4 de junho de 2026

O futuro econômico do Brasil e o pensamento dentro da caixa

O noticiário econômico, hoje, tem como manchete as previsões da ONU de que aí vem uma recessão e fazendo previsões de que o crescimento brasileiro cairá a 2,7 por cento em 2012.
 
Claro que a economia mundial está num quadro que oscila da estagnação ao risco de recessão.
 
Mas o raciocínio é típico dos que reduzem o mundo econômico ao sistema financeiro.Do pessoal que não “pensa fora da caixa”.
 
Aqueles mesmos que riram da história da “marolinha”.
 
Claro que uma economia fortemente exportadora como a nossa depende do ritmo da economia externa. Mas eles não conseguem entender que o Brasil, agora, tem uma forte dinâmica econômica interna, também.Que depende, essencialmente, de consumo, salários e juros.
 
E que respondeu e responderá ao que se fizer nestas três áreas.
 
O grande acerto do Banco Central em cortar os juros em setembro, contra a “sabedoria do mercado” refletiu-se nos dados divulgados hoje sobre o crescimento da produção industrial em novembro (veja o quadro).
 
O pequeno erro de não insistir num ritmo de redução ligeiramente mais acelerado, quando a crise mundial já não admitia a visão de que fosse ser um fenômeno de curta duração, vai se refletir numa expansão mais modesta em dezembro.
 
Não foram os setores em que a taxa de juros influa na formação de preços os que evitaram que a inflação baixasse mais, embora não se tenha tido o efeito cabalístico do “estouro da meta”.
 
E não são eles – mas alimentos, transportes, serviços – que ainda conservarão a inflação de janeiro em nível significativo.
 
Este erro poderia ser consertado na reunião do Copom que começa hoje, mas dificilmente se irá além do corte de 0,5%, que já está nas contas do mercado.
 
E que, portanto, pouca diferença fará no custo do dinheiro. Consequentemente, na atividade econômica.
 
O governo já deu ao BC todos os sinais – e certamente os compromissos – de que a política de austeridade fiscal continuará.
 
Resta saber se o BC vai dar os sinais dos rumos da política monetária ou seguir a “tendência do mercado”.
 
E, claro, apanhar da mídia.
 
Por: Fernando Brito

Redação

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