador médio tende a ouvir aquilo e absorver como se verdade fosse, sem questionar.”
O grampo em Dilma e Lula não é tratado como um vazamento por Moro que gerou um dos episódios mais polêmicos na operação. Ao contrário disso, arranca risadas do público pela empolgação que gerou na força-tarefa. “(…) um personagem diz: ‘Tá aí prova, tá aí o que a gente precisava, um complô para atrapalhar a Lava Jato’. Ele faz uma série de ilações que você que acabou de ouvir o áudio, mesmo sem conhecê-lo (na vida real), não vê nada disso. Mas como são protagonistas, você tende a não questionar aquilo.”
Segundo Villaça, outra técnica de propaganda utilizada é que os personagens são caricaturas, todos “preto e branco, sem tons de cinza.” Ou você é herói, ou você é vilão. Não tem meio termo. Isso cria no expectador a ideia de que ele precisa ficar do lado dos policiais e o impede de criar qualquer empatia com quem está no lado dos réus.
Sergio Moro, portanto, é apresentado como um “homem de família” – aparece mais conversando com filho e esposa em sua casa do que trabalhando no escritório.
Lula, por outro lado, é uma “caricatura” do mal. “As decisões de Ary Fontoura [intérprete do ex-presidente] como ator são obvias. Ele enxerga o personagem como um vilão e assim o vive. Todas as inflexões do Ary Fontoura e suas expressões passam para a plateia uma ideia de vilania.”
Assista ao vídeo abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=5iZo7mRDYKM
Eduardo Outro
31 de agosto de 2017 2:19 pmPor essa crítica entendemos
Por essa crítica entendemos que o diretor do filme é uma reencarnação de Goebbels. Peralá, acho que me enganei, deve ser de Walt Disney, com seus memoráveis filmes para crianças, como “Fantasia”. Peralá outra vez, não, nenhum dos dois, parece que não é possível reencarnar “pior”.
Franci
31 de agosto de 2017 2:26 pmTerrível
Deve ser igual a assistir a uma daquelas novelas mexicanas da Globo.
Terrível…
Hermes Cosme
31 de agosto de 2017 2:26 pmSou contra o “Culto à Personalidade”
Como li de algum comentarista, também sou contra o “culto à personalidade” e pior ainda se financiado com dinheiro público. Não existe almoço grátis!
Wilton Santos
31 de agosto de 2017 3:05 pmAcredito que boa parte dos coxinhas paneleiros, fã da lava jato
Acredito que boa parte dos coxinhas paneleiros, fã da lava jato e do juiz moro, não devem estar muito entusiasmado com o filme após terem aderido ao Plano de Demissão Voluntária e ficarem desempregados.
Renato Lazzari
31 de agosto de 2017 3:09 pmO problema seria a
O problema seria a deseducação do espectador, se o filme não fosse feito apenas para “pregar a convertidos”. Dificilmente as pessoas mais sagazes, que sentem necessidade de saber todos os lados das questões, vão assistir a esse filme. Resta a patuleia dos ex-paneleiros, agora tendo que optar entre dar calote na escola “americana” de seus filhinhos ou na concessionária – que pode tomar-lhes as SUVs que compraram com isenção do IPI – rindo da própria desgraça: um país de instituições fascistas e corrompidas, poderes econômico e político reconcentrados…
Ninguém
31 de agosto de 2017 3:17 pmSinceramente…
Alguém esperava que dessa cloaca curitibana surgisse alguma coisa que prestasse?
JoaoMineirim
31 de agosto de 2017 4:00 pmDuvido que tenha sido a
Duvido que tenha sido a apreensão de um caminhão de palmito que deu início à lavajato. Pode ter sido informalmente, mas EUA/BANESTADO/MORO/YOUSSEF/POLÍTICA era um link que já existia, só encontraram uma forma de acessar a ponta do novelo que no caso é o YOUSSEF.
Lucinei
31 de agosto de 2017 5:41 pm“Sutil”…
…Ai, ai…
“Sutil”…
…Ai, ai…
ze sergio
31 de agosto de 2017 5:59 pmsutil….
Cachorro atrás do rabo. O país de discussões rasas. É a Pátria da Inocência. Cospe pra cima e cai na cabeça. Não aprendemos nem mesmo com nossa História ou erros recentes. Manipulação com um filme? Mas não é uma peça de ficção? Não foi a mesma coisa destes anos todos de Patrulha Ideológica e do Politicamente Correto, nos Órgãos do Governo a respeito da Cultura? Embrafilme, por exemplo? Facilidades para Trabalhos com um certo cunho ideológico. A sabotagem descarada a Tropa de Elite I? A imposição de certa linha de mensagem politica no segundo? Não?! Então tá.
príamo
31 de agosto de 2017 5:58 pmhorário nobre
Em 2018, próximo ao dia da eleição do primeiro turno, esse filme passará no horário nobre da Globo. Não se enganem. Os efeitos serão muito negativos para a esquerda, esteja ou não Lula disputando a eleição.
Valmont
31 de agosto de 2017 7:09 pmPropaganda fascista
A propaganda (enganosa) caracteriza o momento de fascistização de setores da sociedade brasileira. O filme vem exatamente no momento em que ocorre certa desorganizaçãoe e refluxo do movimento fascista, por conta das revelações de certas verdades, antes encobertas, sobre o golpe. As máscaras caem e as “fichas” também. Então, o filme aposta na estupidez dos nossos midiotas (estupidez que jamais deve ser subestimada), na tentativa de reforçar o movimento dos camisas negras.