Higienópolis é um bairro que o tempo tornou meio atípico. No começo do século passado era ocupado pela burguesia cafeeira. Depois, foi mudando.
Tem alguns prédios de alto padrão, sim. Mas a maioria é para classes B e B+, muitos professores universitários, jornalistas, muitas famílias judias. O boom imobiliário recente despejou os prédios mais luxuosos em ruas mais discretas, na Tupi, na Santa Cecília.
Recentemente, criou-se a visão excessivamente elitista, no manifesto contra a nova linha do Metrô na Angélica. Mas a construção do Shopping Higienópolis – de luxo – suscitou enormes reações também, de famílias não querendo perder a rotina tranquila do bairro.
Mas, agora, estão extrapolando.
Na praça Buenos Aires, esquina da Bahia com Alagoas foi erguido um monstrengo de alto padrão, estilo mausoléu, sem arte, sem graça. Ainda não foi inaugurado, mas provavelmente os primeiros moradores já se mudaram para lá.
O quarteirão é utilizado pelo pessoal que gosta de caminhar. Em frente o mausoléu tem uma creche onde, de manhã, os passantes ouvem os gritos misturados de crianças e passarinhos.
Hoje de manhã a paisagem foi conspurcada por seguranças armados, de óculos escuros, estilo Tonton Macoute, vigiando o mausoléu encostados nas grades do parque, de costas para as crianças.
Espero que haja sensibilidade dos construtores para expurgar essa excrescência do bairro.
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