4 de junho de 2026

O espanto com a nossa imagem refletida pela Câmara, por Mauro Iasi

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Enviado por Almeida

Do blog da Boitempo

 
Mauro Iasi

Acho que não podem me escutar…
e tenho quase certeza de que não podem me ver.
Alguma coisa me diz que estou invisível…”

– LEWIS CARROLL, ALICE NO PAÍS DO ESPELHO

Há muito tempo atrás você descobriu com inebriante alegria e espanto sua imagem refletida no espelho, mais ou menos quando você tinha seis meses de idade. Em um momento, nos lembra Jacques Lacan, no qual você era menos inteligente que um chimpanzé, mas demonstrou a incrível capacidade de se reconhecer sua imagem no espelho. Este processo que o psicanalista francês afirma se estender até os dezoito anos, o chamado “estádio do espelho”, seria uma identificação, isto é, uma “transformação produzida no sujeito quando assume uma imagem”.

A função do estádio do espelho seria estabelecer uma relação com a realidade, um nexo entre o mundo interior e o mundo exterior, mas deixemos as pertinentes e profundas reflexões lacanianas (por vezes impenetráveis), por um tempo, para nos debruçar na análise de um fenômeno mais prosaico.

No último domingo, um grupo de pessoas que se caracteriza por ainda guardar alguns resquícios de bom senso e capacidade intelectiva, ficou chocado com o ritual grotesco da sucessão de discursos que antecediam os votos dos senhores e senhoras deputados e deputadas. Produziu-se em massa um fenômeno que popularmente conhecido como vergonha alheia, isto é, o embaraço que causa uma pessoa que paga um mico colossal e perece ser incapaz de ela própria expressar a vergonha que lhe caberia, levando as outras pessoas, gentil e sofridamente, a sentirem vergonha por ela.

Poderíamos começar pelo óbvio, ou seja, pelo fato dos deputados federais, com um tempo exíguo, falarem de tudo menos do assunto em pauta. É certo que sabíamos que deputado nenhum vai ler mais de trinta pastas e treze anexos, coisa que ele normalmente deixa para o trabalho de assessores. Mas o cara podia ao menos falar do tema, da denúncia, dos argumentos, para depois proferir o voto pelo sim ou pelo não.

No entanto, creio que isso não espante mais ninguém, com ou sem bom senso. O estranhamento começou antes mesmo daqueles habitantes do lago Cocite, mais conhecido como o nono círculo do inferno de Dante, iniciarem sua fala. Acharam por bem se vestir com a bandeira nacional, colocar fitas na cabeça, justo eles que tinham a preferência pelo cinza, o terno e o tailleur, como forma de produzir a única padronização possível, já que ali ninguém é igual nem perante a lei.

Logo em seguida o estranhamento se expressa na ansiosa necessidade de aparecer, portanto cartazes ridículos, mas ainda assim, menos ridículos que as feições dos que os portavam. Os nobres parlamentares comportavam-se como aquela malta que desprezam. Como aquele sujeito que se coloca atrás do entrevistado nas ruas para aparecer no enquadramento da câmara, para logo em seguida não saber para onde olhar, expressando em sua face o pensamento recôndito que grita para si mesmo, “mamãe estou na TV”, com um sorriso bobo e o olho indo de um lado para outro, como que procurando alguém que pudesse depois comprovar o feito.

O choque que se produz na nossa percepção é inevitável. Em um momento dramático e sério da vida política, que pode culminar em nada menos que o afastamento de uma presidente eleita (porque tem também os presidentes que não são…), aqueles deputados estavam, para dizer o mínimo, eufóricos. Manifestavam uma alegria infantil. Bastava alguém com presença de espírito forrar a mesa com decorações do homem aranha ou da pequena sereia, distribuir balões e chapeuzinhos, colocar um bolo e umas velinhas e todos cantariam parabéns a você (na versão da Xuxa).

Mas, aí eles começaram a falar. O companheiro Gilberto Calil, num ímpeto estatístico e sadomasoquista, resolveu copilar as palavras chaves que abriam os discursos, até as 23h10, quando se somava 477 votos. A grande maioria (92 citações) referiu-se à sua família (esposa, filhos, pai, mãe, avó, avô… gostaria de lembrar aqui minha querida tia Antonieta que sempre guardarei na memória com afeto e admiração). Segue-se a referencia a Deus (43 citações) que, preocupado com a crise política e moral brasileira, certamente está preparando um dilúvio ou algo mais forte, além das seis pragas que faltam (a primeira, que é o mosquito multitransmissor de dengue, zika e chikungunya, já veio) para ver se consegue acertar o Cunha de alguma forma.

