Ponte descartada
Quase certo: túnel deve ligar Santos a Guarujá
Sandro Thadeu
O Governo do Estado praticamente descartou o projeto apresentado pelo ex-governador José Serra (PSDB), em março do ano passado, de construir uma ponte entre Santos e Guarujá.
A Dersa finaliza um estudo para ligar os municípios por meio de um túnel pré-moldado, conforme informações extraoficiais obtidas por A Tribuna.
Ele deve permitir a passagem de pedestres, bicicletas, carros e caminhões. Embora seja inegável pelas prefeituras de ambos municípios a importância econômica e social dessa tão aguardada travessia, o local onde a estrutura será feita pode gerar polêmica.
O chefe do Executivo santista, João Paulo Papa (PMDB), não quer uma ligação na Ponta da Praia, que permita o tráfego de caminhões, e defende que essa obra seja realizada entre o Saboó e a Ilha Barnabé.
Já a prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), entende que a ideia de Papa não exclui o compromisso do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de construir uma ligação seca entre os municípios.
Ambos aguardam ansiosamente uma definição do Estado, o que deve ocorrer até o final deste mês. Outras propostas também devem ser analisadas, mas o túnel pré-moldado é considerado a melhor opção técnica e financeira.
Tecnologia
Conforme informações apuradas por A Tribuna, a construção desse túnel utilizará a mesma tecnologia de um empreendimento que está sendo feito no Estreito de Bósforo, na Turquia.
Um fato determinante para os técnicos da Dersa rejeitarem a ideia de ponte foi a altura, que deveria ser de, no mínimo, 90 metros.
Isso poderia impedir o tráfego de navios no porto e necessitaria de uma rampa, com inclinação de 5%, exigindo pelo menos dois quilômetros de viadutos de acesso dos dois lados.
O posicionamento do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) do Porto de Santos poderá influenciar bastante a decisão do Governo do Estado de construir um túnel, pois aguarda um parecer técnico do órgão.
Na próxima segunda-feira, os representantes do CAP definirão qual a melhor localização para a ligação seca; a metodologia dessa nova estrutura (ponte ou túnel); e a altura livre, se for ponte, ou a profundidade mínima, caso seja túnel.
“A Lei 8.630 (de Modernização dos Portos) diz que o CAP tem competência para compatibilizar os estudos de desenvolvimento de transportes dos governos Federal, Estadual e municipais. Por esse motivo, fomos consultados”, explica o presidente do CAP, Sérgio Aquino.
Opiniões
Papa diz que ainda é cedo para avaliar algo que não se tem conhecimento. “Estamos aguardando o Estado concluir o estudo alternativo. No nosso entendimento, essa ligação seca precisa ser construída fora da área urbana”, destaca.
Ele justifica que a concretização desse projeto vai atender ao Porto de Santos, integrar a malha rodoviária da região e aliviar o tráfego urbano em Santos e Guarujá.
Papa é enfático ao dizer que não concorda com um túnel que permita o tráfego de caminhões na Ponta da Praia. “A obra naquele trecho só terá finalidade de substituir esse sistema (balsas) e também atrairá mais caminhões para a Cidade. Ninguém quer isso”.
Maria Antonieta explica que a obra é “necessária” para o desenvolvimento da região. “Não abro mão da (ligação seca) Guarujá-Santos. É o desejo da população de Guarujá e da Baixada Santista. Vou continuar lutando por essa alternativa, porque é um compromisso do Governo do Estado”.
Na visão da prefeita, as duas ligações são importantes, mas possuem vocações diferentes. Para ela, uma iniciativa não exclui a outra.
“Se somente a opção Santos-Santos for escolhida, a nossa cidade será impactada e teremos que discutir. Na realidade, há dinheiro para fazer essa obra com recursos privados e há o compromisso de usar recursos do Tesouro do Estado para executar a (obra) de Guarujá”.
E completa: “São dinheiros diferentes. O Estado, quando quer, faz”, diz ela, que preside o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista.
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