Da Agência Estado
Preço dos imóveis deve ficar estável em 2012, diz CBIC
BRASÍLIA – O preço dos imóveis no mercado brasileiro deverá se manter relativamente estável nos próximos anos, na avaliação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Sady Simão. ‘Vimos um aumento significativo no passado recente e houve até excessos que já se acomodaram. Mas não vejo motivo para os preços aumentarem e tampouco baixarem’, avaliou.
De acordo com Simão o crédito imobiliário hoje representa 5,1% do PIB, ainda muito distante de países da América Latina, como o México, que hoje está em 12,5%. ‘Mesmo se dobrarmos o nosso nível não haverá problemas. Não há bolha coisa nenhuma’, descartou. Segundo ele, 2012 será um ano positivo para o mercado mobiliário brasileiro e da construção civil, apesar da crise externa e de ser também um ano de eleições municipais, que poderia prejudicar o setor, com a suspensão de novos contratos.
Para Simão, o mercado imobiliário brasileiro precisará de novos fundings, mas não se trata de uma necessidade de curtíssimo prazo. ‘Temos tempo pela frente para construir novos fundings para o mercado. Mas não se trata de algo urgente’, declarou.
De acordo com ele, a crise externa tende a dificultar um pouco a oferta de crédito, mas o cenário seguirá positivo para o setor da construção civil, em 2012, devendo crescer 5,2%. Safady destacou que enquanto o crédito brasileiro registrou um crescimento de 18% este ano, a construção civil viu a captação de crédito ampliar-se em 38%. Ele destacou que a maior parte dos recursos é proveniente da poupança, que este ano contribuiu com R$ 80 bilhões e o FGTS com 28 bilhões. ‘São dados reais e que tendem a se repetir em 2012’, previu.
Para Safady por causa da crise internacional, muitos estrangeiros não se sentem seguros em investir em aplicações habituais pelo mundo e isso pode ser uma janela de oportunidades para o Brasil e para o setor. ‘O que já foi bom este ano poderá ser melhor no ano que vem’, considerou.
O empresário comentou ainda que o Brasil já passou por diversas crises e que nesse período a poupança doméstica só tem crescido. Mesmo assim o setor tem discutido como o governo, em especial com o Banco Central, para tentar abrir novas frentes de oferta de crédito. Ele defendeu, por exemplo, a busca de funding por meio da redução dos compulsórios aos bancos.
Safady relatou ainda que o setor tem pensado no instrumento da securitização. Ele defendeu a ampliação do uso das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) mas disse não ser muito a favor de um recurso usado no Exterior que é o covered bond. ‘Isso tem sido usado no mundo inteiro, mas possui riscos sérios, como a existência de muitos intermediários, porque amplia os riscos para o consumidor’.
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