Chamou-me a atenção o fato que as referências ao Brasil (60 citações) e aos eleitores, que vêm logo em seguida, perdem para as referencias diretas ao estado do deputado(a) e sua cidade (69 citações). Aquelas figuras são deputados federais. O bairrismo grosseiro é algo assustador, voto aqui pelos mineiros, os baianos que se virem, voto aqui pela progressista cidade de Cotia (o que me lembra que esqueci de citar um amigo de meu avó paterno).

Significativamente, o fim da corrupção foi citado apenas dezesseis vezes. As chamadas pedaladas foram citadas apenas duas vezes. Dá até para imaginar um colega deputado tentando soprar para o cara do microfone, “Psiu, fala das pedaladas!”, “O que, pedaladas? O que tem haver as pedaladas? Queria agradecer aqui publicamente ao meu personal trainer!”

Uma pessoa de bem – certamente haverá algumas pessoas de bem naquela malta grotesca – ao tentar encadear um raciocínio elementar, considerando as denúncias apresentadas, os argumentos jurídicos e políticos apresentados, refletindo sobre o processo orçamentário e aquela sugestão indicativa que recebe o nome de Constituição Federal, receberia a reprovação dos olhares bovinos de seus colegas e ouviria do réu confesso que presidia a sessão: “como vota o deputado”!

As pessoas de bom senso estão como que atordoadas. Não é exatamente raiva que sentimos, seria um misto de espanto e pena, além, evidente, de uma vergonha que quase nos leva a comprar um bloco de papel de carta e começar a escrever a todos os povos do mundo para que busquem compreender, se possível relevar e, quem sabe um dia, nos perdoar por este espetáculo grotesco.

Creio que há duas expressões, muito distintas, que expressam a carnavalização política que nos foi imposta. O deputado do Solidariedade, notório pelego, corrupto comprovado e deputado medíocre, um rato chamado Paulinho da Força, encaminhando o voto daquilo que chama de partido, cantou uma parodia tendo por base uma música de Vandré (“Para não dizer que não falei de flores”) em que enxotava Dilma e pedia que levasse o “vagabundo do Lula com você”. Outra foi a homenagem do fascista Bolsonaro ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Imediatamente, centenas de corpos dilacerados levantam-se de suas tumbas, conhecidas ou não, carregam seus hematomas, as unhas arrancadas, as feridas abertas na carne e na alma, se fazem acompanhar de ausências, de famílias destruídas, de filhos que não conheceram seus pais, de abraços no vazio, de cadeiras sentadas à mesa do sofrimento, de oceanos cruzados por exílios, de poetas escrevendo com sangue e ira, de músicos calados, artistas em busca de suas mãos e sonhos, de militantes… levantando como uma onda de proporções tsunâmicas diante da pequenez medíocre daqueles vermes engravatados.

 

Talvez nunca consigamos apagar a ignomínia deste ato. São daquelas marcas que não saem com água e sabão, com autocrítica e perdão, são cicatrizes que persistirão para sempre para nos lembrar, para não nos deixar esquecer.

As pessoas sensatas, que gostam de acreditar que são racionais, olhavam para o vídeo que azulava à noite irracional. Nosso desconforto aumentava a cada vez que ouvíamos uma expressão hecatômbica: “representantes”.

Eis que a tela da TV convertia-se em um espelho. Aquilo… somos nós? A dialética temporal das projeções e reflexos que impactam o sujeito pelas imagens que o constituem, deformam-se, fragmentam-se, produzem o “rompimento do círculo do mundo interno para o mundo externo, gerando a quadratura inesgotável das enumerações do eu” (Lacan, “O estádio do espelho”). O corpo despedaçado. Como num filme de terror, ou em um pesadelo, quando olhamos para o espelho e de lá nos olha alguém que não somos nós, até que pela mão do diretor ou da psicanalista, chegamos à dramática sentença: “Tu és isto”.

Aqui, no âmbito do juízo político, podemos coletivamente nos insurgir contra o espelho, ainda que como indivíduos isolados nos reste a depressão. Não, não somos isto. Isto é aquilo no que nos transformaram. Já passou da hora de aprender com Alice e olhar o que está atrás do espelho.

