Por Fabio Lucio
Uma questão necessária é: se não promover a cólera, qual é a alternativa da oposição ao governo petista? Vejamos alguns caminhos alternativos à promoção da cólera para tentar entender por que a oposição tem poucas alternativas a passar por Torquemada de fancaria:
A) A oposição poderia promover a partir dos estados com equipamentos inovadores (Paraná, São Paulo, Minas, que contam com agências de fomento com recursos) polos de inovação. Isso seria uma alternativa clara e contrastante com o permanente e absurdo contingenciamento promovido pelo governo federal (FHC, Lula e Dilma) dos recursos para a inovação, solapando os fundos setoriais. Que bela bandeira. Por que não faz isso? Porque esse tipo de investimento leva tempo para dar frutos, provavelmente quem os colheria seria seria o governador seguinte. Mas os atuais governadores poderiam fazer uma bela exposição dos números, convocar a classe científica e tecnológica para falar, as empresas etc. Suspeito também que não o faz porque espera que a iniciativa privada inove (o DNA liberal privatista é forte). Suspeito também que haja uma certa falta de vontade ou incapacidade de planejar. Aqui em São Paulo, por exemplo, há uma autarquia encarregada de pensar o planejamento metropolitana, a Emplasa, que ninguém sabe o que faz, enquanto o trânsito na região metropolitana explode. Para não dizer que ninguém planeja o trânsito em São Paulo, há muitos projetos, porém todos eles na esfera privada. A CCR, por exemplo, já planeja tomar conta da Raposo Tavares, gastando 1,6 bilhão em obras, ao preço de ir colocando pedágios no trecho inicial da rodovia. Parece que o governo estadual gostou da ideia, é claro. E a Fundação Seade, criada pelo Montoro para pensar o estado? Alguém está ouvindo falar?
B) A oposição poderia pensar uma alternativa real à política econômica que envolva o enfrentamento aos juros altíssimos. Isso realmente provocaria um debate necessário para o país. Mas sua inteligentsia é toda do setor financeiro. Como contrariar os bancos se os quadros da oposição saíram ou ainda são de lá? A oposição mais radical, o PSOL por exemplo, está nadando de braçada nisso, mas fala para quem?
C) A oposição poderia levantar a bandeira da reforma políitica. Está tentando com a história do voto distrital. Mas é pouco e questionável. Como fica a questão dos senadores sem voto? O plano de saúde do Senado (estamos pagando pela saúde de milhares de parentes, e alguns senadores de verão ficaram lá apenas um ou dois meses). Poderia focar a questão dos cargos comissionados etc. Mas como prejudicar o já frágil cimento com os aliados? Estamos falando do DEM, que se dá bem na política tradicional, pouco animada com reformas.
D) A oposição poderia levantar uma bandeira local qualquer e tentar transformá-la em bandeira nacional. Como fez Collor com a caça aos marajás. Mas cadê um projeto local da oposição que seja digno de subir ao pedestal?
Enfim, tá difícil mesmo. Mais fácil é acusar de fazer aborto e sustentar vagabundo, tem mais apelo.
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