4 de junho de 2026

Carta aberta aos profissionais da indústria do livro

Senhores(as) Escritores(as), Editores(as) e Profissionais do setor de livros

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Pretendo aqui levantar questões muito simples, para refletirmos juntos sobre o futuro da indústria do livro. Pois vivemos um momento de mudanças de paradigmas e é preciso criar novas soluções para velhos problemas. Portanto, permita-me usar um método socrático de reflexão, por meio de perguntas bem dirigidas. Espero que elas lhes despertem dúvidas. Claro que vou expor aqui meu ponto de vista, mas o objetivo é o diálogo e o compartilhamento de ideias. Dito isso, vamos ao tema.

1. A indústria do livro no Brasil quer se associar a ações de censura? Ações que tentam impedir o livre acesso aos produtos culturais?
A Lei Azeredo é isso! E setores empresariais do mercado editorial, por meio da ABDR, realizam uma forte pressão no Congresso Nacional para instaurar a censura na Internet brasileira e criminalizar os usuários que compartilharem arquivos digitais.

2. Será mesmo que essa é a melhor alternativa? Será mesmo que basta dizer, “pirataria é crime” e pronto, tudo se resolve?

Cidadãos comuns do mundo inteiro e inúmeras empresas ponto com se mobilizaram antes de ontem, dia 18/01/2012, contra os projetos de Lei dos EUA: SOPA e PIPA. Estes projetos de Lei visam criminalizar e censurar sites e usuários que disponibilizarem arquivos protegidos pelas LDAs (Leis de Direitos Autorais) na Internet.
Ocorre que, ontem, mesmo sem ter o SOPA aprovado no Congresso Americano, o FBI tirou do ar um dos maiores sites de compartilhamento de arquivo do mundo, o Megaupload; e prendeu o dono do site! O que foi no mínimo arbitrário, já que ainda não existe legislação suficiente para isso. Agindo desta forma, o governo dos EUA ignorou o apelo mundial contra o SOPA, o PIPA e a Censura na Internet.
Em resposta à ação arbitrária dos EUA, um grupo internacional de ativistas que se nomearam como “Anonymous” iniciou uma ação global de retaliação, chamada #opMegaupload. Esta ação foi acompanhada e apoiada, em tempo real, por milhões de pessoas ao redor do mundo, por meio da Internet e das redes sociais (o #opMegaupload esteve no trends topics do Twitter Mundial. É isso mesmo, Mundial!). O que os “Anonymous” fizeram? Eles derrubaram os sites da Warner Music, da Casa Branca, da Justiça dos EUA, do FBI, entre outros.
Apesar de alguns pouquíssimos textos publicados hoje pela imprensa tradicional não deixarem claro qual a motivação destes ativistas e nem o sucesso obtido por eles na derrubada dos sites de instituições como: do FBI e da Casa Branca, a verdade é que obtiveram sucesso, sim! Quem estava on-line na noite de ontem, 19/01/2012, no Twitter, pôde comprovar que os sites do governo norte-americano caíram. (ver matéria sobre o tema em: http://www.huffingtonpost.com/2012/01/19/anonymous-megaupload_n_1217418.html)

Dito tudo isso, volto à pergunta:

A indústria do livro deseja se associar aos censores?

3. Deseja ter sua marca manchada, como ocorre com a Warner Music? Ou como a Disney? Sim, as marcas sofreram grande desgaste, porque essas empresas insistem em ir contra os interesses da sociedade. Vale a pena?

4. Não há como criar soluções que integrem o interesse público e o interesse privado?
Claro que há!!!!! É disso que venho falando há algum tempo (ver textos aqui), mas com uma repercussão pequena no meio editorial. Vamos aprender com os erros da indústria fonográfica e cinematográfica! Vamos criar alternativas que integrem os desejos da sociedade. Vamos criar soluções que respeitem o leitor e que permitam a livre circulação do conhecimento.

5. Estou disposta a pensar em soluções! Quem quer participar?

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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