***

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

 

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11 Comentários
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  1. drigoeira

    25 de abril de 2016 11:10 am

    O Congresso é o que o povo pariu????

    Não, nunca! Este Congresso é originario da Ditadura. Todos os benefícios deixados nesta época foram permanecidos na Constituinte. É uma forma de perdurar a corrupção no país.

    1. lfmrodrigues

      25 de abril de 2016 12:57 pm

      dureza

      é duro mas é preciso enfrentar o espelho. este congresso é a representação da vontade do povo em um dia de outubro de 2014. falar do dia é importante. se a eleição fosse a 16 de abril de 2016 é provável que o choque fosse ainda maior.

  2. Fernando Cravo

    25 de abril de 2016 11:12 am

    Um problema

    Aquilo não é o espelho do Brasil: é o espelho do sistema político do Brasil, eviidentmente distorcido.

  3. Centelha, o retorno

    25 de abril de 2016 12:28 pm

    Lá vem a República dos Canalhas…

    Acaba de ser instaurada no Brasil a República dos Canalhas. Eles descobriram domingo que detêm mais de 2/3 da Câmara. Logo descobrirão que têm 2/3 ou mais do Senado. Se puderem impixar a Dilma sem crime de responsabilidade, com a complacência do STF, podem literalmente tudo: terceirizar geral, cancelar a CLT, revogar a Lei Áurea, decretar o Estado Evangélico no Brasil (versão tupiniquim do Estado Islâmico); podem até restaurar a Monarquia, nomeando Eduardo Cunha Imperador do Brasil.

    1. CB

      25 de abril de 2016 4:17 pm

      República de Bananas

      República de Bananas Canalhocrática Evangélica do BraZil.

  4. emerson57

    25 de abril de 2016 12:47 pm

    calendário

    A um ano coxinha olhava no espelho e via j. barbosa e eram todos barbosa.

    Depois na caminhada plágio de Foret Gump, todos eram Kinta Katiguria,

    A algum tempo viam no espelho um tal de mouro,

    Recentemente são milhões de Kunhas,

    ………..Pensando bem eles ainda não chegaram aos seis meses de idade para se reconhecerem. Aliás nem o espelho eles sabem o que é. Isso no qual pensam que veem sua imagem refletida é a tela da rede globobo de televisão.

  5. rdmaestri

    25 de abril de 2016 1:32 pm

    Não concordo com o professor.

    Causa-me espanto que alguém que pertence a um Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas, e membro do Comitê Central do PCB, faça uma análise que não leva em conta a história do povo brasileiro, e aqui estou falando não só do proletariado, mas também da pequena burguesia. Vou falar uma coisa que me parece óbvio para um intelectual marxista, a história deve ser analisada como um filme e não como uma foto!

    Não podemos esquecer as raízes históricas do povo brasileiro, somos na América Latina o povo culturalmente mais atrasado, lembro ao eminente professor que no início do século XX éramos 17 milhões de brasileiros sendo que somente 10% destes viviam nas cidades, chamo atenção que a colonização portuguesa sempre foi a mais eficiente em manter o seu domínio principalmente porque mantinha as populações isoladas e completamente iletradas.

    Geralmente as pessoas que tem mais senso crítico são pessoas que descendem de famílias com grau de escolarização elevada há várias gerações, destas podem-se cobrar raciocínios concatenados e visão política mais apurada.

    Vou também lembrar que a cultura mínima, ou seja, o letramento é algo de uma geração para a maioria da população brasileira, que não precisamos citar Lacan para entender um povo que na sua história tem a primeira geração com segundo grau completo. Também chamo a atenção que a imensa maioria da população iletrada simplesmente NÃO PARTICIPAVA da política por LEI, ou seja, somente em 1985 (MIL NOVECENTOS E OITENTA E CINCO) o analfabeto ganha direito ao voto, repito, até 1985 o analfabeto NÃO ERA CIDADÃO.

    Feito este pequeno introito, podemos passar a crítica do texto, que começa de forma ARISTOCRÁTICA através do seu próprio título “O espanto com a nossa imagem refletida pela Câmara” e por citações de Lewis Carrol e de Jacques Lacan, explicitar a sua enorme distância (do autor) a plebe ignara que se chama povo brasileiro. Daí por diante me irritei, pois de acadêmicos pedantes de direita ou de esquerda, estou cheio.

