O Globo
WASHINGTON – Contrariando as denúncias dos EUA contra o Irã, renomados especialistas em segurança afirmaram que o suposto complô para matar o embaixador saudita em Washington destoa claramente da maneira como a inteligência iraniana atua no exterior. Confira a seguir algumas das perguntas sem resposta sobre o assunto, segundo analistas:
Meir Javedanfar, analista iraniano especialista em Oriente Médio
Por que o Irã mandaria o dinheiro do assassinato por um banco, processo que deixa muitos rastros?
Bob Baer, ex-agente da CIA no Oriente Médio e analista de inteligência
Por que uma unidade de elite profissional como a Força Quds agiria de forma tão amadora e assumiria riscos tão grandes de repente?
Que importância tem um embaixador saudita nos EUA, uma vez que ele não é da família real e há outros alvos que serviriam melhor aos interesses iranianos?
Gary Sick, professor da Universidade de Columbia e ex-membro do Conselho Nacional de Segurança dos EUA
Por que o Irã lançaria mão de uma gangue mexicana não islâmica, sabidamente infiltrada por policiais mexicanos e americanos, para levar a cabo essa operação?
Alireza Nader, iraniano radicado nos EUA e autor de um estudo sobre a Guarda Revolucionária
Por que o Irã ordenaria um ataque que pode aumentar a pressão internacional sobre o país – que o regime procura diminuir, no interesse de sua própria sobrevivência – e pôr em risco suas estratégias e objetivos?
Kenneth Katzman, membro do Serviço de Pesquisa do Congresso
Por que o serviço de inteligência do Irã usaria um ex-vendedor de carros para fazer o atentado, quando seu modus operandi é utilizar gente própria ou agentes de grupos confiáveis, como o Hezbollah e o Hamas?
Muhammad Sahimi, analista do site Tehran Bureau
Por que o regime iraniano, que mesmo no auge de sua campanha de assassinatos no exterior nunca mandou matar um não iraniano, tomaria tal decisão agora? Que benefício isso traria?
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