4 de junho de 2026

Verão de 2010. Ou, o momento em que Serra vacilou – Parte I.

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Este é um post longo, dividirei-o em partes, buscando torná-lo menos enjoativo. Provavelmente, também, contém erros factuais, já que escrevo basicamente de memória. Não tem a intenção de documentar a história, mas sim, questionar por que um político experimentado, após uma carreira longa, vacila no seu melhor momento.

Nos posts anteriores, comentei sobre como FHC dificultou a eleição de Serra em 2002 e como, tentando sangrar Lula, inviabilizou o PSDB como partido de oposição propositiva e, assim, inviabilizou-o simplesmente.

http://www.advivo.com.br/blog/sergio-saraiva/onde-o-psdb-errou

Ocorre que no Brasil ainda não votamos em partidos e sim em nomes e um partido poder sequer existir na prática e, ainda assim, eleger um presidente.

O caso de Fernando Collor com o seu PRN é emblemático.

O assunto deste post vem daí, de algo que me intriga, o porquê da, em determinado momento da longa campanha para a sucessão de Lula, enorme vacilação de José Serra.

Por mais que o personalismo de FHC tenha prejudicado o PSDB, a partir da campanha de 2002, e mais precisamente, da sua eleição à prefeitura de São Paulo em 2004, José Serra era dono do seu nariz, politicamente falando. Não dependia mais de FHC. E jogou muito bem, com estratégia apurada, preparando a eleição presidencial de 2010. Se não foi isso, então as circunstâncias o favoreceram como a um ungido. Estava tudo caminhado como deveria ser e, então, no curto espaço de tempo compreendido entre a primavera de 2009 e o verão de 2010, como diria Tim Maia, Serra vacila e põem tudo a perder.

Serra, o carreirista.

Que Serra é um político carreirista com um único objetivo, chegar à presidência da republica, é coisa há muito sabida.

Pelo menos desde a eleição de FHC em 1994. Naquele ano o PSDB paulista fez cabelo, barba e bigode. FHC na presidência, Covas no governo de São Paulo e Serra no senado.

Mas Serra não vai para o senado, vai para o ministério do planejamento de onde sai para tentar a prefeitura em 1996. E, então, já se comentava que sua estadia na prefeitura seria a ponte para a eleição para o governo do estado em 1998 e a presidência em 2002.

Pobre Serra, tanta coisa e nada. A eleição de 1996 trouxe a derrota e o ano de 1997 a emenda da re-eleição, adiando seus planos para 2010. Sim, porque 2002 seria, a partir daí, o ano de Covas, mas isso comento mais abaixo.

Entrou papa, saiu cardeal. Ou seja, foi de senador a ministro, a governador, a presidente e acabou como estava, de volta ao senado.

A eleição de 1996 trouxe outro dissabor para Serra, a fama de político ruim de voto, devido a sua baixa capacidade de interagir no corpo-a-corpo com o eleitorado.

Lembremos, em 1996 ainda não havia a Revista Piauí e o tal álcool em gel para as higienizações pós-contato eleitoral, mas já havia essa percepção.

A eleição de 2002

O governador de São Paulo é sempre um candidato natural a presidência da república. Pelo menos desde Adhemar de Barros, passando por Jânio Quadros, Paulo Maluf e chegando a Covas. Não é nada do tipo “destino manifesto”, mas é que governando a maior economia e o maior colégio eleitoral e tendo influentes empresas de comunicação tão próximas, o governador de São Paulo sempre é alçado a esferas federais, daí sua candidatura a presidente ser natural.

A saúde não permitiu isso a Covas, morreu em março de 2001. Seu sucessor, ou herdeiro, veremos abaixo, Geraldo Alckmin, era novo demais para tal vôo.

Abriu-se uma nova brecha para Serra.

Serra só não contava com o fato de que FHC era cabo eleitoral de Lula.

http://www.advivo.com.br/blog/sergio-saraiva/fhc-quem-seo-nassif

Além disso, o fim da era FHC não era exatamente propício para um candidato do PSDB. Era clima de fim de festa, ou de feira. Após a fase de riqueza advinda com o controle da inflação do Plano Real e do dinheiro fácil obtido com as privatizações, a incapacidade de evitar o contágio com as diversas crises econômicas que aconteciam em lugares diferentes (Coréia, Rússia, México e Argentina) mas repercutiram no Brasil, o aumento de impostos e juros necessários para pagar os credores internacionais condenando o desenvolvimento do país ao chamado vôo da galinha, as altas taxas de desemprego e a precarização das relações trabalhistas promovida durante o governo FHC, isso sem falar nos vários escândalos, incluindo o da compra de votos para a emenda da própria re-eleição, os acidentes da Petrobrás  e finalmente o apagão de 2001, minaram qualquer chance de vitória de um político continuista.

Seria melhor para Serra ter tentado novamente o senado e deixado a batata quente com Tasso Jereissati ou Paulo Renato. Ao invés disso, Serra partiu para o pescoço de Jereissati com mais um dos seus dossiês, forçou sua indicação como candidato, perdeu para Lula e somou mais um desafeto, o próprio Jereissati.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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