O Velhote do Lote anda agora viajando pelo universo das boates grã-finas dos anos 50.
E quem conduz o passeio é o jornalista Luiz Noronha, com seu magistral livro “Carlos Machado: o teatro da madrugada” (Rio, Relume Dumará, 1998 – coleção Perfis do Rio).
O Velhote nunca entrou numa dessas boates do célebre “Rei da Noite” nem naquelas de outros nobres produtores de alegria. Mas teve muitos amigos e conhecidos que as freqüentaram. Principalmente na condição (hoje meio esculachada) de SAMBISTAS.
Citando de cabeça: Blecaute, Candeia, Dalva Eirão, Grande Otelo, Irmãs Marinho, João da Baiana (foto), Monsueto, Noel Canelinha (Mestre-Sala com “m” e “s” maiúsculos), Nilza Benes, Vera Regina, Vilma da Portela… São apenas alguns nomes entre aqueles dos inúmeros artistas do mundo do samba que chegaram lá, em shows como “Feitiço da Vila”, “Banzo-Aiê”, “Satã dirige o espetáculo” etc.
No luxuosíssimo “Banzo-Aiê”, como esclarece Noronha em seu livro, Machado pretendia contar a “história da raça negra”. E, antes, em “Esta vida é um carnaval” ele já tinha feito a proeza de colocar no palco um contingente enorme de sambistas do Império Serrano, a escola de samba da moda, no início dos anos 50.
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Não queremos dizer que esse momento tenha sido de “inclusão”. Mesmo porque o racismo, então, era de fato uma instituição nacional. Mesmo porque o racismo, então, era de fato uma instituição nacional. E a primeira lei contra a discriminação promulgada no Brasil (chamada “Afonso Arinos” quando deveria se chamar “Abdias do Nascimento”) mal surgia ali, por conta de uma ofensa sofrida pela coreógrafa africano-americana Katherine Dunham num hotel paulistano. E, como se pode intuir, os negros e o samba estavam no palco, diante do “café society” (expressão da época) apenas para divertir os bacanas. Mas estavam presentes, de corpo e alma.
Em muitos casos a mente também estava, muitas vezes escrevendo textos ou criando coreografias e cenários. Tudo bem diferente do panorama atual.
Hoje, o ambiente do samba é apenas o do boteco e da esquina, como evidenciou recente matéria no suplemento dominical do hegemônico O Globo. E nesse ambiente, celebrado como democrático, por ter diversão barata, expressões como “cachê” e “direitos” não vigoram.
Mas nem sempre foi assim. O samba já esteve nos melhores palcos da noite carioca. Cheiroso, de banho tomado, muito bem vestido, ganhando seu dinheiro e tendo algumas oportunidades..
Quem não acredita, leia o livro do Luiz Noronha. Ou procure saber a história dos shows das boates Béguin, Casablanca, Monte Carlo, Night and Day etc… Num tempo em que “Lapa” era um nome mais feio do que…
Deixa pra lá…
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