Postado originalmente: http://klaxonsbc.com/2011/05/15/fat-cap-galeria/
Rafael Vaz foi para as cabeças. Ele veio da Vila Joaniza, zona sul paulistana, tomou uma atitude que já é tradição na Europa há muito tempo, fez de uma casa abandonada na Rua Agisse, 280 na Vila Madalena, seu ateliê e galeria de arte e seu lar. Luxuosa transgressão. O mais bacana da proposta é que objetiva dar espaço para artistas que transitam entre o contemporâneo e a “street art”. É uma empreitada coletivista. Rafael cruzou a cidade para conquistar a “liberdade”, sem pedir licença.
Fui conferir na tarde de domingo (15/05/2010) a Fat Cap Galeria de Rafael Vaz. De primeira deu para sacar a precariedade que vive o rapaz, segundo ele, o dono da casa não tem grana para investir na reforma e não quer ou não pode vendê-la, sabendo da historia a invasão foi um passo para concretizar, dar forma a sua idéia. Ele tem plena consciência que corre riscos. O dono disse qua vai correr atrás dos direitos, enquanto isso …
Perguntei a Rafael, o que significa Fat Cap:
– São os pinos das latas de spray, aqueles maiores, usados para os traços mais cheios e grandes e para preenchimentos no grafitti – a resposta rápida, quase anteviu a pergunta.
O nome vem da arte das ruas, mas o artista tem gosto eclético (sem tom pejorativo), boas referências e uma coisa rara no mundo narcísico das “artes”, espírito coletivo. Latas de tinta, esboços, colchão velho, mochilas,fogão, recortes de jornais, obras de artistas de vários cantos do país e do mundo, tem trabalho da Austrália, do Chile, originais, reproduções, tudo isso compõe o visual da casa. Ainda que sobreviva na improvisação, Rafael mostra ânimo e vontade de tocar a idéia, são dezessete anos de idas e vindas na arte. Fat Cap já é realidade.
Aos poucos Rafael se entusiasma na fala e na descrição de suas idéias. A atitude quixotesca de invadir uma casa numa cidade onde nem os espaços públicos são garantia de uso coletivo e alguns até rejeitam construção de metrô perto de casa para não se misturar, já é em si, coisa de artista ousado. Uma atitude, acima de tudo, totalmente politizada.
Nesta tarde estavam na casa junto com Rafael, dois artistas que se dedicam a arte underground, Cav3ra, que veio de Pirituba e diz que sua arte é arte das ruas, que gosta de colocar os seus desenhos em paredes de fábricas e casarões abandonados, o outro é o Tiago Brutais, que mora em São Bernardo do Campo (conterrâneo) e transita na mesma esfera, paredes de lugares esquecidos, sem medo da volatilidade e do provável desaparecimento dos suportes. Os trabalhos somem, eles vão atrás de outros espaços, é uma arte que anda pela cidade, tem “abrigos seguros”.
Tiago e Cav3ira, é com três no meio do nome que ele é conhecido, finalizavam seus trabalhos na parede de um dos cômodos da casa. Na sexta dia 20 de maio, inaugura a próxima exposição da singular galeria “Submundo Urbano” e os dois são os artistas convidados.
No fim do papo, Rafael sorria, Cav3ira organizava as tintas, e o Tiago, mesmo Brutais, cantarolava uma música do Cartola. Parceiros. A arte reside por ali, sem bolsa, sem fundação pra bancar, vamos torcer para ser por muito tempo. Quem puder confira no local.
Expo SubMundo Urbano
Fat Cap Galeria
Dias 20 e 21 de maio
Rua Agisse, 280
Vila Madalena a partir das 17 hr
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