Gráfico comprova que temática foi abordada por um em cada quatro parlamentares

Jornal GGN – Um gráfico feito com base nos discursos da sessão no Senado que aceitou a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma aponta que a categoria temática mais usada pelos parlamentares em seus discursos não foi “político”, “corrupção” ou “crime de responsabilidade”, mas sim “economia”.
O trabalho, realizado pelo professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que coordena o grupo de pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (Cpop), Emerson Urizzi Cervi revela que um em cada quatro termos expressados pelos senadores na sessão que durou 16 horas estava ligado a alguma sentença sobre a economia.
Tanto defensores do impeachment como opositores ao julgamento da presidente Dilma usaram a expressão em 26,8% e 29,1% dos casos, respectivamente.
“As diferenças nos discursos (…), inclusive nas abordagens sobre o mesmo tema – a economia – nos permitem imaginar o que se passa nas reuniões de gabinete de cada um dos dois grupos políticos”, pondera o pesquisador.
Veja as avaliações de Cervi, publicadas no Facebook, feitas um dia após a votação no Senado:
“Muito se comentará aqui sobre a noite passada. Muito mesmo. Então, vou deixar aqui algumas informações que, considero, podem ser úteis. Os gráficos tratam dos termos usados nos discursos dos senadores que discursaram durante as 16 horas de sessão. Eles estão divididos entre os que votaram a favor do impeachment e os contrários. Como já se pode imaginar, a categoria temática que predominou nos dois conjuntos não foi político, não foi corrupção (por óbvio) e não foi crime de responsabilidade (também por motivos óbvio). A principal categoria nos dois conjuntos foi “economia”. Um em cada quatro termos expressados na sessão estava ligado a alguma sentença sobre a economia. Eu continuo pensando que estamos passando por um autoimpeachment. Um impeachment que surge e cresce dentro da própria coalizão de governo. E o golpe está neste fato, não no parlamento. Ou seja, o golpe é de uma parte do governo sobre a outra parte, com apoio de quem está fora do governo.
No entanto, isso não significa que as duas partes rompidas representem a mesma realidade ou defendam as mesmas coisas. Justamente por serem distintas é que a ruptura começou. Ela se expandiu por outros motivos, claro, principalmente por incompetência política de quem até ontem era sócio majoritário da coalizão – PT – e que hoje foi expulso da sociedade e substituído por quem até ontem estava na oposição.
Bem, mas a questão é o que virá daqui para frente. As diferenças nos discursos de ontem, inclusive nas abordagens sobre o mesmo tema – a economia – nos permitem imaginar o que se passa nas reuniões de gabinete de cada um dos dois grupos políticos. “
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