4 de junho de 2026

Cunha critica discurso de Dilma na ONU; Jorge Viana e Caiado aprovam o tom

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Da Agência Brasil

Por Pedro Peduzzi

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgou hoje (22) – momentos após o discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York – uma nota na qual reitera críticas “à insistência” de Dilma em “classificar como golpe o legítimo processo de impeachment a ela imputado”. A nota foi divulgada também na versão em inglês, dirigida à imprensa estrangeira.

Segundo Cunha, não há “qualquer dúvida” de que a “tese de golpe e de que não há crime de responsabilidade [no processo de impeachment] não prospera” e que, portanto, as acusações direcionadas contra a presidenta “são gravíssimas e levaram o país ao caos econômico, sem contar que atentaram contra princípios constitucionais importantes”, diz a nota em meio a argumentações técnicas sobre os procedimentos adotados pela Câmara para aprovar a admissibilidade do impeachment.

No discurso feito mais cedo na ONU, Dilma mencionou a crise política que vive o Brasil, sem mencionar a palavra golpe, e disse que a sociedade brasileira soube vencer o autoritarismo, construir a democracia e saberá impedir retrocessos. “Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade”, disse Dilma, no encerramento do discurso.

O discurso da presidenta repercutiu também no Senado Federal. O senador Jorge Viana (PT-AC) classificou de elegante a fala de Dilma e considerou que a referência ao momento político do país foi sutil. “Sobre a crise pela qual passa o Brasil, a presidenta foi elegante, foi uma grande estadista e fez uma sutil referência às dificuldades pela qual o Brasil passa, mas reafirmou aquilo que sempre um chefe de Estado deve fazer, que é a confiança na democracia brasileira, na força do povo brasileiro, e que o Brasil seguirá em frente fortalecendo sua democracia sem nenhum tipo de retrocesso”, disse Jorge Viana.

Para o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o discurso feito pela presidenta demonstra que ela teve “o bom senso de não enveredar por uma linha que noticiaram, que ela iria dar uma versão não correta [sobre o momento político do país] após ministros do STF terem mencionado que a fala de golpe seria uma afronta e uma agressão às instituições brasileiras. Acredito que caiu a ficha e o bom senso”, disse Caiado. “Isso só constrangeria todas as pessoas que participam de um evento destinado à assinatura de um acordo e de uma convenção relacionados ao meio ambiente”, acrescentou.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Cunha

“Diante da insistência da Presidente da República em classificar como “golpe” o legítimo processo de impeachment a ela imputado por, supostamente, não haver crime de responsabilidade, são expostas as seguintes considerações:

– O instrumento do impeachment é previsto na Constituição Federal para os casos de crimes de responsabilidade praticados pela Presidente da República. Trata-se de instrumento legítimo e constitucional, inclusive já utilizado em 1992, quando do impedimento do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O Supremo Tribunal Federal legitimou o procedimento do processo, fixando o rito que deveria ser seguido;

– A teor do art. 85 da Constituição Federal, são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra (I) a existência da União, (II) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação, (III) o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, (IV) a segurança interna do país, (V) a probidade da administração, (VI) a lei orçamentária, (VII) o cumprimento da lei e das decisões judiciais;

– Portanto, não são somente atos praticados contra a probidade de administração (atos de corrupção) que configuram crimes de responsabilidade. Atentar contra a lei orçamentária também é crime de responsabilidade;

– O Parecer aprovado pela Comissão Especial e ratificado por ampla maioria da Câmara dos Deputados considerou que a abertura de créditos suplementares por decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional, poderia ser enquadrada nas hipóteses previstas nos arts. 85, VI e 167, V da Constituição Federal e arts. 10, item 4 e 11, item 2, da Lei n. 1.079/50. E quanto à contratação ilegal de operação de créditos, chamada de “pedaladas fiscais”, os atos praticados foram enquadrados no art. 11, item 3 da Lei n. 1.079/50;

– O Parecer considerou que a prática desses atos pôs em risco o equilíbrio das contas públicas e a saúde financeira do País, com graves prejuízos para a economia, como o aumento do desemprego, o retorno da inflação, crescimento da dívida pública, perda de credibilidade, elevação da taxa de juros, além de acarretar a falência dos serviços públicos, com a degradação nas áreas de saúde, educação, segurança, dentre outros;

