
Por Pedro Peduzzi
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgou hoje (22) – momentos após o discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York – uma nota na qual reitera críticas “à insistência” de Dilma em “classificar como golpe o legítimo processo de impeachment a ela imputado”. A nota foi divulgada também na versão em inglês, dirigida à imprensa estrangeira.
Segundo Cunha, não há “qualquer dúvida” de que a “tese de golpe e de que não há crime de responsabilidade [no processo de impeachment] não prospera” e que, portanto, as acusações direcionadas contra a presidenta “são gravíssimas e levaram o país ao caos econômico, sem contar que atentaram contra princípios constitucionais importantes”, diz a nota em meio a argumentações técnicas sobre os procedimentos adotados pela Câmara para aprovar a admissibilidade do impeachment.
No discurso feito mais cedo na ONU, Dilma mencionou a crise política que vive o Brasil, sem mencionar a palavra golpe, e disse que a sociedade brasileira soube vencer o autoritarismo, construir a democracia e saberá impedir retrocessos. “Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade”, disse Dilma, no encerramento do discurso.
O discurso da presidenta repercutiu também no Senado Federal. O senador Jorge Viana (PT-AC) classificou de elegante a fala de Dilma e considerou que a referência ao momento político do país foi sutil. “Sobre a crise pela qual passa o Brasil, a presidenta foi elegante, foi uma grande estadista e fez uma sutil referência às dificuldades pela qual o Brasil passa, mas reafirmou aquilo que sempre um chefe de Estado deve fazer, que é a confiança na democracia brasileira, na força do povo brasileiro, e que o Brasil seguirá em frente fortalecendo sua democracia sem nenhum tipo de retrocesso”, disse Jorge Viana.
Para o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o discurso feito pela presidenta demonstra que ela teve “o bom senso de não enveredar por uma linha que noticiaram, que ela iria dar uma versão não correta [sobre o momento político do país] após ministros do STF terem mencionado que a fala de golpe seria uma afronta e uma agressão às instituições brasileiras. Acredito que caiu a ficha e o bom senso”, disse Caiado. “Isso só constrangeria todas as pessoas que participam de um evento destinado à assinatura de um acordo e de uma convenção relacionados ao meio ambiente”, acrescentou.
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Cunha
“Diante da insistência da Presidente da República em classificar como “golpe” o legítimo processo de impeachment a ela imputado por, supostamente, não haver crime de responsabilidade, são expostas as seguintes considerações:
– O instrumento do impeachment é previsto na Constituição Federal para os casos de crimes de responsabilidade praticados pela Presidente da República. Trata-se de instrumento legítimo e constitucional, inclusive já utilizado em 1992, quando do impedimento do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O Supremo Tribunal Federal legitimou o procedimento do processo, fixando o rito que deveria ser seguido;
– A teor do art. 85 da Constituição Federal, são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra (I) a existência da União, (II) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação, (III) o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, (IV) a segurança interna do país, (V) a probidade da administração, (VI) a lei orçamentária, (VII) o cumprimento da lei e das decisões judiciais;
– Portanto, não são somente atos praticados contra a probidade de administração (atos de corrupção) que configuram crimes de responsabilidade. Atentar contra a lei orçamentária também é crime de responsabilidade;
– O Parecer aprovado pela Comissão Especial e ratificado por ampla maioria da Câmara dos Deputados considerou que a abertura de créditos suplementares por decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional, poderia ser enquadrada nas hipóteses previstas nos arts. 85, VI e 167, V da Constituição Federal e arts. 10, item 4 e 11, item 2, da Lei n. 1.079/50. E quanto à contratação ilegal de operação de créditos, chamada de “pedaladas fiscais”, os atos praticados foram enquadrados no art. 11, item 3 da Lei n. 1.079/50;
– O Parecer considerou que a prática desses atos pôs em risco o equilíbrio das contas públicas e a saúde financeira do País, com graves prejuízos para a economia, como o aumento do desemprego, o retorno da inflação, crescimento da dívida pública, perda de credibilidade, elevação da taxa de juros, além de acarretar a falência dos serviços públicos, com a degradação nas áreas de saúde, educação, segurança, dentre outros;
– As condutas imputadas à Presidente da República também violou princípios estruturantes de nosso Estado Democrático de Direito, como o da separação de Poderes, o controle parlamentar das finanças públicas, a responsabilidade e equilíbrio fiscal, o planejamento e a transparência das contas do governo, a boa gestão do dinheiro público e o respeito à lei orçamentária;
– Além do enquadramento jurídico (juízo jurídico), a Câmara dos Deputados também concluiu politicamente (juízo político) pela abertura do processo, pela maioria dos deputados ter considerado, entre outros fatores, que o Governo não tem mais condições de governabilidade e que a prática desses atos contábeis teve o condão de mascarar (esconder) do povo brasileiro a real situação financeira econômica do País;
Por essas considerações, pode-se dizer, sem qualquer dúvida, que a tese de “golpe” e de que não há “crime de responsabilidade” não prospera. As acusações direcionadas contra a Presidente da República são gravíssimas e levaram o país ao caos econômico, sem contar que atentaram contra princípios constitucionais importantes. De qualquer forma, o processo ainda será julgado pelo Senado Federal, ocasião em que a Presidente da República terá direito de apresentar defesa com ampla produção probatória.”
