Por José Carlos Vaz
Comentário ao post A crítica aos rankings universitários
Concordo plenamente com o artigo do Prof. Safatle.
Sou professor da EACH-USP (USP Leste) e essa é a mesma sensação que tenho. Em minha área, por exemplo (Administração Pública), o Brasil tem enormes necessidades no campo da produção, circulação e aplicação prática de conhecimento pelas universidades.
A demanda que temos é por textos escritos em português, publicados aqui no Brasil. De preferência, textos que saiam dos limites da academia e alcancem gestores públicos. Que sejam apresentados em congressos aonde estejam presentes não somente os acadêmicos, mas também os técnicos do setor público e os gestores.
Mas a estrutura de avaliação está longe de estimular isso. Estimula, sim a quantidade, em oposição à qualidade e ao impacto efetivo das pesquisas na realidade concreta.
Creio que essa cultura de avaliação para impor um determinado modelo de universidade anglo-saxã está formando pesquisadores cada vez mais distanciados da realidade e comprometidos apenas com seu currículo na plataforma Lattes. E alguns docentes que pensam que a universidade é apenas um local onde, infelizmente, são obrigados ao desprazer de dar aulas para poder fazer pesquisa, desprezando a responsabilidade que têm no combate às desigualdades e no fortalecimento da democracia, da soberania e do desenvolvimento nacional.
No tocante à internacionalização, não há por que se opor à circulação de pesquisadores, docentes e estudantes, nem à circulação de conhecimento. Acontece que, infelizmente, ainda temos um complexo de vira-lata muito grande, que nos faz adotar a postura de que tudo que vem da Europa ou dos EUA é melhor que o que temos, de per si.
Esse mesmo complexo de vira-lata faz pensar que devemos copiar as práticas das universidades européias e anglo-saxãs. Cópia, imitação, é coisa de gente sem capacidade de análise e sem instrumental intelectual para interpretar a própria realidade com o intuito de aplicar criticamente um repertório teórico e empírico que deve ser a verdadeira base de uma formação sólida.
O Brasil tem seus próprios problemas e necessidades, e é com eles, antes de mais nada, que a universidade deve dialogar. Lamento informar a alguns anglófilos, mas, para sua infelicidade, vivem no Brasil e são docentes de universidades brasileiras. É bom que leiam Darcy Ribeiro e os outros autores citados pelo Prof. Safatle, e tentem entender de que país estamos falando…
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