Por Marco Aurélio Barroso
100 Dias de Dilma
Análise Semântica dos títulos de O Globo (II)
Ao término dos primeiros100 dias do governo Dilma, apresentamos aos amigos mais essa pequena análise semântica dos títulos de O Globo. O tempo passa mas o perfume continua o mesmo, sendo a palavra crise a mais incidente: 5 vezes.
De chofre, urge separar entre os 100 títulos, aqueles que se referem mais diretamente ao nosso interesse: a administração presidencial. A relação Dilma x O Globo.
Com isso, descartaremos os títulos que nos vêm do Egito (9), da Líbia (7), de Obama&Líbia (3); de Obama&Brasil (1); do Japão (7), do Carnaval (6), do Esporte (3), do Desastre aéreo Air France (1) e de Realengo (3).
Do Egito, têm-se : Egípcios desafiam tanques e ditadura de 30 anos balança; Oposição no Egito articula novo governo mas se divide; Oposição nega saída honrosa para ditador egípcio e exige renúncia; Ditador egípcio resiste e põe adeptos para atacar nas ruas; Ditador expulsa jornalistas para isolar Egito do mundo; Impasse no Egito; A praça derruba o ditador; Egito dissolve Parlamento e suspende Constituição e, finalmente, Regimes ampliam repressão à onda de protestos pró-Egito.
Com o egípcio já embalsamado, dois dias depois – porque a vida é curta – entrando na dança, mais um ditador do Maghreb, lugar onde – informam, os árabes – o sol não se põe nunca, mas, pelo que vemos, os ditadores balançam!
Conosco, Kadhafi.
Para seus grandes problemas e sua forte resistência, temos as consignações: Kadhafi bombardeia civis nas ruas e diplomatas se asilam; Ainda mais isolado, Kadhafi diz que só deixa poder morto; Desarticulação de aliados ameaça operação na Líbia; Petróleo líbio cai à metade e preço dispara no mundo; Forças rebeldes já controlam poços de petróleo líbio; Confrontos chegam a Trípoli; EUA suspendem relações com Kadhafi; Cessar fogo não convence e Obama dá ultimatum a Kadhafi;
No dia seguinte, já com o americano no Brasil, O Globo estampa: Obama ordena ataque à Líbia.
E, para terminar, temos: Desarticulação de aliados ameaça operação na Líbia.
No Municipal, aqui na Cinelândia, o americano diz e O Globo espalha: Brasil dá exemplo de democracia ao mundo árabe. Afirmação ridícula mas cujo significado e entendimento é de fácil percepção, pois é hábito humano só se elogiar o que se tem por dominado. Passemos!
Em cena, o Japão. Com 7 títulos seguidos, O Globo estampa: Terremoto deixa Japão sob ameaça de acidente nuclear; Explosão em usina faz Japão reviver pesadelo nuclear; Problemas em sete reatores agravam crise no Japão; Terceira explosão em usina eleva risco de catástrofe; Radiação chega a Tóquio e mergulha cidade no medo; Japão perdeu o controle dizem EUA, Europa e Rússia e, por fim: Após uma semana, Japão tem 1º avanço contra desastre.
Sobram-nos, então, os 60 títulos relativos estritamente aos assuntos nacionais.
Só nos resta ir a eles.
E sem dizer tudo, novamente, temos o quase secular jornal mostrando suas afiadas farpas contra o governo. Linguagem negativista, sempre a exalar rejeição, repúdio e recusa, O Globo, sem meias palavras, espalha catástrofe e medo para todo lado. Deus nos livre!
Querem ver? Lá vai:
Lula deixa para Dilma crise diplomática / superávit foi o pior / na briga por cargos PMDB e PT se biscoitam / provocam guerra PT-PMDB / País tem a maior inflação em 6 anos / grupos de extermínio em todo o país / enfrentar 12 projetos polêmicos / MST testa Dilma / Excluídos dos bancos são 40% / Tragédia e descaso! / Estado não tem alerta contra catástrofe / Colapso na Serra / deslizamentos e mortes na área de risco / Dilma suspende escolha / alerta contra catástrofe / Governo vetou / Centrais rejeitam / Senadores poderão receber até 50 mil acima do teto / Furnas fez negócio com firma ligada a dep / Furnas ameaça PT com denúncia / Primeiro apagão do governo é o maior do nordeste / Herança Lula limita começo do governo / Crise na polícia se amplia com novos investigados / indiciado por vazamento / Petrobras burla lei / Habitação popular perde quase metade das verbas / Maluf, mensaleiros e Newtão cuidarão da reforma política / Acredite se quiser, Tiririca / Na Cultura, uma crise para Dilma administrar / BC aumenta o juro pela 2ª vez no governo Dilma / Mantega já fala em aumentar imposto / BC indica mais restrição ao crédito / Brasil muda e agora apóia investigar os abusos do Irã / Saúde e educação não agem contra a fraude / Combustíveis sobem mais e pressionam a inflação / BC prevê “pressão” gigantesca / Interferência política torna FGTS-vale pior aplicação / Juízes alegam até calor para rejeitar o expediente integral / Angra 3 reduz exigências ambientais / calote aumenta e já preocupa / Estradas nunca mataram tanto / Belo Monte provoca crise internacional / Petrobras prevê aumento de gasolina.
Passemos às consignações do nome Dilma, isso, antes que o mundo acabe:
Dilma tem crise diplomática com a Itália
Dilma promete enfrentar desafios
Dilma cobra explicação de general.
Dilma quer identificar os torturadores da ditadura [ nota minha: nessa frase, com o nítido sentido que O Globo lhe quer consignar, deveria ter escrito Revolução de 64 e não ditadura…]
Dilma vai ter que enfrentar 12 projetos polêmicos
MST testa Dilma com janeiro de invasões
Dilma suspende escolha de caça da FAB
BC de Dilma aumenta juros para conter inflação
Centrais rejeitam proposta de Dilma para novo mínimo.
Herança fiscal de Lula limita começo do governo Dilma
Na Cultura, uma crise para Dilma administrar
Dilma: “Pibão foi bom”, mas não se repetirá nos próximos anos
Dilma descumpre promessas mas distende o clima e ganha apoios.
O mundo é isso aí e a imprensa – de um jornal só – carioca também o é.
Mas, à guisa de justiça, não podemos deixar de assinalar o que O Globo estampou ontem, dia 9 de abril:
– um título sóbrio e direto: Adeus, crianças!
– uma foto emocionante e triste de uma criança morta.
– um pouco mais abaixo, talvez em honra ao autor da chacina, ainda na 1ª página, lia-se o seguinte: Quadrinho maldito, já nas bancas […] protagonista um travesti assassino: Dagmar.
Não seria isso algo mais do que insensatez! Não seria desrespeito às lágrimas que caiam da parte de cima da mesma página? Onde esse jornal quer chegar?
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