12 de junho de 2026

STF forma maioria para manter veto à revisão da vida toda das aposentadorias

Corte rejeita recurso e consolida entendimento que impede recálculo de benefícios com contribuições anteriores ao Plano Real
Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil

STF formou maioria para rejeitar recurso que buscava restabelecer revisão da vida toda das aposentadorias do INSS.
Votação parcial de 7 a 1 indica fim da disputa previdenciária; julgamento segue até 19 de junho.
Revisão da vida toda, que permitiria recálculo incluindo contribuições anteriores a 1994, foi invalidada em março.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (12) para rejeitar um novo recurso que buscava restabelecer a chamada revisão da vida toda das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Com o placar parcial de sete votos a um, a Corte sinaliza que deve encerrar definitivamente uma das mais importantes disputas previdenciárias dos últimos anos.

O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e analisa embargos de declaração apresentados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2.111. A votação segue aberta até o próximo dia 19, mas a maioria já foi alcançada.

A entidade sindical defendia que o direito à revisão fosse preservado ao menos para os segurados que ingressaram com ações judiciais até 21 de março de 2024, data em que o Supremo alterou seu entendimento anterior e passou a rejeitar a tese.

O que decidiu o STF agora

Ao votar pela rejeição do recurso da CNTM, o relator do caso, ministro Nunes Marques, afirmou que a matéria já foi amplamente debatida pelo tribunal e que os embargos apresentados tentam reabrir uma discussão já encerrada.

O ministro também defendeu a certificação do trânsito em julgado da ação, etapa que formaliza o encerramento definitivo do processo. A posição foi acompanhada pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Luiz Fux.

A divergência foi aberta pelo ministro Dias Toffoli. Para ele, o Supremo deveria preservar os direitos dos segurados que ajuizaram ações entre dezembro de 2019 — quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a tese — e abril de 2024, quando foi publicada a decisão que afastou a revisão.

O que é a revisão da vida toda

A revisão da vida toda surgiu como uma alternativa para aposentados que acreditavam ter sido prejudicados pelas regras de transição da reforma da Previdência de 1999.

Pela legislação, o cálculo dos benefícios passou a considerar apenas as contribuições realizadas a partir de julho de 1994, marco da implantação do Plano Real. Dessa forma, salários e contribuições anteriores a essa data ficaram fora da conta.

A tese defendida pelos aposentados sustentava que, em alguns casos, incluir todas as contribuições feitas ao longo da vida laboral poderia resultar em benefícios maiores. Em 2022, o próprio STF reconheceu esse entendimento e autorizou a revisão para segurados que buscassem o recálculo dos benefícios.

O cenário mudou em março de 2024, quando o Supremo revisou sua posição durante o julgamento de ações que questionavam dispositivos da Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/1991).

Por seis votos a cinco, os ministros concluíram que os aposentados não possuem o direito de escolher a regra mais vantajosa para o cálculo dos benefícios previdenciários.

Com isso, a Corte derrubou, na prática, o entendimento favorável firmado dois anos antes e invalidou a possibilidade de aplicação da revisão da vida toda.

A decisão gerou forte reação de associações de aposentados, especialmente porque milhares de processos já estavam em andamento na Justiça com base na jurisprudência anterior.

(Com informações da Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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