– As condutas imputadas à Presidente da República também violou princípios estruturantes de nosso Estado Democrático de Direito, como o da separação de Poderes, o controle parlamentar das finanças públicas, a responsabilidade e equilíbrio fiscal, o planejamento e a transparência das contas do governo, a boa gestão do dinheiro público e o respeito à lei orçamentária;

– Além do enquadramento jurídico (juízo jurídico), a Câmara dos Deputados também concluiu politicamente (juízo político) pela abertura do processo, pela maioria dos deputados ter considerado, entre outros fatores, que o Governo não tem mais condições de governabilidade e que a prática desses atos contábeis teve o condão de mascarar (esconder) do povo brasileiro a real situação financeira econômica do País;

Por essas considerações, pode-se dizer, sem qualquer dúvida, que a tese de “golpe” e de que não há “crime de responsabilidade” não prospera. As acusações direcionadas contra a Presidente da República são gravíssimas e levaram o país ao caos econômico, sem contar que atentaram contra princípios constitucionais importantes. De qualquer forma, o processo ainda será julgado pelo Senado Federal, ocasião em que a Presidente da República terá direito de apresentar defesa com ampla produção probatória.”

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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20 Comentários
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  1. emerson57

    22 de abril de 2016 7:23 pm

    leia:

    De aonde vem o poder do Kunha na Câmara, no Senado e no STF ?

    http://www.tijolaco.com.br/blog/as-mocas-de-familia-e-as-familias-dos-mocos-do-sim-ao-golpe/

    1. Serjão

      23 de abril de 2016 8:25 am

      Inocentes úteis

      Os Coxinhas, ah, se soubessem o que eu sei…

  2. Luiz FS

    22 de abril de 2016 7:24 pm

    Estadista!

  3. Somebody

    22 de abril de 2016 7:36 pm

    Cunha, cale-se. Já está
    Cunha, cale-se. Já está ficando irritante ler o senhor insistindo em mentiras óbvias.

  4. Somebody

    22 de abril de 2016 7:40 pm

    E mais, deputado Cunha. Fora
    E mais, deputado Cunha. Fora do seu país todo mundo já sabe que se trata de um golpe, especialmente investidores. Você tentar dizer o contrário não irá mudar isso em nada.

  5. Anarquista Lúcida

    22 de abril de 2016 8:12 pm

    O golpista mor condenando que se chame o golpe de golpe…

    Claro, né, Creuza?

  6. maria rodrigues

    22 de abril de 2016 9:05 pm

    Dilma só faz o que a oposição

    Dilma só faz o que a oposição gosta. Ora, se saiu daqui deixando os malandros golpistas tão apavorados só em pensar no que ela poderia fazer, imagine se ela realmente tivesse expressado a verdade sobre os acontecimentos, sem se vivitmizar, apenas declarando a verdade.

    Eu que não tenho estômago nem fígado pra ler nada que possa vir desse canalha. 

  7. Auxiliadora

    22 de abril de 2016 9:12 pm

    Cunha fariseu hipócrita

     

    Para o Cunha e seus lacaios. E aí Cunha já leu o documento pedindo a tua casssação tem mais de 1 milhão de assinaturas.

    “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais primeiro o exterior, mas o interior está cheio de rapina e intemperança”.

    “Fariseu cego, limpa primeiro o interior, para que também o seu exterior fique limpo”.

    “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia”.

     

    O melhor pronunciamento que Dilma ja fez, que bom que foi na ONU

    “Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade,

    Saberá não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso”.

  8. Omar Luz

    22 de abril de 2016 9:14 pm

    Obrigado STF

    Rato Ousado

    1. Eneida Ferraz

      22 de abril de 2016 10:05 pm

      Obg STF

      Coitadinho do rato, nem ele merece uma comparação dessas.

  9. Gilson AS

    22 de abril de 2016 9:29 pm

    Na boa, não consigo olhar

    Na boa, não consigo olhar para cara desse cara, nem e foto.

    Tenho que controlar a minha ira, senão pode somatizar e virar dor no estômago.

    Vade retro ! não mereço sofre mais por causa desse safado.

  10. Edi Passos

    22 de abril de 2016 11:16 pm

    Com todo respeito

    aos que pensam diferente, mas se a fala da Presidente foi “aprovada” por Caiado, o ex-amigo do peito de Demóstenes Torres, é porque não foi grande coisa.