    Depois desta introdução o autor, na sua enorme sapiência separa da plebe ignara dos nossos brilhantes escritores que se acham marxistas através da seguinte frase:

    “-No último domingo, um grupo de pessoas que se caracteriza por ainda guardar alguns resquícios de bom senso e capacidade intelectiva, ficou chocado com o ritual grotesco da sucessão de discursos que antecediam os votos dos senhores e senhoras deputados e deputadas.”

    Ou seja, cabe aos brilhantes intelectos da esquerda brasileira, citando desde Lacan a Dante, esclarecer o ridículo que foi a posição dos deputados. Porém aí que vem o resultado do pedantismo e da miopia do texto, não precisou que esta plebe ignara ou mesmo poderia ser qualificada como um “Lumpenproletariat” ou mesmo ter citado frases de um dos piores livros de Marx, que a esquerda tradicional procura insistentemente e erroneamente traçar semelhanças com processos que ocorrem nos países do terceiro mundo “O 18 de brumário de Luís Bonaparte”.

    Sinto muito, mas o domingo não fez parte das “pertinentes e profundas reflexões lacanianas (por vezes impenetráveis)”, fez parte sim da educação política do povo brasileiro que na sua maioria, e não por “…alguns resquícios de bom senso e capacidade intelectiva…”, não se sentiu espelhada pelo comportamento destes deputados, simplesmente achou-os ridículos e infantis. Na segunda-feira que sucedeu a votação, falei com várias pessoas que não estam neste “…resquício de bom senso e capacidade intelectiva…”, falei com pintores (de parede), atendentes de lojinhas, vendedores de ferragem, e outros desta plebe inculta e a reação era de indignação, pois NÃO SE SENTIAM REPRESENTADOS POR TODOS AQUELES PALHAÇOS.

    Talvez como diz o autor, para delimitar bem a sua distância aos intelectuais de segunda linha com os quais me identifico, as profundas reflexões de Lacan são por vezes impenetráveis, ou simplesmente para um texto limitar a distância de reles mortais e intelectuais de segunda linha aos que compreendem Lacan a fundo ou ainda, que as pessoas não conseguem traduzir suas informações e sua ideologia em textos simples para os que leem e para esconder a sua incapacidade geram textos ruins e ininteligíveis.

  6. maria rodrigues

    25 de abril de 2016 1:39 pm

    Aqueles monstros representam,

    Aqueles monstros representam, sim, boa parte da nossa sociedade, sem dúvida.

    São os que odeiam petralhas, os que chamam a mãe de Zé de Abreu de puta, e amulher dele de vagabunda, ele de ladrão; são os quebram com um pau os dentes de um homem de bem numa manifestação, os médicos que humilham dentro de um hospital um ex-ministro que chega com a esposa doente, os que numa livraria chamad CULTURA, pressiona e constrange um ser tão delicado e bom como Suplicy. São, enfim, todos esses canalhas, sem cultura, sem princípios humanitários, que estão representados lá na Câmara, e estão, certamente, do mesmo modo no Senado. 

    Eu me sinto adoentada, de tão triste que estou depois daquele domingo. Mais ainda por não poder falar com meus amigos, que sempre mantive com eles um sentimento de amor grande, por muitas décadas. O medo de perder a amizade de tantas pessoas me fizeram recolher, calar como se estivesse revivendo aquele regime de exceção.

    Também não consigo mais, de jeito nenhum, assistir aos jornais de televisão. Vejo apenas a TV Brasil, mas sei que é uma televisão muito limitada. Agora, então, faz pena ver o tamanho do jornal da noite. 

    Não tenho nenhum plano para sair pro Exterior, mas se tivesse, iria estudar muitas respostas para dar lá fora, por entender que todos nós, brasileiros de Norte a Sul, estaremos sendo ridicularizados por toda essa patacoada que vimos na Câmara. Aquilo é um filme de terror muito violento, indicado para pessoas adultas, entre 40 e 50 anos apenas, mas ainda assim à base de um Rivrotil.

  7. Rabelo

    25 de abril de 2016 2:03 pm

    Sim. Somos nós.

    Incrível a incapacidade das pessoas de se verem no espelho do dia 17.

