Sempre tive a dúvida sobre como ocorre o planejamento da direita. Será que os mais expressivos representantes do capital reúnem-se em uma sala para pensarem a estratégia de enfrentamento de determinada questão? Mas, quem define quais são os mais expressivos? Permitam-me um parêntese. Algumas pessoas dizem que não há mais o corte de direita e esquerda na sociedade. Desejo não entrar nesta discussão, entretanto, peço que onde se lê “direita” entenda-se “aqueles que privilegiam o capital ao trabalho” e, de forma análoga, a “esquerda” é formada por “aqueles que privilegiam mais o trabalho”.
Retornando ao tema, uma reunião deste tipo os deixaria muito mal, porque passaria que estariam tramando contra a sociedade. Seus integrantes devem telefonar bastante de aparelhos seguros, impossíveis de serem grampeados. Devem se encontrar muito, em pequenos grupos. Falo sobre isto porque, pelo comportamento deles com relação ao caso crucial das denúncias do jornalista Amaury Ribeiro Jr, tenho certeza de que combinaram tudo. Este é um exemplo didático de como a direita age de forma pensada e, somos obrigados a reconhecer, de forma magistral, malignamente magistral.
Primeiramente, combinaram que todos os canais da TV aberta, exceto a Record, e todos os grandes canais da TV paga ficariam mudos com relação ao lançamento do livro deste jornalista, “A Privataria Tucana”. Que eu saiba, todos os grandes jornais, exceto notícia escondida dentro de uma entrevista em um deles, todas as revistas semanais, exceto a Carta Capital, não noticiaram nada. Com as rádios deve ter acontecido algo parecido.
Assim, como diria o falecido jornalista e antigo deputado federal Marcio Moreira Alves, “se o fato não apareceu na mídia, nunca existiu”…

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