Por Ronaldo Bicalho, do Blog Infopetro
Em um curto período de uma semana, no final de Outubro do ano passado, três grandes jornais anunciaram que os Estados Unidos estavam a um passo de alcançar a sua independência energética.
Se no New York Times as novas tecnologias redesenhavam o quadro energético mundial, no Washington Post nascia uma nova ordem petrolífera mundial, enquanto que no Financial Times o pendulo energético mudava o seu curso e passava a apontar na direção da independência petrolífera americana.
Por trás das boas novas encontravam-se os avanços na produção de petróleo e gás não convencionais – das areias betuminosas do Canadá à revolução mundial do shale gás – e na exploração offshore em águas profundas – do Golfo do México às costas brasileiras e africanas – que colocavam à disposição do ocidente um volume significativo de hidrocarbonetos que redesenharia completamente o mapa energético mundial; em detrimento do oriente médio, que perderia a sua relevância no suprimento da energia ocidental.
Nesse novo quadro energético, os Estados Unidos se fortaleceria como superpotência; principalmente, diante de uma China cada vez mais fragilizada em função da sua crescente dependência energética.
No limite, diante da garantia do suprimento energético, viabilizada pelo acesso aos recursos petrolíferos próprios e dos países amigos, o Oriente Médio deixaria de ser um problema americano passando a ser um problema chinês. Assim, segundo essa nova divisão geopolítica mundial, o ocidente cuidaria do ocidente e o oriente do oriente.
No entanto, essa proclamada interdependência energética americana deve ser vista mais atentamente.
Para começar, cabe lembrar que a dependência americana do petróleo do Oriente Médio é relativa. Afinal, menos de 20% do seu suprimento advém da região do Golfo.
Portanto, a presença dos Estados Unidos naquela região é muito mais para assegurar o fluxo de hidrocarbonetos para os mercados globais do que simplesmente garantir energia para o mercado americano.
Essa presença garante aos americanos um papel central na estruturação da geoeconomia e da geopolítica mundial. Para os Estados Unidos, abrir mão dessa presença significaria concretamente um rebaixamento no seu status geopolítico. (…) O texto continua no Blog Infopetro.
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