    Sim. Aqueles somos nós. São todos os jornalistas que escreveram sandices e açularam a malta. Ou alguém acha que o cara da Época é melhor do que Raquel Diniz, a saltitante mulher do prefeito-modelo preso no dia seguinte? São todos os empresários, são todos os servidores públicos, todos os procuradores da República e todos os juízes deste país. Mas são também a gente que ascendeu à classe média nos últimos anos e acha que isso se deu por seu próprio mérito.

    Essa gente que se acha o Ó do borogodó, mas não passa de gente incrivelmente ridícula. 

    Como somos, o povo, canalha e ridículo! Só canalhas continuam a ver diariamente o Jornal Nacional; só ridículos continuam a acreditar no que conta o grupo Globo.

    É ridículo que alguém ainda discuta qual será a votação do Senado, qual será a posição do STF. É ridículo que ainda haja quem gaste tempo com uma Corte que demonstra todo o tempo que do adjetivo do nome não tem nada. 

    Por isso estamos apanhando tanto dos organismos e imprensa internacionais: porque aquela sessão do dia 17 apenas tirou-nos a máscara. Somos um país de idiotas. De ridículos. É assim que a partir de agora todos nos vêem. Idiotas, patéticos, ridículos. 

  8. andre B

    25 de abril de 2016 8:47 pm

    Nós não, o Outro.

    Já que tá valendo, vou arriscar um Lacan aqui também. Lacan era dialético,a identificação da imagem do eu no espelho é também o reconhecimento do Outro. Sem reconhecer o outro, a identificação no espelho não é possivel.  A identificação no espelho ocorre por meio do simbólico, da linguagem que nos é dada ‘de fora’, quando se pode dizer ‘esse sou eu’, o que implica dialeticamente no ‘aquele é o outro’.

    O que vimos não foi a imagem do povo brasileiro. As falas que vimos e ouvimos, não foram uma expressão do desejo (do que falta ao) do povo, nem da sua imagem, mas o seu recalque, a sua repressão – o Outro, o superego “policial” dizendo o que devemos e o que não devemos desejar.  Quando  eu já não consegue mais reconhecer minha imagem,  nem manejar a fala( o simbólico) para expressar seu desejo, para sequer reconhecê-lo, já não se sabe mais quem está falando se sou eu ou o outro. Ai temos a alucinação, o delirio, a psicose. Em outros termos, quando os representantes do povo não representam a imagem do povo, não vocalizam seu desejo, mas falam como o Outro do povo como se fosse a sua imagem falando, temos a psicose politica, o fascismo.

    E porque aqueles que falaram na câmara são o Outro do povo e não a sua imagem? porque a maioria daqueles deputados não foi eleito pelo povo, não representa o povo, não é a sua imagem, não expressa os desejos,as ‘faltas’ do povo. Segundo matéria do EL Pais apenas 36 deputados foram eleitos com votos próprios. Idependente do número correto, a grande maioria não foi eleita com votos próprios. O voto na camarâ é voto proporcional, vota-se em uma pessoa, mas dependendendo do coeficiente eleitoral elege-se outra, ou seja, um mecanismo simbólico, uma ‘linguagem’ politica, para que O Outro fale com se fosse a imagem do povo para recalcar seus desejos, para que suas ‘faltas’ não sejam supridas.

  9. altamiro souza

    26 de abril de 2016 2:04 am

    Deus, a essencia, o demiurgo,

    Deus, a essencia, o demiurgo, onisciente, estava ausente….

    por isso eles precisavam repetir a presença do deus golen pés de barro,

    eufemismo do divino, uma misitificação evidente…

    sabedores que seus famikiares seriam maculados com eese infame legado deixado por eles,

    teriam de resgatá-los dessa mácula infame e exaltá-los;;;

    por isso a repetição, o sucedaneo de blasfemias familiares e supostamente divinas…

    como o espelho deles se quebrou, restava o espelho – o olhar mefistofélico – do cunha como símbolo

    da aglutinação do sindicato dos ladrões,…

    e o olho eletronico embora coronelístico da globo , o palco do gozo,

    a iluminação preparada da eterna imagem para eles histórica –

    o gozo do sim ovacionado pelos robozinhoso especulares criados pelos manipuladores…

    tem o marx, muito bem lembrado pelo maestri…deveria ser por ai….

    o fetiche do dinheiro, o voto como mercadoria….

    especular capitalismo – a corru0ção…

     

    mas como diria o analista de bagé, não tem nada disso, nem de freud nem lacan, tchè,

    os caras são mesmo uns baixeiros, tchè.

    ponto…

     

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