De acordo com Simão o crédito imobiliário hoje representa 5,1% do PIB, ainda muito distante de países da América Latina, como o México, que hoje está em 12,5%. ‘Mesmo se dobrarmos o nosso nível não haverá problemas. Não há bolha coisa nenhuma’, descartou. Segundo ele, 2012 será um ano positivo para o mercado mobiliário brasileiro e da construção civil, apesar da crise externa e de ser também um ano de eleições municipais, que poderia prejudicar o setor, com a suspensão de novos contratos.

Para Simão, o mercado imobiliário brasileiro precisará de novos fundings, mas não se trata de uma necessidade de curtíssimo prazo. ‘Temos tempo pela frente para construir novos fundings para o mercado. Mas não se trata de algo urgente’, declarou.

De acordo com ele, a crise externa tende a dificultar um pouco a oferta de crédito, mas o cenário seguirá positivo para o setor da construção civil, em 2012, devendo crescer 5,2%. Safady destacou que enquanto o crédito brasileiro registrou um crescimento de 18% este ano, a construção civil viu a captação de crédito ampliar-se em 38%. Ele destacou que a maior parte dos recursos é proveniente da poupança, que este ano contribuiu com R$ 80 bilhões e o FGTS com 28 bilhões. ‘São dados reais e que tendem a se repetir em 2012’, previu.

Para Safady por causa da crise internacional, muitos estrangeiros não se sentem seguros em investir em aplicações habituais pelo mundo e isso pode ser uma janela de oportunidades para o Brasil e para o setor. ‘O que já foi bom este ano poderá ser melhor no ano que vem’, considerou.

O empresário comentou ainda que o Brasil já passou por diversas crises e que nesse período a poupança doméstica só tem crescido. Mesmo assim o setor tem discutido como o governo, em especial com o Banco Central, para tentar abrir novas frentes de oferta de crédito. Ele defendeu, por exemplo, a busca de funding por meio da redução dos compulsórios aos bancos.

Safady relatou ainda que o setor tem pensado no instrumento da securitização. Ele defendeu a ampliação do uso das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) mas disse não ser muito a favor de um recurso usado no Exterior que é o covered bond. ‘Isso tem sido usado no mundo inteiro, mas possui riscos sérios, como a existência de muitos intermediários, porque amplia os riscos para o consumidor’.