  11. B.V.D.

    22 de abril de 2016 11:48 pm

    Ela perdeu uma grande oportunidade
    Ela é mesmo uma incompetente, medíocre.
    Nem constranger o bandido do Cunha e os coniventes do STF (que de qualquer jeito não vão apoia-la) dizendo a verdade ela faz. Podia ter falado em “Golpe branco”, detalhar a vingança do Cunha ao aceitar o impeachment ou falar o fraco fundamento do impeachment.
    Ela não tem capacidade nenhuma de ser presidente. Vou apoiar derrubar o Cunha e cia sem ela.

    1. S.Bernardelli

      23 de abril de 2016 6:36 am

      Pra que…

      Para que ela iria fazer isso se o mundo sabe que ele é um dissimulado, hipócrita, canalha, traidor, achacador, golpista, manipulador, oportunista, ladrão e outros adjetivos ruins? O que eu mais gostei do que ela falou foi em relação ao ministro Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli (que mais parecem golpistas do que juízes) e mostrando também para Globo que, ela não fica de joelhos para esses ministros como eles vem falando como se a Dilma morresse de medo dos três. Ela os respeita, mas medo ela não tem 

      Palavras da da Dilma aos jornalistas: 

      Dilma também foi direta em relação aos três ministros do Supremo Tribunal Federal – Dias Toffoli, Celso de Mello e Gilmar Mendes – que afirmaram em entrevistas à imprensa recentemente ver carência de razão na argumentação usada pela presidente para definir que o processo de impeachment é um golpe. Na opinião de Dilma, eles não deveriam sequer ter se pronunciado publicamente:

      ” Antes de mais nada, esta não é a opinião do STF. É a opinião de apenas três ministros. E são ministros que não deveriam dar opinião porque vão me julgar”

      1. B.V.D.

        23 de abril de 2016 9:22 pm

        Pra ter apoio dos povos e políticos estrangeiros

        Políticos poderosos e a elite cultural do mundo sabem o que acontecem aqui. Mas, a maioria da população mundial não, e se chega a eles com atos ou frases de efeito.

        Os políticos do mundo só agirão contra este impeachmente se seu povo for contra o golpe. Somos uma das maiores economias  do mundo, nenhum líder estrangeiro vai se indispor com os possíveis futuros governantes sem pressão interna.

        Além disso, sempre é bom dificultar a vida dos golpistas c/ a verdade.

  12. Maria Carvalho

    23 de abril de 2016 12:03 am

    O pensamento de cunha, um ano atrás.

    https://www.youtube.com/watch?v=3txvVpe4nn4

     

  13. era republicana

    23 de abril de 2016 12:42 am

    cunha virou o demiurgo, o

    cunha virou o demiurgo, o onisciente. onipotente, o manipulador-mor,

    deve ter superado o serra na arte de elaborar dossies sobre

    seus inimigos e amigos de ocasião, para chantageá-los. 

    pois é inacreitável que, com tantas denúncias comprovadas

    contra ele, consiga procrastinar tanto sua prisão….

  14. PedroII

    23 de abril de 2016 12:58 am

    Esse sujeito é doente, é caso

    Esse sujeito é doente, é caso de internação, ( QUE MORAL TEM ESSE CANALHA LADRÃO PARA CRITICAR SEJA LÁ O QUE FOR?).  Continuo a perguntar, por onde anda as nossas Forças Armadas, Dilma a senhora ainda é a comandante em chefe das Forças Armadas, cujo papel principal ( segundo o juramento dos senhores ministros) é defender a constituição e a democracia???? 

  15. Dan Balan

    23 de abril de 2016 1:27 am

    Dilma foi decepcionante. O

    Dilma foi decepcionante. O que ela espera, que a gente dê a cara a tapa enquanto ela acaricia os golpistas? Hoje, fui a um supermercado e um segurança e um empacotador criticavam ferozmente o PT (sou de SP). Estou cansado, me induspus com muita gente, familiares e amigos, para defender o mandato da presidenta e parece que ela age como se não fosse com ela, com o que representa o projeto popular iniciado em 2003. Sinceramente, desse jeito, não sei se vale a pena lutar.

  16. alfredo machado

    23 de abril de 2016 1:28 am

    pentecostal de araque

    Nassif,

     DR realmente merece uma crítica, pelo fato de ter omitido a palavra mágica GOLPE ( ou COUP em ingrês) em seu discurso na ONU.

    Já Ciro Gomes, que foi mais cristalino em Harvard ao chamar ECunha pelos nomes corretos, bandido, chantagista e aliciador de 250 vendidos, não sofreu nenhuma crítica do pentecostal de araque.

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