emerson57
22 de abril de 2016 7:23 pmleia:
De aonde vem o poder do Kunha na Câmara, no Senado e no STF ?
http://www.tijolaco.com.br/blog/as-mocas-de-familia-e-as-familias-dos-mocos-do-sim-ao-golpe/
Serjão
23 de abril de 2016 8:25 amInocentes úteis
Os Coxinhas, ah, se soubessem o que eu sei…
Luiz FS
22 de abril de 2016 7:24 pmEstadista!
Somebody
22 de abril de 2016 7:36 pmCunha, cale-se. Já está
Cunha, cale-se. Já está ficando irritante ler o senhor insistindo em mentiras óbvias.
Somebody
22 de abril de 2016 7:40 pmE mais, deputado Cunha. Fora
E mais, deputado Cunha. Fora do seu país todo mundo já sabe que se trata de um golpe, especialmente investidores. Você tentar dizer o contrário não irá mudar isso em nada.
Anarquista Lúcida
22 de abril de 2016 8:12 pmO golpista mor condenando que se chame o golpe de golpe…
Claro, né, Creuza?
maria rodrigues
22 de abril de 2016 9:05 pmDilma só faz o que a oposição
Dilma só faz o que a oposição gosta. Ora, se saiu daqui deixando os malandros golpistas tão apavorados só em pensar no que ela poderia fazer, imagine se ela realmente tivesse expressado a verdade sobre os acontecimentos, sem se vivitmizar, apenas declarando a verdade.
Eu que não tenho estômago nem fígado pra ler nada que possa vir desse canalha.
Auxiliadora
22 de abril de 2016 9:12 pmCunha fariseu hipócrita
Para o Cunha e seus lacaios. E aí Cunha já leu o documento pedindo a tua casssação tem mais de 1 milhão de assinaturas.
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais primeiro o exterior, mas o interior está cheio de rapina e intemperança”.
“Fariseu cego, limpa primeiro o interior, para que também o seu exterior fique limpo”.
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia”.
O melhor pronunciamento que Dilma ja fez, que bom que foi na ONU
“Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade,
Saberá não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso”.
Omar Luz
22 de abril de 2016 9:14 pmObrigado STF
Eneida Ferraz
22 de abril de 2016 10:05 pmObg STF
Coitadinho do rato, nem ele merece uma comparação dessas.
Gilson AS
22 de abril de 2016 9:29 pmNa boa, não consigo olhar
Na boa, não consigo olhar para cara desse cara, nem e foto.
Tenho que controlar a minha ira, senão pode somatizar e virar dor no estômago.
Vade retro ! não mereço sofre mais por causa desse safado.
Edi Passos
22 de abril de 2016 11:16 pmCom todo respeito
aos que pensam diferente, mas se a fala da Presidente foi “aprovada” por Caiado, o ex-amigo do peito de Demóstenes Torres, é porque não foi grande coisa.
B.V.D.
22 de abril de 2016 11:48 pmEla perdeu uma grande oportunidade
Ela é mesmo uma incompetente, medíocre.
