Para entender o panorama político-econômico visto de dentro da base aliada.
Há risco pequeno de crise política, desde que PT e PMDB se entendam. Na Câmara, a base aliada domina 70% dos deputados. No Senado pode haver riscos se parte da bancada do PMDB – Roberto Requião e Pedro Simon à frente – se aliar com a oposição.
Mas há amplo espaço para aparar as arestas.
Estão mapeados os focos potenciais de escândalo da administração pública. Recentemente, aliás, O Globo trouxe uma boa matéria sobre os pontos vulneráveis da administração.
AssiAssim que foi constituída a Câmara de Gestão, Dilma Rousseff solicitou a Jorge Gerdau um estudo sobre a Funasa, para aprimorar os controles e processos. Antes, havia intervido com firmeza nos Correios. Restaram a Valec e o DNIT – cujos esquemas implodiram recentemente.
Há um fator não mensurado, que é o fato dos escândalos terem servido de carne para leão faminto. Abriu-se espaço para brigas de lobbies brasilienses, que se valerão da sede de escândalos da mídia para atingir adversários.
Não há maiores reparos à condução política do governo. Lembram que o atual Ministro da Saúde, Padilha, foi articulador político do governo Lula sem dispor de maior experiência. Quando ganhou experiência e poderes, saiu-se bem. O mesmo deverá acontecer com a senador Ideli Salvatti.
O problema político maior está na área econômica – diz esse analista. Não se pode perder o controle fiscal, mas não se pode deixar nas mãos da Fazenda a decisão unilateral de liberar emendas. A área política precisaria participar.
Julga-se também que Guido Mantega estaria criando ressentimentos de graça com o funcionalismo, com suas declarações de que não haverá aumentos nos próximos anos. O analista entende que Lula já deu os aumentos necessários. A crítica a Guido é quanto ao teor do discurso, que visaria o público de mercado, provocando ressentimentos de graça no funcionalismo.
Mesmo assim, nada de maior gravidade.
O grande desafio, mesmo, será administrar a crise econômica global. É isso que decidirá o futuro do governo Dilma.
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