A dívida pública dos Estados Unidos mantida pelo público ultrapassou 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, chegando a cerca de US$ 31,9 trilhões. O dado marca uma nova etapa para as contas americanas, segundo análise publicada pela Charles Schwab nesta segunda-feira (17).
O alerta, porém, não é de uma crise imediata. A avaliação é de que o problema está na combinação entre déficits persistentes, juros elevados e aumento das despesas obrigatórias, fatores que reduzem gradualmente a capacidade de Washington de reagir a uma nova crise econômica.
Dívida deixa de ser fenômeno apenas de crises
Durante boa parte do período posterior à Segunda Guerra Mundial, o endividamento americano aumentava principalmente durante guerras e recessões. Com a normalização da economia, os déficits tendiam a diminuir.
Esse padrão mudou. Segundo análise divulgada pela Schwab, os Estados Unidos vêm registrando déficits próximos de 6% do PIB mesmo com uma economia relativamente resiliente. O endividamento, portanto, passou de uma dinâmica predominantemente cíclica para uma situação estrutural, em que o governo continua gastando mais do que arrecada mesmo fora de períodos de crise.
Ao mesmo tempo, o custo para financiar essa dívida aumentou. Entre 2024 e 2026, os juros da dívida federal chegaram a uma média anualizada de aproximadamente US$ 1,21 trilhão, acima dos cerca de US$ 1,17 trilhão destinados à defesa. O Congressional Budget Office (CBO) projeta que os pagamentos de juros somem aproximadamente US$ 16 trilhões entre 2026 e 2035.
A pressão tende a crescer com o envelhecimento da população e o aumento das despesas com programas como Social Security e Medicare, enquanto a arrecadação não acompanha o ritmo de expansão dos gastos.
O problema é o espaço fiscal
Para a Schwab, não existe um percentual específico de dívida em relação ao PIB que determine automaticamente o início de uma crise. A capacidade dos Estados Unidos de sustentar o endividamento também é favorecida pelo papel internacional do dólar, pela profundidade do mercado de títulos do Tesouro e pela confiança dos investidores na capacidade de pagamento do governo.
O risco está em outro ponto: quanto maior a dívida e seu custo de financiamento, menor é o espaço fiscal disponível para responder a uma nova recessão, guerra ou outra emergência.
A situação poderia se tornar mais delicada se os juros pagos pela dívida passassem a superar o ritmo de crescimento da economia. Nesse cenário, o próprio estoque de dívida tenderia a crescer mais rapidamente, exigindo ajustes fiscais ou custos de financiamento maiores.
A Schwab considera extremamente baixo o risco de um default americano no curto prazo. O sinal de alerta, portanto, não é uma quebra iminente, mas a possibilidade de que a dívida elevada passe a limitar progressivamente as escolhas econômicas de Washington e torne o país mais vulnerável a futuros choques.
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