Nem constranger o bandido do Cunha e os coniventes do STF (que de qualquer jeito não vão apoia-la) dizendo a verdade ela faz. Podia ter falado em “Golpe branco”, detalhar a vingança do Cunha ao aceitar o impeachment ou falar o fraco fundamento do impeachment.
Ela não tem capacidade nenhuma de ser presidente. Vou apoiar derrubar o Cunha e cia sem ela.
S.Bernardelli
23 de abril de 2016 6:36 amPra que…
Para que ela iria fazer isso se o mundo sabe que ele é um dissimulado, hipócrita, canalha, traidor, achacador, golpista, manipulador, oportunista, ladrão e outros adjetivos ruins? O que eu mais gostei do que ela falou foi em relação ao ministro Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli (que mais parecem golpistas do que juízes) e mostrando também para Globo que, ela não fica de joelhos para esses ministros como eles vem falando como se a Dilma morresse de medo dos três. Ela os respeita, mas medo ela não tem
Palavras da da Dilma aos jornalistas:
Dilma também foi direta em relação aos três ministros do Supremo Tribunal Federal – Dias Toffoli, Celso de Mello e Gilmar Mendes – que afirmaram em entrevistas à imprensa recentemente ver carência de razão na argumentação usada pela presidente para definir que o processo de impeachment é um golpe. Na opinião de Dilma, eles não deveriam sequer ter se pronunciado publicamente:
” Antes de mais nada, esta não é a opinião do STF. É a opinião de apenas três ministros. E são ministros que não deveriam dar opinião porque vão me julgar”
B.V.D.
23 de abril de 2016 9:22 pmPra ter apoio dos povos e políticos estrangeiros
Políticos poderosos e a elite cultural do mundo sabem o que acontecem aqui. Mas, a maioria da população mundial não, e se chega a eles com atos ou frases de efeito.
Os políticos do mundo só agirão contra este impeachmente se seu povo for contra o golpe. Somos uma das maiores economias do mundo, nenhum líder estrangeiro vai se indispor com os possíveis futuros governantes sem pressão interna.
Além disso, sempre é bom dificultar a vida dos golpistas c/ a verdade.
Maria Carvalho
23 de abril de 2016 12:03 amO pensamento de cunha, um ano atrás.
https://www.youtube.com/watch?v=3txvVpe4nn4
era republicana
23 de abril de 2016 12:42 amcunha virou o demiurgo, o
cunha virou o demiurgo, o onisciente. onipotente, o manipulador-mor,
deve ter superado o serra na arte de elaborar dossies sobre
seus inimigos e amigos de ocasião, para chantageá-los.
pois é inacreitável que, com tantas denúncias comprovadas
contra ele, consiga procrastinar tanto sua prisão….
PedroII
23 de abril de 2016 12:58 amEsse sujeito é doente, é caso
Esse sujeito é doente, é caso de internação, ( QUE MORAL TEM ESSE CANALHA LADRÃO PARA CRITICAR SEJA LÁ O QUE FOR?). Continuo a perguntar, por onde anda as nossas Forças Armadas, Dilma a senhora ainda é a comandante em chefe das Forças Armadas, cujo papel principal ( segundo o juramento dos senhores ministros) é defender a constituição e a democracia????
Dan Balan
23 de abril de 2016 1:27 amDilma foi decepcionante. O
Dilma foi decepcionante. O que ela espera, que a gente dê a cara a tapa enquanto ela acaricia os golpistas? Hoje, fui a um supermercado e um segurança e um empacotador criticavam ferozmente o PT (sou de SP). Estou cansado, me induspus com muita gente, familiares e amigos, para defender o mandato da presidenta e parece que ela age como se não fosse com ela, com o que representa o projeto popular iniciado em 2003. Sinceramente, desse jeito, não sei se vale a pena lutar.
alfredo machado
23 de abril de 2016 1:28 ampentecostal de araque
Nassif,
DR realmente merece uma crítica, pelo fato de ter omitido a palavra mágica GOLPE ( ou COUP em ingrês) em seu discurso na ONU.
Já Ciro Gomes, que foi mais cristalino em Harvard ao chamar ECunha pelos nomes corretos, bandido, chantagista e aliciador de 250 vendidos, não sofreu nenhuma crítica do pentecostal de araque.