4 de junho de 2026

Mulheres machistas, por Thaís Raeli

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Por: Thaís Raeli

Semana passada, entrevistei a deputada estadual Inês Pandeló (PT-RJ) sobre o Dia Internacional da Mulher, aproveitando que ela é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). O foco principal do assunto só poderia ser a sociedade machista, mas achei interessante quando nossa conversa entrou para a definição da mulher machista.

Mulher machista não é aquela vizinha conservadora, que quer impor a moral e os bons costumes da Igreja Católica fazendo pregações na janela de casa. Essa provavelmente é só mais uma vítima da criação retrô e não sabe qual seu espaço na sociedade e aceita a imposta “supremacia” masculina porque não tem poder de questionamento.

Mulher machista é aquela que sabe o que está fazendo. Ela gosta de se sentir submissa e bate no peito para dizer “sim” quando lhe perguntam se o homem é um ser superior. Ela deixa ser humilhada e maltratada e, não se importa, porque ela aceita o comportamento do homem porque ele é homem. Isso nada afetaria a vida alheia, se não fosse um mundo tão cruel e cheio de violências contra as mulheres. As mulheres machistas passam de uma condição de aceitação para cúmplice ou vilã do homem agressor.

Existe o crime contra a mulher que é silencioso, vai além dos tapas e do xingamento. Muita gente entende a Lei Maria da Penha só quando a agressão é visível a olho nu. Mas, a agressão moral vai além disso. Está na desvalorização da mulher enquanto sua companheira. O homem impõe que para ficar com ele tem que aceitar ser humilhada e ser obediente, não pode questionar ou reclamar. E não necessariamente, as ordens surgem em tom agressivo e nem de homens que não tenham esclarecimento. Pode vir numa voz tranquila, de um homem jovem e que está ciente de que é machista, mesmo em pleno ano de 2012. Antes, eu imaginava que essa condição de aceitação vinha de mulheres de renda mais baixa que dependiam dele para o sustento da casa e, por isso, não reagiam. Mas, tem homem que mesmo impondo toda essa condição não é o “chefe” do lar.

A sociedade nos cobra sermos mães, companheiras, bonitas e boas profissionais e ainda chegamos em casa e nos colocamos na condição de inferioridade? Para a mulher machista isso é verdade e ainda se incomodam com as que não aceitam essa condição. A definição para o feminismo é a luta por igualdade e respeito e existem homens feministas. Enquanto, o machismo vai para o entendimento de que há uma “raça superior”. Trata-se do pontapé inicial de qualquer preconceito que a sociedade impõe, como o racismo ou a homofobia.

 O Dia Internacional da Mulher não é só uma data para registrar nossa presença no mundo, é mais um momento de reflexão e estarmos juntas nesse basta, que deixa muitas feridas, sofrimentos e causam mortes. Parabéns para aquelas que entendem a igualdade como um melhor lugar no mundo e ainda passam isso adiante.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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