4 de junho de 2026

Os jovens trabalhadores na boa luta, por Clemente Ganz Lúcio

Estamos dentro de uma grande tempestade econômica e política, que tem efeitos devastadores sobre o emprego e os salários. O que podemos dizer aos jovens é que essa grande turbulência vai passar, que sairemos dela. E que descobrir o sindicato como instrumento de luta é uma oportunidade

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Os jovens trabalhadores na boa luta, por Clemente Ganz Lúcio

do Brasil Debate

Os jovens trabalhadores na boa luta

por Clemente Ganz Lúcio

Quem entrou no mercado de trabalho depois de 2004 muito provavelmente desconhece o que é o desemprego estrutural ou de longa duração, esse facão que destrói vidas, sonhos e perspectivas. Por aproximadamente uma década, a geração de empregos foi resultado de uma dinâmica econômica de crescimento em um ambiente de expectativa favorável sobre o futuro.

Há algum tempo, a situação mudou e a crise econômica, fenômeno cíclico no capitalismo, ganhou predominância. A incerteza sobre o futuro voltou. A crise mundial é muito grave e atinge o Brasil. Porém, esta nossa crise também decorre de vários problemas internos, sobrepostos. Estamos dentro de uma grande tempestade econômica e política, que tem efeitos devastadores sobre o emprego e os salários. O que podemos dizer aos jovens é que essa grande turbulência vai passar, que sairemos dela. O que ninguém sabe dizer é quando.

O período é de resistência à destruição que a crise provoca, acionando todos os mecanismos e instrumentos de proteção. É preciso ter claro que a prioridade é preservar os empregos, oferecer proteção aos desempregados e oportunidades rápidas de acesso à renda. Além da proteção às pessoas, essa ação deve resguardar e reanimar um vetor dinamizador da economia, que é o mercado interno, movido pela capacidade de consumo das famílias.

Além de resistir, é preciso insistir vigorosamente na retomada do crescimento econômico, condição para a geração e sustentação dos empregos. A atividade econômica precisa ser reanimada, com as empresas decidindo produzir. Mas essa decisão só será tomada se houver confiança de que haverá consumidores internos e externos (pessoas, famílias, empresas, governos) dispostos a comprar. Sem demanda, não há produção e, muito menos, investimento para ampliar a capacidade produtiva.

Os trabalhadores compram e consomem se tiverem, antes de tudo, emprego e salário e, nessa condição, o crédito ajuda muito para antecipar o consumo. As empresas competitivas investem na produção se souberem que concorrerão em condições equânimes, com estabilidade nas regras, infraestrutura adequada para sustentar a produção e se a demanda for efetiva no tempo. Todos apostarão no presente, se houver confiança no futuro.

Os jovens de hoje viveram um período de expectativas favoráveis, sonharam e projetaram suas vidas, tiveram campo favorável para construí-las até aqui e contribuíram, com estudo, trabalho e consumo, para uma dinâmica favorável da economia.

Agora será preciso aprender a viver em condições desfavoráveis, enfrentar novas adversidades e descobrir que a superação não ocorre de maneira solitária, mas em conjunto, unindo forças e revigorando as instituições capazes de colocar em movimento a dinâmica do crescimento.

O sindicato é uma ferramenta de resistência e insistência na superação da crise. Descobri-lo como instrumento de luta é uma oportunidade. Fazer do sindicato um espaço para debater as saídas locais, setoriais, nacionais e internacionais para a crise é um momento raro de formação. Lutar para implementar essas medidas é aprender a construir expectativas favoráveis que levam a decisões que antecipam o futuro, fazendo do presente um momento de construção e investimento. Decidem pessoas, famílias, organizações, empresas e governos.

A boa luta dos sindicatos inclui, além de elaborar os diagnósticos, desenvolver a capacidade de produzir e apresentar propostas – o que, como e quando fazer -, debatê-las, negociá-las, atuar para implantá-las e trabalhar para construí-las diariamente.

Clemente Ganz Lúcio – Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômimco e Social

 

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