Lira dos 40 anos, aos 36
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Eu estou só.
Quando eu era jovem,
Se um dia eu fui jovem,
Fazia me acompanhar,
Das minhas próprias palavras.
Elas me eram fáceis:
“Eu te amo”, “Meu amor”
E, não raro,
Em pleonasmo vicioso,
“Eu te amo, meu amor”.
Mas, hoje, mudo
Eu estou só.
Quisera amar
E me acompanhar do meu amor
Como os que amam
Em segredo, em solidão.
Esse tipo de amor quase egoismo,
Quase injusto de tão afortunado,
Não se corroi na rotina
Nem se magoa com o dia-a-dia de amar.
Ou , então , ao menos
Um pequeno amor
De fim de tarde, de bela da tarde,
De boca da noite, porque
Os que amam, enfim e de qualquer forma,
Podem estar sozinhos
E não estão sós,
Eu estou só.
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